Saúde

31 de agosto de 2019 17:20

Produtores sofrem com efeitos da intoxicação por agrotóxicos

Problemas de saúde vão desde dores de cabeça constantes até lesões hepáticas; dados da Sesau apontam para uma morte e 20 vítimas de contaminação só este ano em Alagoas

↑ 81% dos produtores rurais fazem uso de agrotóxicos; cultivo de hortaliças e lavouras estão entre as culturas que mais utilizam os defensivos (Foto: Sandro Lima)

Além dos danos ambientais provocados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, um fator ignorado é o risco de intoxicação. Uma pesquisa desenvolvida entre produtores rurais do Agreste alagoano identificou diversos problemas de saúde agudos e crônicos, inclusive lesões hepáticas.

De acordo com a coordenadora do estudo, a professora, doutora e pesquisadora em Saúde do Cesmac Aldenir Feitosa, os problemas de saúde identificados nos produtores rurais alagoanos vão desde tonturas e dores de cabeça frequentes à alterações na visão, e intoxicação crônica.

“Os principais sintomas percebidos por agricultores durante ou após o uso dos agrotóxicos foram alterações na visão (48,5%), nervosismo, tensão e preocupação (48,5%), tonturas (32,8%), dores de cabeça frequentes (30%), dormência frequente (30%). Ressalta-se também que o tempo e a frequência do trabalho na agricultura, ou seja, à longa exposição aos agrotóxicos, aumentam os riscos de contaminação e intoxicação. As análises da primeira coleta apresentaram redução na atividade enzimática em 13,66% dos agricultores evidenciando um uso mais recente de agrotóxico indicando uma intoxicação aguda. Na segunda coleta ocorreram os maiores níveis de intoxicação aguda e crônica entre os agricultores. Foram identificadas alterações que sugerem lesões hepáticas. No que se refere aos parâmetros hematológicos, um quadro de plaquetopenia, encontrado em alguns agricultores, pode ter sido induzido pelo uso de agrotóxicos”, afirma Aldenir.

O estudo conseguiu identificar também que 81% dos produtores rurais fazem uso de agrotóxicos. Entre os agrotóxicos utilizados, 83% não são adequados aos cultivos e 34% são de extrema toxicidade ao homem.

“Quanto à rotina de trabalho, 53,9% trabalham todos os dias na agricultura e 75,70% trabalham há mais de 11 anos na agricultura. Foi constatado que 81,44% fazem uso de agrotóxicos e do total de 32 tipos citados pelos agricultores, destacam-se o Nativo (16,26%) e o Gramoxone 200 (13,85%). Dos agrotóxicos utilizados, 83,13% não são adequados às culturas em que foram aplicados, 34,37% pertencem à Classe I – extremamente tóxicos à saúde humana e 78,12% pertencem à Classe II do potencial de periculosidade ambiental, sendo muito perigosos ao meio ambiente. Constatou-se que 45,71% dos entrevistados não fazem uso de EPI [Equipamento de Proteção Individual] no momento da preparação e 37,85% não usam no momento da aplicação dos agrotóxicos e, quando o fazem, usam de forma incompleta”, aponta a pesquisadora.

Os problemas envolvendo o uso de agrotóxicos podem ser em longo prazo, como identificado pela pesquisa, ou ainda imediatos. Em Alagoas, de 2016 até agora, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 877 vítimas de contaminação por agrotóxicos. As intoxicações vão desde o contato acidental até a ingestão provocada. Só nos quatro primeiros meses deste ano foram 86 vítimas e uma morte devido a contaminação por defensivos.

Conforme explica a gerente de vigilância em saúde ambiental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Elisabeth Rocha, os casos de contaminação durante o trabalho no campo são mais comuns do que se imagina. Este ano, foram 20 casos envolvendo diretamente defensivos agrícolas, com uma morte.

“Os defensivos agrícolas ainda são a maior causa de contaminação entre os trabalhadores. Nos últimos três anos, eles vem causando o maior número de vítimas, principalmente relacionados a atividade laboral”, pontua.

Fetag: liberação de novos químicos interfere até nas produções familiares

A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura em Alagoas avalia de forma negativa as mudanças que ocorreram nas produções agrícolas em todo o Brasil. Para a entidade, a liberação de agrotóxico atrapalha de forma direta o que a entidade prega aos agricultores. De acordo com o secretário de Políticas de Agrotóxicos da entidade, Robério Oliveira, anteriormente, era mais comum e prático o uso de defensivos alternativos nas lavouras. Mas hoje o uso é mínimo.

“Com o avanço das condições de produção para as formas de tratamento até a agricultura familiar passou a usar herbicidas e inseticidas em seus cultivos. Digo isso, naqueles cultivos de grande escala. Vale ressaltar que, nas outras culturas mais típicas da agricultura familiar, o uso é menor. Isso principalmente no cultivo do ramo alimentício porque é muito rígido, pois se planta para o consumo e só depois se pensa na comercialização. O que usam não é para produzir – alguns agricultores usam para eliminar alguma erva daninha, não para uma produção comercial”, diz Oliveira.

Mesmo com uso em menor escala, Robério Oliveira afirma que a orientação para os produtores é de utilizar o mínimo possível, ou não utilizar.

O representante da Fetag comenta que o uso de agrotóxicos de forma desordenada vem trazendo um prejuízo ecológico no Sertão alagoano.

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Robério Oliveira, secretário de Políticas de Agrotóxicos da Fetag (Foto: Adailson Calheiros)

“Hoje temos um grande problema dentro da região do Sertão. É que muitas pessoas estão vindo de fora para produzir no Canal do Sertão. E elas estão usando agrotóxicos sem acompanhamento do estado. Lá, as abelhas quando vão fazer sua polarização das flores estão morrendo por conta do uso indiscriminado dos produtos”, denuncia Oliveira.

“Não acompanhamos tão de perto os casos, mas existe um comitê no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), que foi criado em 2016 para fazer este tipo de acompanhamento. No entanto, não houve andamento das atividades. A Fetag tem cadeira nesse comitê que é chamado de Comitê de Combate aos Agrotóxicos de Forma Desordenada. Como a situação preocupa a todos, na semana passada tivemos uma reunião e dia 24 de setembro, teremos outra para ativar esse comitê”, explica o representante da entidade.

A Fetag é crítica em relação à liberação de novos agrotóxicos para o mercado brasileiro e diz que a flexibilização da lei prejudica a todos.

“Casos de intoxicação de trabalhadores são comuns em Alagoas”

Como já noticiado na primeira reportagem da série “Agrotóxicos”, as principais culturas do estado utilizam os produtos químicos. As regiões Agreste, Zona da Mata e Sertão, são as que mais possuem produções agrícolas, em especial de núcleos familiares. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura em Alagoas (Fetag/AL), são entre 100 a 110 mil núcleos de produção familiar no estado – todos dentro dos quatros modos fiscais que rege a lei da agricultura familiar – público organizado e representado pela federação.

A entidade explica que são comuns os casos de trabalhadores que tenham tido intoxicação com o uso contínuo dos inúmeros “venenos” [como os agricultores chamam os agrotóxicos] liberados para comercialização e uso. Vale lembrar, que nessas regiões, centenas de tipos de venenos sistematicamente pulverizados nas plantações circulam livremente pelo ar, sendo carregados para longe pelos ventos. A contaminação vai além dos trabalhadores rurais: atinge a população da área rural e também das pequenas cidades, o que praticamente anula os esforços individuais de produtores que optam pela produção livre de intervenções químicas.

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Apesar da maioria dos alimentos de longa escala conter agrotóxicos, a exposição no campo e nas indústrias é a que mais traz prejuízos ao homem (Foto: Edilson Omena)

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a exposição a agrotóxicos pode provocar diversos tipos de doenças, principalmente nos trabalhadores que aplicam ou produzem os químicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registra anualmente 20 mil mortes por consumo de agrotóxicos no mundo.

Apesar do consumo de alimentos com altos níveis de agrotóxicos e a acumulação desses químicos no organismo serem perigosos, é a exposição no campo e nas indústrias que mais causam prejuízos diretos aos seres humanos.

Mesmo sendo de notificação compulsória, a subnotificação das intoxicações dificulta o acesso a informações completas sobre o assunto. Também segundo a Organização Mundial da Saúde para cada caso registrado há outros 50 que não chegaram ao conhecimento dos órgãos de saúde.

“Atualmente não sabemos a origem do que consumimos e nem bebemos”, diz Fetag

Robério Oliveira, da Fetag, diz que a entidade realiza de forma constante ações educativas para que os produtores da agricultura familiar não utilizem agrotóxicos. Entretanto, é difícil saber com precisão quais tipos de agrotóxicos chegam à nossa mesa diariamente.

“Nosso conselho é para que não usem nenhum tipo de agrotóxicos. Mas sabemos que isso é algo pessoal de cada produtor. Pedimos aqueles que pretendem usar que escolham um agrotóxico de procedência, que façam conforme a bula e, sobretudo, usem todas as ferramentas de segurança. Vale ressaltar também que a escolha, caso façam, seja por um produto menos tóxico. Pregamos a questão pessoal do agricultor que possa se defender por si mesmo. Atualmente a gente não sabe a origem do produto que chega a nossa mesa, ao supermercado e quais agrotóxicos foram usados nele, se não foi, enfim. Aqui em Alagoas, é fato que existe o uso. Mas não dá para precisar em quais e quantas produções’’, ressalta Robério.

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Aldenir Feitosa, pesquisadora e coordenadora do estudo sobre as consequências do uso de agrotóxicos por produtores rurais do Agreste alagoano (Foto: Genival Silva / Ascom Arapiraca)

A pesquisadora Aldenir Feitosa defende a adoção de políticas públicas mais rígidas e uma maior conscientização desde a produção agrícola, principalmente as de larga escala. “É imprescindível que haja políticas públicas eficientes que promovam a educação formal, a educação ambiental, a efetiva orientação e capacitação técnica para o agricultor familiar. O acompanhamento e fiscalização de órgãos ambientais, da agricultura e da saúde em todas as esferas, federal, estadual e municipal, também são fundamentais como forma de prevenir contaminações, garantido a segurança à saúde humana, aos demais seres vivos e ao meio ambiente”, comenta.

Liberação em sete meses é maior que em 10 anos

“Nos últimos sete meses já foram liberados mais agrotóxicos do que nos últimos 10 anos. Para nós que produzimos primeiro pensando na sustentabilidade social da família, na seguridade alimentar e nutricional, a liberação atrapalha diretamente, não só na produção – porque pode parecer que melhorou, mas amanhã a área vai estar degradada não podendo mais ser plantada por conta do uso irracional’’, ressalta Robério Oliveira avaliando que também há prejuízos do ponto de vista de saúde. “Hoje, nos municípios que se tem muito o uso, os postos de saúde têm grandes filas – isso por alguma intoxicação do produto. Falo não só quem produziu, mas também toda a família.”

Para a Fetag, a liberação é para favorecer o capital e as grandes empresas que vão vender de forma desordenada. “Muitos desses produtos a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] nem libera, outros já foram banidas em alguns países. Mas pela flexibilização da lei está sendo vendido no Brasil. No ponto de vista do Mapa brasileiro, chega-se usar a palavra crime. Nem o Ministério da Saúde nem demais órgãos tem acompanhamento desses prejuízos. Não há controle de como vem e como volta. Não sabemos o produto que chega as nossas mesas por conta que muitos vêm de outras regiões’’, destaca Oliveira.

O secretário de Políticas de Agrotóxicos da Fetag acrescenta ainda que a utilização prejudica não só o ser humano, mas o meio ambiente. “Na região da Mata, 80% das águas são de poços. Ou seja, rios, lagoas tudo pode sim estar contaminado, por que os agrotóxicos não contaminam só a lavoura, mas também o solo. Ele é levado tanto pela chuva quanto pelo ar”.

Longe das lavouras, agricultores relatam intoxicações

Atualmente aposentado e com 61 anos de idade, o agricultor Cícero Simão Carnaúba, residente da cidade de Paulo Jacinto, na Zona da Mata Alagoana, acabou virando estatística. Ele está afastado do campo e das lavouras, onde trabalhou por 36 anos, devido a problemas de saúde desenvolvidos pelo uso de agrotóxicos. O agricultor conta que o uso dos produtos químicos o impossibilitou de continuar no ofício.

“Foram muitos anos passando veneno em roças – lavouras e hortaliças e no próprio cercado [campo] para matar as ervas daninhas, e isso acabou me prejudicando. Com o tempo fui percebendo um cansaço extremo e muita falta de apetite. Já não aguentava mais o cheiro do veneno. Então resolvi parar”, relembra Carnaúba.

O aposentado afirma que na época não procurou ajuda médica, mas como já conhecia casos de outros agricultores que também tiveram os mesmo sintomas, já sabia o motivo. “Não fui ao médico na época. Sabia que o motivo era o veneno. Acreditava que parando já seria a solução. Em parte foi, mas hoje tenho os pulmões cansados, prejudicado. Nas vezes que fui ao médico, eles falaram que foi a presença da fumaça dos agrotóxicos”, revela.

O agricultor e também aposentado Manoel Rafael da Silva, 62 anos, apesar de ter adquirido uma intoxicação – atribuída pelo contato com agrotóxico – permanece trabalhando e utilizando o produto.

“Comecei a trabalhar na roça com 17 anos de idade. Depois parti para colocar veneno nos ‘cercados’. E até hoje sempre que aparece um serviço desses faço. Não só eu, como outros agricultores. Uma casa com cinco pessoas não sobrevive com um salário mínimo. Mas hoje trabalho menos com agrotóxicos porque o peso da bomba que fica nas costas deixa a gente com muita dor”, conta lembrando que uma vez se intoxicou.

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Mesmo após intoxicação atribuída à exposição, Manoel Rafael continua trabalhando e usando agrotóxico (Foto: Lucas França)

“Fiquei com manchas avermelhadas no corpo e vomitei assim que comecei a passar o produto. Precisei tomar leite na hora e a partir desse dia sempre que sei que vou ter contato com agrotóxico tomo um copo de leite. Mas, como disse, busco sempre alternativas para evitar trabalhar com isso”, diz o agricultor.

A pesquisadora Aldenir Feitosa explica que o uso de agrotóxicos “sem respeito” à saúde humana e ao meio ambiente produz efeitos classificados em dois níveis: agudo e crônico.

“O quadro de intoxicação aguda, que aparece durante ou logo após o contato da pessoa com o agrotóxico, pode ser dividido em efeitos muscarínicos (brandicardia, miose, espasmos intestinais e brônquicos, estimulação das glândulas salivares e lacrimais); nicotínicos (fibrilações musculares e convulsões); e centrais (sonolência, letargia, fadiga, cefaleia, perda de concentração, confusão mental e problemas cardiovasculares). Além das intoxicações agudas, a exposição ocupacional e ambiental também pode causar a intoxicação crônica, que pode se manifestar de várias formas: problemas ligados à fertilidade, indução de defeitos genéticos, câncer, efeitos sobre os sistemas nervoso, respiratório, cardiovascular, genito-urinário, gastrointestinal, pele, olhos, além de alterações hematológicas e reações alérgicas a estas substâncias”, explica.

Os riscos associados à exposição aos agrotóxicos também preocupam a Fetag. A entidade afirma que até porções pequenas e “menos agressivas” dos defensivos já causam algum tipo de consequência à saúde dos agricultores.

“Mesmo sendo usado em menores quantidades e sendo um menos tóxico, o produto é químico e pode sim trazer prejuízos à saúde. Não acompanhamos de perto, mas sim já tivemos conhecimento de agricultores que adoeceram – não só ele que produziu, mas também agricultores de terrenos vizinhos que foram afetados e acabaram tendo problemas de saúde e, pior, precisaram se afastar de forma definitiva de sua produção”, conta o secretário de Políticas de Agrotóxicos da Fetag, Robério Oliveira.

Oliveira explica que não tem conhecimento do produto que causou a intoxicação desses trabalhadores, mas que já ouviu falar de muitos casos. “Não sabemos a espécie de produtos porque foram adquiridos de forma clandestina. Em Santana de Ipanema, por exemplo, tinha clandestinos que vendiam abertamente, mas hoje já está rígido”, detalha o secretário de Políticas de Agrotóxicos.

Entidades desconhecem quantidade dos produtos nos alimentos que chegam a Alagoas

Com a falta de controle tanto no comércio quanto no uso de defensivos em Alagoas, surge a questão: Os alimentos que chegam à mesa do alagoano oferecem risco? A Tribuna Independente esteve em contato com entidades que regulam e representam o comércio de frutas, verduras, legumes e hortaliças no estado. A informação em comum entre todas elas é que não sabem o quanto, tampouco quais tipos de agrotóxicos estão envolvidos na produção dos alimentos.

De acordo com o presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA), Raimundo Barreto, nem tudo que é comercializado em Alagoas é produzido aqui. A grande maioria dos alimentos vem de fora. E seria por isso, segundo Barreto, que a entidade não possui a informação.

“A produção agrícola aqui do Estado não suporta toda a demanda. Muitos produtos vêm de fora do estado. Não temos um sistema informatizado que detalhe todas as informações desses produtos. Não há como precisar quanto foi utilizado de agrotóxico em cada região ou em cada produto porque eles vêm de lugares diferentes. Temos investido em produtos orgânicos, mas é uma parte”, explicou o presidente da ASA.

Maior distribuidor do estado, o Ceasa afirma que faz o controle sobre a quantidade de agrotóxicos existentes nos produtos comercializados. O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural de Alagoas (Ideral-Ceasa), Helenildo Ribeiro Neto, diz que a Central fiscaliza a procedência do que entra.

“Há um controle de uso de agrotóxicos. Os produtos que a Ceasa comercializa hoje são fiscalizados em sua maioria desde a produção, pois as grandes redes que compram aqui exigem tal controle, bem como fazemos controle dentro de nossas dependências com o apoio de equipes da Adeal [Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas]”.

No entanto, muito dos produtos de Alagoas acabam ficando nos próprios municípios e abastecendo a demanda local. Porém o que é produzido em maior escala acaba chegando na Ceasa.

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Ceasa afirma que faz controle sobre quantidade de agrotóxicos existentes nos produtos comercializados (Foto: Sandro Lima)

“Principalmente no que diz respeito às folhosas, pois temos uma oferta muito grande produzida em Arapiraca e que acaba abastecendo e atendendo a demanda de nossa Central”, conta Helenildo.

Na capital alagoana, as feiras e mercados públicos são administrados pela Secretaria Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes).

“Os agrotóxicos, o controle é feito pela Anvisa e as Secretaria de Agricultura. Nossa secretaria faz o gerenciamento dos mercados e isso não inclui a gente fiscalizar os produtos, uma coisa de competência de outros órgãos. Mas a gente incentiva a venda de produtos orgânicos. Um bom exemplo disso é uma feira no bairro do Jaraguá que vende produtos sem agrotóxicos”, destaca o diretor de abastecimento da Semtabes, Jerson Santos.

A reportagem também tentou contato com as secretarias de agricultura e com as centrais de distribuição de estados vizinhos, que fornecem produtos para Alagoas, para saber se têm conhecimento sobre a produção na região e se há presença do uso de agrotóxicos. Até o fechamento da edição só a secretaria do estado da Bahia deu retorno.

“Fizemos consultas em relação ao questionamento e informo que a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) não possui controle sobre dados de produtos vendidos para outros estados. E se eles são produzidos com a presença de produtos químicos”, diz a assessoria de comunicação.

Em meio à incerteza do quanto está sendo consumido de agrotóxicos, o oncologista José Ademir Bezerra da Silva Neto esclarece que o risco existe e diversos estudos, inclusive nacionais, apontam para a relação entre acúmulo de agrotóxicos no organismo e alguns tipos de câncer.

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Médico oncologista José Ademir Bezerra Neto destaca que há relação entre a exposição prolongada aos agrotóxicos e o câncer (Foto: Arquivo pessoal)

“De forma básica, o câncer é uma doença que tem sua origem em uma alteração genética que transforma a célula de forma a se proliferar continuamente, sem respeitar os comandos do organismo que controlam esse processo normal de morte e crescimento celular. Sabemos que a exposição prolongada aos agrotóxicos é capaz de provocar alterações genéticas, sendo relacionado inclusive a malformações congênitas. Então, sim, fica claro haver essa relação entre agrotóxicos e câncer”, destaca o médico.

Ademir ressalta que estudos mostram que regiões com alto uso de agrotóxicos apresentam incidência de câncer mais alta que a média nacional e mundial. “Inclusive, alguns são classificados como ‘prováveis cancerígenos’ pela Agência Internacional de Pesquisas em Câncer da OMS, sendo proibidos em vários países.”

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel e Lucas França

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