Política

JHC tenta acobertar crise na campanha com pesquisa de instituto condenado por fraudes

Pesquisa anterior do Instituto Ranking teve divulgação proibida pela Justiça Eleitoral

Por Redação 10/09/2026 16h13
JHC tenta acobertar crise na campanha com pesquisa de instituto condenado por fraudes
Instituto - Foto: Divulgação

O candidato ao governo pelo PSDB, João Henrique Caldas, voltou a se apoiar em uma pesquisa realizada por um instituto condenado por fraude em outros estados para camuflar a crise vivida em sua campanha. Até mesmo a última pesquisa do Instituto Ranking em Alagoas, em agosto, teve a divulgação proibida devido à omissão de dados que interferiam diretamente no resultado do levantamento.


A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) apontou que o Instituto Ranking deixou de apresentar exatamente os locais onde a pesquisa foi realizada, omitindo municípios, bairros e detalhes das localidades onde os eleitores foram entrevistados. A ocultação desses dados impede a verificação dos pontos pesquisados, que podem ser direcionados para beneficiar um dos candidatos.
No levantamento divulgado por JHC nesta quarta-feira (9), o Instituto Ranking chega a desafiar a realidade depois do fracasso das atividades do candidato no interior do estado no último final de semana.
Na amostragem, o candidato do PSDB aparece com uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado. No mundo real, as “caravanas” de JHC no Sertão e até na Região Metropolitana, onde era esperado um desempenho melhor, mostram apenas a equipe de campanha do tucano e os funcionários contratados para levar bandeiras.

*Condenações*

O Instituto Ranking contratado por JHC coleciona uma série de processos e condenações em estados como Rio Grande do Norte, Maranhão e no Mato Grosso do Sul, onde a empresa é sediada, por fraudes em pesquisas eleitorais. As ações apontam a distorção grosseira da realidade e a repetição de dados idênticos em pesquisas feitas em períodos distintos.
Em 2024, a Justiça Eleitoral vetou a divulgação de dois levantamentos do instituto feitos no município de Jandaíra (RN) diante das evidências de erros nas informações registradas. Ao barrar a publicação, o juiz Rainel Batista Pereira escreveu que o volume de falhas “levanta grave suspeita de manipulação ou erro sistemático no processo de coleta e tabulação dos dados”.
Na eleição de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do MS impediu a divulgação de pesquisas do Instituto Ranking para os cargos de governador, deputado estadual, deputado federal e senador. Segundo a ação, não houve informações sobre o número exato de municípios visitados e nem sobre os bairros e regiões das cidades informadas. Dados como gênero, escolaridade e renda também foram ignorados pelo instituto.
Em outro caso de 2024, o Ministério Público Eleitoral do MS pediu a condenação do instituto por causa de fraudes generalizadas nas pesquisas. Além da falsificação de dados, a empresa é acusada de ocultar a origem dos recursos que financiam o trabalho. Com isso, não se sabe quem pagou pelas pesquisas - o que é vedado pela Justiça Eleitoral.