Política

Deputados com indicação em cargos federais apoiam Bolsonaro

Arthur Lira e Marx Beltrão começam a perder comando de órgãos federais após atuarem como oposição a Lula nas eleições

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 14/10/2026 09h31
Deputados com indicação em cargos federais apoiam Bolsonaro
Arthur Lira e Marx Beltrão indicaram cargos federais no governo Lula e mesmo assim formalizaram aliança com Flávio Bolsonaro - Foto: Edilson Omena e Sandro Lima

Em Alagoas, muitos órgãos do Governo Federal estão sob o comando de deputados federais que declararam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, e, consequentemente, estão fazendo campanha contra a reeleição do presidente Lula (PT). Vista como deslealdade, a postura tem sido alvo de questionamentos internos, e neste segundo turno das eleições começou ter respostas.
Na última sexta-feira (9), dois indicados já foram exonerados. Jully Beltrão, irmã do deputado federal Marx Beltrão (UB), que estava à frente da Superintendência do Patrimônio da União em Alagoas (SPU/AL), e Juliano Oliveira, coordenador Estadual em Alagoas do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), ligado ao deputado federal Arthur Lira (PP).

Não foi uma limpa geral, ainda. Na prática, ainda há muito espaço ocupado nos órgãos de governo, principalmente por Arthur Lira, que acaba de ser eleito para o Senado. O deputado federal Paulão (PT), critica a postura e afirma que vem alertando a direção do partido e o Governo Federal sobre isso.

“Eu já fiz essa reclamação, o Diretório Nacional do PT sobre isso, a decisão pertence ao governo. Isso é uma responsabilidade da Secretaria de Relações Institucionais que tem como ministro o José Guimarães, que é o elo entre o parlamento e o Executivo. O Arthur tem a indicação do Porto de Maceió, tem a indicação da Codevasf, tem indicação da CBTU, tem indicação da delegacia do Ministério da Saúde, da Caixa Econômica Federal, então ele que tem mais representação de cargos aqui em Alagoas é ele. O Marx era representante se eu não me engano, da Agência Nacional de Mineração, não sei se ainda continua ainda e com certeza da SPU”, listou Paulão.

A expectativa de Paulão, é que o Governo não premie oposição. “Isso para mim não é novidade, já fiz reclamação ao governo várias vezes reiterei essa situação recentemente e agora só depende do governo, do presidente Lula e do ministro Guimarães para fazer essas mudanças essa é a minha posição”.

Destacando que outros estados passam pelo mesmo problema, Paulão cita exemplos. “Essa reclamação não é um problema só de Alagoas, no Espírito Santo tem reclamação, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Sergipe aqui ao lado, vários estados. Eu particularmente fiz o meu papel. Como dirigente nacional eu mandei essa posição que não é nova aqui em Alagoas.

Segundo o petista, já faz pelo menos um ano que ele reporta a situação ao Governo. O espaço aberto no Governo Federal foi negociado para ajudar na aprovação das pautas governistas, como foi o caso da isenção do Imposto de Renda para quem ganha abaixo de R$ 5 mil, mas que o apoio não foi integral.

“Teve várias pautas, algumas aprovadas, outras não. O governo tem vários partidos e estão na base aliada MDB, PP, PSD que não respeitam a decisão. Isso não é novidade. A gente tem infelizmente infidelidade em todos esses partidos. MDB também, não é diferente. Você tem gente do MDB que vota contra a gente, tem do PP que vota contra a gente, União Brasil, PSD, lamentável essa situação. Isso é uma decisão de governo. Isso é falta de coerência. Quem é governo é governo. Como é que eu estou sendo oposição e continuo tendo espaço no Governo Federal? Isso é falta de coerência”, critica Paulão.

Na avaliação dele, o correto seria renunciar aos espaços dentro do governo voluntariamente. “Se tivesse coerência”.