Saúde

8 de janeiro de 2021 14:59

Pandemia afeta transplantes de órgãos em Alagoas

Redução foi de 87% com queda no número de doadores no estado

↑ Dados da Central de Transplantes de Alagoas apontam que até novembro passado, no estado, 420 pessoas estavam na fila de espera por um transplante (Foto: Elza Fiuza / Agência Brasil)

A pandemia da Covid-19 afetou os transplantes em Alagoas, que registrou uma redução de 87% no número de doações de órgãos no estado. Hospitais lotados, equipes médicas doentes, receptores sem acesso aos serviços de saúde e distanciamento social estão entre as principais causas do índice alto.

Dados da Central de Transplantes de Alagoas apontam que até novembro passado 265 pessoas estavam na fila de espera por um transplante de córnea; 152 por transplante de rins; dois para coração e um para fígado. Um total de 420 pessoas. Esse último credenciamento foi obtido pelo estado em setembro deste ano. No entanto nenhum transplante desta natureza foi realizado.

A coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, diz que a doação de múltiplos órgãos de vítimas fatais da Covid-19 é contraindicação absoluta. “Infelizmente fomos bastante afetados pela pandemia. Aqui em Alagoas só conseguimos fazer 28 transplantes de córnea e foram até março, porque depois disso veio uma portaria ministerial proibindo todas as buscativas de doação de córnea e transplantes também”, ressaltou.

Daniela Ramos disse ainda, que em setembro passado, os trabalhos estavam sendo retomados, “porém com a nova onda da Covid, estamos na expectativa e na medida do possível nos programando”, observou.

44,5% das pessoas que estavam na fila de espera por não conseguir um órgão foram a óbito no Brasil por conta da pandemia. Alagoas não dispõe destes dados.

Transplantado tem risco maior de desenvolver forma grave de Covid-19

De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, pacientes transplantados correm mais risco de desenvolver forma grave da Covid-19, já que fazem uso de imunossupressores para evitar a rejeição do órgão transplantado e preservar a sua função.

“Muita gente que tem saúde está morrendo. Então contrair uma doença desta, quem tem comorbidade é muito complicado, em relação ao transplantado que contrai o coronavírus. Por isso, sempre orientamos a evitar hospitais, só em caso de extrema necessidade. Tudo para não ser contagiado pelo vírus. Os cuidados devem ser redobrados”, frisou.

O cantor Salvador Sobral, que teve o coração transplantado em 2017, conta que teve Covid-19 e achava difícil escapar da morte. “Quando estourou a pandemia da Covid-19, havia uma grande paranoia em relação a transplantados. Na altura, pensava-se que era impossível sobreviver à doença sendo transplantado. Fui infectado em outubro e estou aqui (curado)”, disse.

O artista acredita ter se infectado depois de fazer um show ao lado da irmã, Luísa Sobral. “Fui cantar com ela e tive que ficar 20 dias em casa”.

O cantor sofria de displasia arritmogênica do ventrículo direito, uma deficiência cardíaca, desde 2011. Quando fez a cirurgia, em 2017, já estava debilitado.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Ana Paula Omena

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