Política
Bancários temem venda de bancos públicos
Sindicato inicia campanha “O que está em Jogo” contra privatização da Caixa, BB e BNB pelo candidato Flávio Bolsonaro
O Sindicato dos Bancários de Alagoas (Sindbancários) deu início, esta semana, a uma campanha de conscientização sobre a importância dos bancos públicos, das conquistas sociais, da manutenção dos direitos trabalhistas, do fim da jornada 6x1 e em defesa da soberania nacional. Por isso, o painel na fachada do Sindicato, no Centro de Maceió, foi atualizado na tarde de ontem.
De acordo com as informações do painel, o Sindbancários defende a manutenção dos bancos públicos, entre eles a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil (BB) e o Banco do Nordeste (BNB). A categoria teme que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), caso ganhe a disputa com o presidente Lula (PT), privatize essas instituições ou promova parcerias prejudiciais com bancos privados, a exemplo do esquema entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, que faliu depois que o banqueiro Daniel Vorcaro aplicou um golpe estimado em R$ 50 bilhões no mercado financeiro.
Segundo o presidente do Sindbancários de Alagoas, Tiago Miranda, “essa é uma posição da categoria, das propostas que defendemos, tendo em vista que o Sindicato não pode estar alheio a esse momento político. Portanto, é isso que a gente defende enquanto proposta de governo”.
Questionado se há risco real de privatização dos bancos públicos, caso Flávio Bolsonaro ganhe as eleições deste ano, Tiago Miranda disse que sim. “Há esse risco, sim, mas não é de hoje”, afirmou. “Essa agenda de privatização das estatais vem desde o governo do pai dele [Jair Bolsonaro], quando governou o Brasil, de 2019 até 2022”, destacou o presidente do Sindicato dos Bancários.
“Inclusive, o secretário de desestatização e desenvolvimento do governo que ele [Bolsonaro] nomeou, Salim Mattar, informou que o Banco do Nordeste estava na lista das privatizações. Depois, ele [o ex-presidente] adotou uma política de desmonte dos bancos públicos por dentro, porque não encontrou apoio para privatizar a Caixa e o Banco do Brasil que, queira ou não, são instituições muito caras para os brasileiros. Então, começou a privatizar por dentro, vendendo a seguridade da Caixa, as Loterias, assim como fez com a privatização da BR Distribuidora, que pertencia à Petrobras; no Banco do Brasil, houve uma carteira de crédito de R$ 3 bilhões, que eles [do governo Bolsonaro] venderam por R$ 300 milhões”, relatou Tiago Miranda.
O presidente do Sindicato disse ainda que, no próprio programa de governo do presidenciável Flávio Bolsonaro, está consignada essa política de privatização. “Além disso, já foi externada por ele mesmo a intenção de privatizar 95% das estatais. Enfim, é por isso que estamos alertando a sociedade para esse risco da privatização das estatais, incluindo os bancos públicos”, acrescentou o presidente do Sindbancários.
BANDEIRAS
Tiago Miranda fez questão de destacar que essa campanha não é só de Alagoas, é uma campanha nacional dos bancários de todo o País. Ao todo, são seis bandeiras que a categoria defende e que fazem parte da campanha cujo slogan é “O que está em jogo”. A estratégia é atingir não só os trabalhadores de instituições financeiras, mas o eleitorado como um todo.
Por isso, além do alerta das privatizações, os bancários alertam a sociedade quanto à precarização dos serviços públicos, a partir da desvalorização salarial; quanto à soberania nacional, para preservação das terras raras e do patrimônio nacional; quanto aos direitos trabalhistas, “nenhum direito a menos”; quanto à importância do trabalho digno e em defesa do fim da escala 6x1; e em defesa das políticas públicas conquistadas pelos trabalhadores e para proteger os mais necessitados.

Campanha salarial é nacional e unificada da categoria
Apesar do propósito eleitoral, essas bandeiras dos bancários fazem parte de uma mobilização maior que começou com a campanha salarial de 2026/2027, referente à data-base da categoria, debatida em 1º de setembro de 2026 e aprovada no 52º Encontro Nacional. Portanto, o slogan “Saiba o que está em jogo” vem na esteira da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 e é usado pelos sindicatos para explicar a negociação com os banqueiros, que diz respeito diretamente a mais de 416 mil bancários no país.
“LUTAREMOS POR NOSSOS DIREITOS!”
A luta do Sindicato é pela manutenção das conquistas sociais e pelo avanço na questão das condições de trabalho. Por isso, a maioria dos dirigentes defende o apoio à reeleição do presidente Lula (PT). A categoria está mobilizada desde a greve dos funcionários da Caixa. O material de divulgação já começou a ser espalhado nas agências de Maceió e de Arapiraca, podendo chegar a outros municípios.
“Estamos nas ruas, nas portas das agências bancárias, conscientizando as pessoas do risco que é votar em um candidato patronal e que pretende vender as nossas estatais”, concluiu Tiago Miranda.
Para o Sindicato dos Bancários de Alagoas, além da privatização das estatais e da dilapidação do patrimônio público, está em pauta a manutenção dos empregos e dos direitos trabalhistas, bem como o fim da jornada 6x1, que se encontra em tramitação no Senado. Por isso, para a categoria bancária, o resultado da disputa eleitoral tem consequências diretas. Veja a seguir como a categoria analisa o quadro eleitoral deste ano:
As eleições de 2026 colocam em disputa projetos distintos para o Brasil. Para as bancárias e os bancários, essa escolha vai muito além da política: envolve o futuro dos bancos públicos, a preservação dos empregos, os direitos trabalhistas e a força da organização sindical.
As propostas de retomada das privatizações defendidas por setores políticos ligados a Flávio Bolsonaro exigem atenção. É preciso analisar não apenas os discursos, mas as consequências concretas de cada projeto para quem trabalha e para a população.
Privatizar não é apenas mudar o dono de uma instituição. É colocar em disputa sua finalidade, suas prioridades e seu compromisso com a sociedade.
BANCO PÚBLICO NÃO É MERCADORIA!
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e os demais bancos públicos são instituições estratégicas para o desenvolvimento nacional. Financiam moradia, agricultura, empresas e políticas públicas, além de contribuir para a geração de empregos e a redução das desigualdades.
A resistência às privatizações também está presente na opinião pública: a maioria da população brasileira é contrária à privatização de bancos públicos, reconhecendo a importância dessas instituições para o país.
Entregar esse patrimônio à iniciativa privada significa ampliar o poder dos interesses de mercado sobre instituições que também cumprem uma função social essencial.
Para a categoria bancária, os riscos são concretos: processos de privatização e reestruturação podem resultar em redução de postos de trabalho, fechamento de agências, mudanças nas condições de contratação e maior pressão por resultados.
Defender os bancos públicos é defender empregos, direitos, atendimento à população e desenvolvimento regional. (R.R.)
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