Turismo
A partir de Belo Monte, turismo em cavernas pode ganhar espaço em Alagoas
Alagoas não é famosa por extensas redes de cavernas calcárias, mas abriga formações raras e interessantes.
O estado possui mais de uma dezena de cavidades mapeadas pelo Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie), divididas entre a região de Caatinga e a Mata Atlântica.
Mas a identificação de uma caverna com mais de 21 mil morcegos insetívoros, em Belo Monte, no Sertão de Alagoas, pode transformar o município em referência nacional na conservação da biodiversidade e colocar Alagoas no roteiro do turismo em cavernas, ou espeleoturismo, que envolve a exploração de cavidades subterrâneas.
A caverna de Belo Monte, já era conhecida, por ser considerada como a primeira hot cave (caverna quente) do Nordeste, com temperaturas constantes que chegam a 40°C. Mas agora, com a identificação da colônia de morcegos insetívoros, insetívoros, organismos que se alimentam principalmente ou exclusivamente de insetos e outros pequenos invertebrados; achado que faz parte de uma expedição realizada pelo Plano de Ação Nacional (PAN) Cavernas do Brasil, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav), em parceria com a Bat Conservation International, Belo Monte sonha em ser referência nacional na conservação da biodiversidade.
A descoberta, considerada inédita no estado, que já mobiliza pesquisadores e autoridades em torno da criação da primeira unidade de conservação municipal voltada à proteção desses mamíferos voadores, pode inserir a caverna, ao lado de outras, como a Furna do Morcego, em Delmiro Gouveia, e as Caverna do Capão, da Raposa e a do Cocal, localizadas entre a região serrana e zona da mata, em um novo roteiro, aquele do turismo em cavernas, ainda pouco explorado no Brasil.
A caverna de Belo Monte tem um importante diferencial, já que é um tipo extremamente raro de cavidade natural. Das mais de 30 mil cavernas catalogadas no Brasil, menos de 20 possuem essa característica, marcada por uma única entrada relativamente pequena, alta concentração de morcegos, temperaturas constantes entre 28°C e 40°C e umidade superior a 90% durante todo o ano.
O presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Antônio Araújo, que participou da expedição, destaca que a caverna de Belo Monte é única em Alagoas com esse potencial ecológico.
“Trata-se da única caverna conhecida em Alagoas com esse potencial, abrigando mais de 21 mil morcegos insetívoros. Poucas pessoas conhecem os benefícios que esses animais trazem para o ecossistema, e é fundamental levar informação qualificada sobre a importância desses mamíferos para o equilíbrio ambiental”, afirma.
A expectativa é que a descoberta em Belo Monte impulsione novas pesquisas sobre a biodiversidade subterrânea e consolide Alagoas como um importante território para a conservação de um dos ecossistemas mais raros e singulares do local.
Estado possui mais de uma dezena de cavidades mapeadas em todas as regiões
Mas existem outras cavernas em Alagoas, uma bastante conhecida, como a Caverna Furnas do Morcego, localizada na divisa de Alagoas e Bahia, no município de Delmiro Gouveia, que faz parte do complexo turístico de Angiquinho, sob a responsabilidade da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).
A Caverna do Capão, que é uma cavidade natural localizada no município de Joaquim Gomes, na região da Zona da Mata, faz parte de um grupo de cavidades naturais catalogadas pelo Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas.
Essa caverna está inserida em um ambiente de Mata Atlântica e possui proporções menores e características típicas de abrigos rochosos regionais.
A Caverna do Cocal, também em Joaquim Gomes, dentro da Terra Indígena Wassu-Cocal, tem 17 metros de desnível, e se destaca como a caverna com o maior desnível do estado de Alagoas.
As Cavernas da Raposa (ou Toca da Raposa) estão localizadas no município de Murici, a aproximadamente 50 km de Maceió. Trata-se de uma formação em formato de abismo, conhecida por ser um dos pontos de espeleoturismo e pesquisa na região da Zona da Mata alagoana.
E diferente das cavernas de calcário, essas três são formadas por desmoronamentos de blocos de rocha e fendas ampliadas pela ação da água e raízes.
As cavernas são formadas ao longo de milhares de anos pela ação contínua da água da chuva ou de rios, que dissolve e desgasta o solo.
Por serem ambientes totalmente escuros, as cavernas abrigam uma fauna especializada. É comum encontrar animais adaptados à escuridão (chamados de troglóbios), além de morcegos e insetos que dependem do material orgânico trazido de fora para sobreviver.
Estalactites e Estalagmites
Nas cavernas formadas pela dissolução de rochas, a água carregada de minerais que pinga do teto forma as chamadas estalactites (que crescem do teto para o chão) e estalagmites (que crescem do chão para o teto). O estudo científico dessas formações e do ambiente subterrâneo é conhecido como Espeleologia
As cavernas foram os primeiros abrigos da humanidade na pré-história. Elas possuem grande valor histórico, arqueológico e científico, frequentemente abrigando pinturas rupestres e fósseis de animais da megafauna.
Formação Química: Acontece quando a água da chuva (levemente ácida) entra em contato com o gás carbônico e dissolve rochas calcárias ao longo do tempo. Erosão: Formadas pelo impacto e desgaste constante da água de rios subterrâneos ou pela força das ondas do mar em costões rochosos. Na cultura popular, a palavra gruta é frequentemente usada para designar cavernas menores ou aquelas que possuem mais de uma entrada.
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