Saúde

27 de novembro de 2020 08:08

Óbitos por SRAG crescem 2.030% em Alagoas

Estado registrou 277 mortes pela doença entre janeiro e outubro deste ano contra apenas 13, em 2019

↑ De acordo com o fisioterapeuta Ray Coutinho, houve uma demanda para SRAG bem maior este ano (Foto: Acervo pessoal)

A pandemia da Covid-19 trouxe mais um dado assustador para Alagoas, o número de casos Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Para se ter uma ideia desta dimensão, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) registrou de janeiro a outubro deste ano 277 óbitos pela patologia, contra apenas 13 no mesmo período anterior, o que representa um índice alarmante de crescimento em mais de 2.030%.

A SRAG, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, é uma doença respiratória grave que exige internação e é causada por um vírus, seja ele o novo coronavírus, a influenza ou outro. Os casos são relatados pelos hospitais ao Ministério da Saúde, e a Fiocruz consolida e divulga esses dados pela plataforma Infogripe.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra um aumento expressivo nas internações por SRAG neste ano no Brasil em comparação com a média dos últimos dez anos. Na contagem da Fiocruz, o país passa das 33,5 mil internações por SRAG, muito acima da média desde 2010, de 3,9 mil casos. Mesmo em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano.

Para Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe, da Fiocruz, o número de casos é muito alto. “Completamente fora do padrão”, afirmou. Ele ressaltou que um dos motivos para esta elevação foi a velocidade com que o vírus se espalhou sendo maior que em anos anteriores, como também o sistema da Fiocruz que passou a receber um número maior de notificações de hospitais privados, que antes era somente da rede pública.

DEMANDA

De acordo com a experiência do fisioterapeuta Ray Coutinho, especialista em fisioterapia cardiorrespiratória com ênfase em hospitalar e UTI, houve uma demanda bem maior em relação a esta patologia no ambiente hospitalar este ano, e que, segundo ele, com certeza o número está mais evidente que o ano passado. “A maioria dos casos desta síndrome está relacionada à Covid-19”, frisou.

Conforme o especialista, ainda em março deste ano, o sistema de saúde do estado ligou o alerta no sentido do número alto de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave, incluindo internações e óbitos.

Ray Coutinho observou que esta síndrome atinge crianças e adultos, porém sua intensidade é em adultos e idosos que possuam alguma comorbidade.

Indagado sobre como identificar e proceder nos casos da doença, o fisioterapeuta explicou que a base são as evidências diagnósticas. “Depois do diagnóstico é procedida a internação hospitalar, onde deve ser feita a coleta de amostra de material biológico para exames complementares, inclusive tendo como método muito utilizado a secreção nasofaringe até o sétimo dia do início das manifestações clínicas”, esclareceu.

Ainda segundo Ray Coutinho, estes pacientes podem apresentar sinais e sintomas, tais como: febre, dor no corpo, dificuldades de respirar, além também de alteração do estado de consciência, desidratação, convulsões, diminuição da saturação, entre outros.

Já nas crianças é possível observar uma coloração mais roxa nas extremidades das mãos e pés, febre, vômitos, incapacidade de ingestão de líquidos.

“As pessoas não dão atenção para proteção”

 

Na visão do pneumologista Edmilson Gaia Filho, em relação à Covid-19, as pessoas não estão dando a importância necessária para proteção. “Atendo muitos pacientes no consultório e na Uncisal sem sintomas respiratórios causados pela Covid-19, e somente de uma gripe leve.  Mas quando solicito  tomografia de tórax sem contraste,  aparece pneumonia por covid-19, sem  provocar sintomas, naquele momento”.

O especialista acredita que os resultados da tomografia deveriam ser incluídos também para notificar os órgãos de saúde da presença da Covid-19. “Muitos pacientes, não fizeram sorologia IGG e IGM para Covid-19 ou o Swab Nasofaringe, mas ao fazerem a tomografia de tórax sem contraste, aparece Covid-19”, ressaltou.

Para o médico, a vantagem da tomografia de tórax sem contraste é a rapidez para realizar e para ter o resultado. “Além de estadiar o grau da doença, se comprometeu ou não os pulmões”, disse.

Com relação ao tratamento, Edmilson Gaia Filho acredita que alguns médicos, bem como os leigos, ainda estão usando medicamentos que não são efetivos, como a cloroquina e ivermectina.

Ele afirmou que acompanha pacientes internados e graves que receberam estes medicamentos dez dias antes, e em sua opinião, o tratamento para Covid-19 deve ser de um antibiótico ou mais. Se necessitar internamento, um corticoide e um anticoagulante.

O pneumologista ponderou que a tomografia de tórax sem contraste deveria ser solicitada de rotina para todo paciente com Covid-19, mesmo aquele que não apresente tosse, falta de ar, dor torácica e febre.

“Diagnostico muitos pacientes assintomáticos por meio da tomografia de tórax sem contraste”, destacou Edmilson Gaia.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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