Política
TRE vai em busca de melhorias para evitar demora na votação
No último domingo, dia 4, eleitorado alagoano sofreu com longas filas, demora para votar e houve registros de desistências
O primeiro turno das eleições, no último domingo (4), foi marcado por uma série de reclamações dos eleitores que buscaram cumprir a sua obrigação com a Justiça Eleitoral e precisaram enfrentar horas em filas intermináveis e condições desconfortáveis como calor excessivo nas zonas eleitorais. Enquanto havia locais em que se chegava, votava e saía, outros tiveram filas dando volta no quarteirão, levando até a atraso no encerramento, para garantir que todos que compareceram pudessem votar. Há relatos de eleitores que desistiram de votar ao se depararem com as filas.
Durante a cobertura das eleições no último domingo, as reportagens da Tribuna Independente e do portal Tribuna Hoje flagraram diversas seções eleitorais com filas gigantes e demora para que os eleitores conseguissem votar.
Em contato com a reportagem da Tribuna, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), desembargador Alcides Gusmão, avaliou que o pleito seguiu normalmente. O magistrado também reconheceu o esforço do eleitorado e se comprometeu a buscar melhorias na votação do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“O Tribunal está avaliando os dados do primeiro turno e as situações registradas nos locais de votação para aperfeiçoar os procedimentos para o dia 25 de outubro. Há, porém, uma diferença muito importante: em Alagoas, no segundo turno, haverá apenas a votação para presidente da República. No primeiro turno, cada eleitor precisava fazer seis escolhas; agora será apenas uma. Isso reduz significativamente o tempo necessário diante da urna e tende a tornar o fluxo de votação muito mais rápido. Mesmo assim, o TRE/AL continuará trabalhando com toda a estrutura necessária para receber o eleitorado, mantendo equipes de suporte, urnas de contingência e acompanhamento dos locais de votação”, garantiu o presidente do TRE de Alagoas.
DESISTÊNCIAS E ABSTENÇÕES
O desembargador refutou, ainda, a tese de que as condições do local tenham ampliado as ausências. “Sobre uma possível relação entre as filas e a abstenção, é preciso ter cautela. Não temos, neste momento, elementos que permitam afirmar que uma coisa tenha causado a outra. A abstenção é um fenômeno que possui diferentes fatores e que já apresenta índices relevantes em eleições anteriores. Para efeito de comparação, no primeiro turno das Eleições Gerais de 2022, a abstenção nacional foi de 20,95% e, em Alagoas, representou 22,39% do total de eleitores do Estado. Em 2018 o percentual atingiu 22,60%. Ou seja: este ano a abstenção foi menor que em eleições gerais anteriores, ficando em 20,6%”.
De acordo com dados da própria Justiça Eleitoral, neste primeiro turno, Alagoas contou com 20,63% de abstenções. Um índice alto, considerando que se trata de um exercício obrigatório, mas que não chega a ser novidade. Em 2022, o primeiro turno contou com uma abstenção de 22,37% do eleitorado apto em Alagoas. O número chegou a subir no segundo turno para 23,23%.
Se colocando no lugar do eleitor, o presidente do TRE reconheceu o esforço, mas garantiu que teria enfrentado o que fosse preciso para votar.
“Nós compreendemos perfeitamente o desconforto enfrentado por quem precisou permanecer por um período prolongado em uma fila, especialmente em razão do calor. O eleitor é a razão de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral, e qualquer situação que torne o exercício do voto mais cansativo do que deveria ser merece nossa atenção. Eu aguardaria o tempo necessário para exercer o meu voto, assim como milhares de alagoanas e alagoanos fizeram no domingo, mas isso não significa que devamos considerar natural ou desejável uma espera prolongada. Nosso trabalho é justamente buscar formas de tornar a experiência do eleitor cada vez mais organizada, segura e ágil. É importante destacar também que todas as pessoas que estavam nas filas às 17h tiveram o direito de votar assegurado. A votação continuou pelo tempo necessário para que ninguém que tivesse chegado dentro do horário fosse impedido de exercer esse direito”, reforçou Alcides Gusmão.
SEM GRANDES INCIDENTES
Para o presidente do TRE/AL não houve grandes incidentes no pleito. “O primeiro turno envolveu uma votação naturalmente mais demorada, porque cada eleitora e eleitor precisava fazer seis escolhas na urna. Isso aumenta significativamente o tempo individual de votação e, consequentemente, pode gerar filas em determinados locais e horários. Não tivemos registro de problema generalizado com as urnas que pudesse justificar essas filas”.
Até mesmo os problemas da tecnologia, segundo Alcides Gusmão, foram poucos e rapidamente solucionados. “Das milhares de urnas utilizadas em Alagoas, apenas 24 precisaram ser substituídas durante todo o dia, e as substituições ocorreram dentro do planejamento de contingência preparado pela Justiça Eleitoral”.
O comportamento do eleitor, por sua vez, acabou contribuindo com a demora. “Também observamos que parte do eleitorado chegou à urna sem os números das candidaturas anotados. Durante toda a preparação para a eleição, o TRE/AL fez uma campanha muito intensa para incentivar o uso da colinha de papel justamente porque sabíamos que seriam seis escolhas. Distribuímos colinhas, realizamos treinamentos com urnas eletrônicas e divulgamos reiteradamente a ordem de votação. Quando a pessoa chega à cabine sem os números organizados, naturalmente pode precisar de mais tempo para concluir seus votos”.
O costume de utilizar o celular para tudo pode ter contribuído. “É importante lembrar ainda que o celular não pode ser utilizado na cabine para pesquisas de última hora. Portanto, não identificamos uma falha generalizada de planejamento. A estrutura prevista funcionou, as urnas operaram dentro da normalidade e o plano de contingência respondeu às ocorrências registradas. Evidentemente, as filas verificadas em alguns locais precisam ser avaliadas, e é isso que o Tribunal está fazendo para identificar oportunidades de melhoria”, avaliou.
MP CONSTATOU PROBLEMAS
A situação das seções eleitorais em Alagoas com longas filas e demora na votação também foi constatada pelo Ministério Público Eleitoral, que informou que o término da votação atrasou por conta desses problemas.
“Em alguns locais de votação, as filas se estenderam para além do horário previsto para o encerramento do pleito. Como os eleitores que já estavam nas filas tiveram assegurado o direito de votar, algumas seções permaneceram em funcionamento durante a noite. A conclusão mais tardia da votação nesses locais também repercutiu no horário da totalização dos votos no estado”, confirmou o MP Eleitoral.
As adversidades foram vistas como pontuais pelo órgão. “Tivemos ocorrências ao longo do dia, que receberam a atuação dos promotores eleitorais e das forças de segurança, mas, de modo geral, as eleições transcorreram dentro da normalidade em Alagoas. Em alguns locais, as filas prolongaram a votação e, consequentemente, a totalização dos votos, mas foi assegurado a todos que já estavam nas filas o exercício do direito ao voto”, afirmou o procurador regional eleitoral, Marcial Duarte Coêlho.
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