Política

Lactante relata constrangimento ao pedir prioridade para votar em Maceió

Jornalista e criadora de conteúdo Marcela Sampaio afirma que foi informada de que precisaria estar com a filha de quatro meses no colo; TRE-AL confirmou que lactantes têm direito à preferência

Por Thayanne Magalhães 04/10/2026 16h50 - Atualizado em 04/10/2026 17h38
Lactante relata constrangimento ao pedir prioridade para votar em Maceió
Marcela Sampaio é lactante e foi impedida de entrar na fila de prioridade sem sua bebê presente - Foto: Acervo pessoal

O relato da  jornalista e criadora de conteúdo Marcela Sampaio chamou a atenção para uma situação que pode afetar outras mães no segundo turno das Eleições 2026. Mãe de uma bebê de quatro meses e lactante, ela afirma que foi constrangida ao tentar exercer o direito de prioridade na fila de votação neste domingo (4), em uma seção eleitoral localizada no Cepa, no bairro do Farol, em Maceió. Segundo Marcela, funcionários do local informaram que ela só poderia utilizar a preferência caso estivesse acompanhada da filha.

De acordo com o relato, Marcela chegou ao local de votação pela manhã e se dirigiu à fila destinada às pessoas com prioridade. Ao informar que era lactante, foi questionada por uma mesária ou auxiliar se estava acompanhada da bebê. A jornalista explicou que a filha estava dormindo dentro do carro e afirmou que, por ser lactante, tinha direito à prioridade mesmo sem a presença da criança. Segundo ela, a funcionária deixou o local para consultar uma pessoa responsável pela organização da votação.

“Ela informou que a orientação era de que o bebê tinha que estar no colo, mas entrou para conversar com alguém de maior autoridade no momento. O rapaz veio até mim, repetiu o que ela disse e informou que iria checar com a coordenação”, relatou Marcela. Ainda segundo a jornalista, depois de uma nova consulta, a resposta permaneceu a mesma: “A orientação que recebemos é que o bebê precisa estar no colo”.

Diante da situação, Marcela conta que precisou retornar ao carro para buscar a filha. O episódio, segundo ela, provocou uma reação emocional intensa. “Eu fui pegar a minha bebê revoltada. Fiquei tão chateada, constrangida, humilhada, até, que passei mal”, afirmou. A jornalista disse ainda que tinha consigo documentos relacionados à filha e que estava preparada para comprovar a situação, caso fosse necessário. “Eu tinha todos os prints da legislação, tinha a certidão de nascimento dela, cujo uso é previsto para comprovação, mas eles sequer pediram ou deram outra alternativa”, contou.

O que diz a Justiça Eleitoral


A legislação eleitoral estabelece expressamente a preferência de lactantes na fila de votação. A Resolução TSE nº 23.759/2026 inclui lactantes entre os grupos que têm preferência para votar e determina que, entre as pessoas prioritárias, seja observada a ordem de chegada, ressalvada a prioridade absoluta de eleitores com mais de 80 anos. A mesma resolução também lista separadamente “lactantes” e “pessoas com crianças de colo”.

A orientação oficial divulgada pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral para as Eleições 2026 também relaciona lactantes entre as pessoas com preferência para votar. O TSE informa ainda que a Justiça Eleitoral possui mecanismos de atendimento prioritário especificamente para lactantes e pessoas com crianças de colo.

Procurado para esclarecer a situação, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas confirmou que a interpretação apresentada por Marcela sobre o direito à prioridade da lactante está correta. A questão que permanece em apuração é a orientação dada especificamente no local de votação: quem presidia a mesa e coordenava os trabalhos teria interpretado que a bebê precisava estar presente e no colo da mãe para que a prioridade fosse reconhecida.

Relato ganhou repercussão entre mães


Após publicar o relato, Marcela afirma que recebeu mensagens de outras mães que disseram ter passado por situações semelhantes durante a votação. “Várias mães relataram o mesmo constrangimento”, afirmou. Para ela, o episódio deve servir como alerta antes do segundo turno, previsto para 25 de outubro nas localidades em que houver necessidade de nova votação.

A jornalista também informou que pretende buscar os meios legais para registrar a ocorrência. A principal preocupação, segundo ela, é evitar que outras mulheres lactantes tenham de passar pelo mesmo constrangimento para exercer um direito assegurado pelas regras eleitorais.

O caso também levanta questionamentos sobre a orientação recebida pelos integrantes das mesas receptoras de votos. O TSE informa que o presidente da mesa é a autoridade responsável por resolver dúvidas e dificuldades que surgirem durante os trabalhos da seção eleitoral.

Com a confirmação do TRE-AL de que a condição de lactante, por si só, assegura a preferência prevista na legislação, a expectativa é de que a orientação seja reforçada para o segundo turno, evitando interpretações diferentes entre os locais de votação e novos constrangimentos para eleitoras que estejam amamentando.