Polícia

7 de dezembro de 2017 13:29

Líder do PCC usava identidade falsa e atuava como empresário em Maceió

Erik Ferraz, de 39 anos, esposa, sogra e cunhados ostentavam luxo com dinheiro do crime  

↑ Sogra de Erik Ferraz foi ouvida na sede da Polícia Federal nesta manhã (7). Fotos: Sandro Lima

Um dos líderes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi preso na manhã desta quinta-feira, num condomínio de luxo em Maceió, durante uma operação denominada ‘Duas Caras’ da Polícia Federal (PF). Erik da Silva Ferraz, de 39 anos, resistiu à voz de prisão entrou em confronto com os policiais da PF e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e acabou falecendo.

O superintendente da PF em Alagoas, Bernardo Gonçalves, detalhou os fatos que motivaram a operação resultando nas prisões da esposa, da sogra e dos cunhados do traficante, que usava a identidade falsa de Bruno Augusto Ferreira Júnior. Ele atuava na capital alagoana, como empresário e possuía estabelecimentos em nomes dos laranjas, entre eles, a pizzaria Moriah no bairro Antares, academia Premier Combat na Avenida Menino Marcelo e a boate Blackout Pub na Jatiúca.

Ao todo foram presas cinco pessoas, entre elas, um oficial tenente da Polícia Militar de Alagoas; três mandados de condução coercitiva foram cumpridos e nove de busca e apreensão. “Na casa de um dos laranjas foram encontrados aproximadamente 500 mil dólares, possivelmente com origem no exterior. O dinheiro será rastreado durante a continuação da investigação”, avisou o delegado Bernardo Gonçalves.

‘Bens’ apreendidos

Além da grana proveniente da lavagem de dinheiro também foram apreendidos: veículos de luxo, um jet ski, uma lancha, uma BMW avaliada no valor de R$ 350 mil, bem como, o sequestro de casas em condomínios de luxo e na Barra de São Miguel, cujo patrimônio pode chegar a R$ 8 milhões.

Erik Ferraz é filho do líder nacional do PCC no Brasil, João Aparecido Ferraz Neto, mais conhecido como João Cabeludo, que está foragido na Bolívia. Ele que usava identidade falsa desde a sua fuga em 2013 da cadeia de São Paulo, foi para Bolívia, onde segundo o delegado Bernardo, conheceu a esposa alagoana.

Arquivo Pessoal

Gabriela, esposa de Erik, com o irmão Diogo. (Arquivo Pessoal)

“Eles estavam morando aqui em Maceió desde janeiro de 2016 e mantinha pessoas laranjas para lavar dinheiro do crime”, disse o delegado Gustavo Gatto, que presidiu o inquérito policial. “Ninguém tinha renda e de uma hora para outra compraram imóveis e constituíram empresas à vista, os cunhados de Erik seriam os titulares das empresas, e a esposa e sogra dos imóveis”, explicou.

Gabriela Terêncio, esposa de Erik foi presa, assim como seus dois irmãos, um deles o lutador de MMA Diogo Terêncio, proprietário da Academia Premier Combat, e outro que seria tenente da Polícia Militar de Alagoas.

Pai é o sexto mais procurado

João Neto usava o filho para lavar dinheiro das ações delituosas do tráfico de drogas no Brasil. Ele acumula condenações que somam 500 anos de prisão e sua família comanda o tráfico de drogas na região de Jardim da Granja, zona sudoeste do município de São José dos Campos, em São Paulo. O sexto homem mais procurado do país.

João Cabeludo. Foto: O Vale

O delegado Gustavo Gatto disse ainda que Erik era um dos líderes de um assalto com o avião da TAM no aeroporto de São José dos Campos, em 1996, e apontado também como chefe de uma quadrilha que praticou o sequestro de uma mulher chamada Alzira Bicudo. Erik respondia por 12 processos criminais.

Erik também teria sofrido um atentado na saída da academia Premier em setembro de 2016. Câmeras registraram a ação.

Os envolvidos na organização criminosa ficaram à disposição da justiça alagoana e serão encaminhados para o sistema penitenciário na parte alta de Maceió. Eles responderão por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica.

A operação ‘Duas Caras’ também contou com o apoio de policiais do Batalhão de Radiopatrulha.

 

 

Papiloscopista da PF realizou estudo da descrição das feições de Erik. Foto: Ana Paula Omena

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Ana Paula Omena