Política

PT quer manter mobilização ativa em Alagoas

Teca Nelma e Ronaldo Medeiros reconhecem desafios na capital e defendem diálogo com eleitores para reeleger presidente Lula

Por Thayanne Magalhães - repórter / Tribuna Independente 14/10/2026 09h25 - Atualizado em 14/10/2026 10h30
PT quer manter mobilização ativa em Alagoas
Estudantes e trabalhadores lotaram a orla de Maceió no último domingo para reiterar o apoio à reeleição de Lula à presidência - Foto: Tribuna Hoje

A mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, realizada no último domingo (11), na orla de Maceió, reforçou a aposta de lideranças petistas no engajamento popular para ampliar a votação do candidato à reeleição no segundo turno. A vereadora de Maceió e deputada estadual eleita Teca Nelma (PT) e o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT), que preside a legenda em Alagoas, avaliam que a disputa exige ampliar o diálogo com a população e alertar para o que consideram ameaças aos direitos sociais caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição.

Em Maceió, onde o bolsonarismo tem histórico de desempenho eleitoral expressivo, o desafio é transformar a mobilização política em votos. Teca reconhece que a esquerda perdeu, durante algum tempo, a capacidade de se comunicar com a população, mas avalia que esse cenário começou a mudar. Para ela, a estratégia agora deve combinar o respeito à vontade popular por mudanças com a apresentação dos riscos que atribui à volta do bolsonarismo ao poder.

“Em Maceió, não é a primeira vez que o bolsonarismo tem a maioria dos votos. As razões são muitas, uma delas é que o vice do Flávio é daqui. A outra é que a esquerda tinha, há algum tempo, perdido a capacidade de se comunicar com a população, mas isso mudou”, afirmou.

A petista também destacou o desempenho do partido nas eleições proporcionais. “Nesta eleição, fizemos a maior bancada da história do PT para a Assembleia Legislativa”, disse. Segundo ela, as forças do partido estão concentradas na disputa presidencial. “Precisamos respeitar a vontade popular que clama por mudança, nos comprometer com essa agenda e demonstrar, todos os dias, o risco que o bolsonarismo representa à nossa sociedade.”

DISCURSO CENTRAL

Ronaldo Medeiros também aposta no crescimento da mobilização popular para reverter o resultado eleitoral. O deputado afirma que atos e encontros realizados por diferentes categorias profissionais, estudantes e sindicatos demonstram um envolvimento maior de setores da sociedade na campanha.

“Estou vendo que agora não houve uma acomodação no primeiro turno. As pessoas achavam que estava tudo já certo, que a gente iria ganhar e houve uma acomodação. Mas agora estou muito confiante. Tenho convicção de que a gente já virou. E vamos colocar uma margem boa de votos na frente”, declarou.

O parlamentar concentra seus argumentos nas possíveis consequências de um governo de Flávio Bolsonaro para as universidades públicas, os programas sociais, as aposentadorias e os direitos trabalhistas. Na avaliação dele, uma eventual redução de recursos para o ensino superior poderia comprometer o funcionamento das instituições sem a necessidade de medidas formais de fechamento.

“Se ele ganhasse uma eleição dessa, a primeira coisa que ele vai fazer é reduzir o orçamento. Não precisa fechar a universidade, nem por decreto, nem por lei. É só não mandar dinheiro para manutenção, pagamento de água, energia, de ar-condicionado, limpeza e por aí vai”, afirmou.

Medeiros também manifestou preocupação com possíveis mudanças nas regras de reajuste do salário-mínimo, nos benefícios previdenciários e nos direitos trabalhistas. Segundo o deputado, a redução do poder de compra da população teria consequências para a economia, inclusive para as empresas que dependem do consumo interno.

O parlamentar, porém, avalia que a mobilização nas ruas pode alterar o cenário eleitoral. Ele citou a realização de atos em municípios do interior alagoano, incluindo Arapiraca e Palmeira dos Índios, além de atividades no sertão e no litoral.

MOBILIZAÇÃO

As declarações dos dois petistas apontam para uma estratégia que busca associar a defesa da reeleição de Lula à preservação de políticas sociais e direitos trabalhistas. Ao mesmo tempo, o reconhecimento de dificuldades de comunicação em Maceió evidencia o desafio de alcançar eleitores que não se identificam com o discurso tradicional da esquerda.

Teca afirmou estar convicta de que Lula será reeleito. Medeiros também demonstrou confiança na vitória e disse acreditar que o presidente terminará o segundo turno com uma margem expressiva de votos.

A capacidade de converter a mobilização em apoio eleitoral, especialmente em Maceió, permanece como uma das questões centrais para a campanha petista em Alagoas.