Cidades

26 de novembro de 2017 18:10

Atendimento ágil da equipe de Motolância do Samu Alagoas salva vidas

Uso das motocicletas permite aos socorristas chegarem em tempo hábil para dar assistência aos pacientes

↑ Agilidade no tempo-resposta às ocorrências é fundamental para evitar sequelas em que precisa de socorro imediato (Foto: Carla Cleto / Agência Alagoas)

Para evitar sequelas, diminuir complicações e melhorar a recuperação de pessoas que sofreram algum tipo de intercorrência e necessitam de socorro imediato, o tempo é o principal aliado. Foi para garantir um melhor tempo-resposta às ocorrências de urgência e emergência que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoas implantou, em dezembro de 2012, a equipe de Motolância.

(Fotos: Carla Cleto)

(Foto: Carla Cleto / Agência Alagoas)

“O serviço de Motolância é indispensável para o atendimento pré-hospitalar. O tempo entre a solicitação, pelo 192, até o momento da assistência à vítima tem que ser ágil. Com as motos, os nossos socorristas, todos técnicos de enfermagem, têm a possibilidade de se deslocar rapidamente pelo trânsito, cada vez mais congestionado em nossa cidade, o que acaba, em algumas situações, atrasando a chegada das ambulâncias. Além de os veículos sobre duas rodas terem a capacidade de chegar em locais de difícil acesso”, destacou o supervisor do Samu em Alagoas, major Dárbio Alvim.

De acordo com Maxwell Padilha, coordenador médico do Samu Maceió, os principais casos onde a Motolância é acionada acontece quando existe a redução no nível de consciência do paciente.

“Quando acontecem acidentes vasculares encefálicos (AVE), paradas cardiorrespiratórias, afogamentos ou engasgos, o tempo-resposta precisa ser rápido, para reduzir, ao máximo, as lesões cerebrais nos pacientes. Por isso liberamos imediatamente os motossocorristas, para o primeiro atendimento, que antecede a chegada da ambulância”, afirmou o coordenador.

Salva pelos motossocorristas

Foi pela agilidade da equipe da Motolância do Samu que a senhora Ramira Maria dos Santos, 57, não teve seu delicado quadro de saúde ainda mais agravado. A aposentada é diabética, hipertensa e um dos rins trabalha com apenas 20% da capacidade total.

(Fotos: Carla Cleto)

(Foto: Carla Cleto / Agência Alagoas)

“Eu tinha ido até o bairro do Farol para uma consulta de rotina, por causa dos meus problemas de saúde. Quando fui ser atendida, não estava sentindo nada, mas, de repente, comecei a sentir um cansaço e falta de ar. A médica perguntou se eu estava me sentindo bem, viu a minha situação e já foi ligando para o Samu”, contou.

Ramira dos Santos disse que não sabe como conseguiu sair da clínica e ligar para o filho. “Depois da ligação, em questão de minutos a equipe da Motolância chegou, medindo minha pressão, que estava alta – 23/13-, normalizando a taxa de glicose, que tinha baixado, e o mais importante de tudo, colocaram uma máscara de oxigênio para que eu voltasse a respirar”, lembrou dona Ramira, que depois desse episódio ficou seis dias internada na UTI.

Quando Pedro dos Santos chegou para ajudar a mãe, os profissionais do Samu já estavam no local. “Segundo os médicos que atenderam minha mãe, ela estava com edema pulmonar agudo, por causa de cerca de um litro de líquido nos pulmões. A agilidade dos motossocorristas foi essencial para salvar a vida dela, especialmente pela utilização do oxigênio e todo o primeiro atendimento, conseguindo estabilizar a situação até a chegada da Unidade de Suporte Avançado (USA) para fazer a transferência para o hospital”, afirmou o estudante.

Ramira dos Santos está em casa se recuperando bem do edema pulmonar, mas, por causa dessa doença, complicou a situação dos rins, e precisa fazer algumas sessões de hemodiálise. “Aos poucos estou recuperando minhas energias, para poder voltar à ativa e viver cada momento da vida, principalmente ao lado da minha neta e da minha família”, disse a aposentada.

Rotina dos motossocorristas

Atendimentos como o que foi feito prestado à dona Ramira são constantes para a equipe de Motolância do Samu. Desde o início do serviço, em 2012, já foram feitos 7.851, sendo 4.888 na Central Maceió e 2.963 em Arapiraca. Somente em 2017, os motossocorristas de Maceió atenderam 772 pessoas e os socorristas do Samu Arapiraca outros 622 pacientes.

(Fotos: Carla Cleto)

(Foto: Carla Cleto / Agência Alagoas)

Quando acionados, os motossocorristas sempre saem em dupla, em motolâncias distintas. Cada profissional carrega dentro do baú um tipo de material específico, para as ocorrências de casos clínicos ou com traumas.

Fernando Pereira, motossocorrista e técnico de enfermagem do Samu Maceió, explica que com os materiais carregados por eles, os socorristas conseguem reverter algumas situações sem a necessidade do deslocamento das Unidades de Suporte Básico (USB) ou de Suporte Avançado (USA).

“Quando chegamos a uma ocorrência, observamos a segurança do local, tanto para o paciente como para a equipe de socorro. Depois da avaliação do paciente tentamos fazer a estabilização dos sintomas. Passamos todas as informações para o médico regulador, localizado na central do Samu, e ele irá avaliar se é necessária a liberação ou não de uma USA ou de uma USB, uma vez que a equipe conseguiu reverter o quadro, como em situações de hipoglicemia, onde administramos o soro glicosado”, salienta.

“Nas ocorrências de traumas, como atropelamentos, colisões, queda de altura, queda da própria altura, nós temos os itens necessários, como o colar cervical e talas de imobilização para fazer a imobilização necessária até a chegada da ambulância”, disse Fernando Pereira.

(Fotos: Carla Cleto)

(Foto: Carla Cleto / Agência Alagoas)

Os motossocorristas também carregam um cilindro portátil e kit de oxigênio, oxímetro portátil, um desfibrilador externo automático (DEA), medidor de pressão arterial e de glicose, estetoscópio, seringa, luva de procedimento, gazes, ataduras e três tipos de soro fisiológico, glicosado, com ringer e lactato.

Para fazer os atendimentos, os socorristas da equipe de Motolância do Samu precisam utilizar todos os equipamentos de proteção individual necessários, como capacete, luva, colete especial com sistema de airbags, joelheiras e protetor de tórax. O serviço funciona todos os dias, das 7h às 17h. Por motivos de segurança, os profissionais não realizam atendimentos no período noturno ou em dias chuvosos.