Política

16 de fevereiro de 2019 09:32

Carnaval ajuda a “diminuir” a crise

Prefeituras investem para que a folia de Momo garanta retorno financeiro às gestões em meio ao cenário de baixa nas finanças

↑ Prefeito Cacau, de Marechal Deodoro, viabilizou em Brasília recurso de R$ 500 mil para investir no Carnaval (Foto: Assessoria)

A crise financeira é queixa frequente de diversas prefeituras alagoanas. No final do ano passado, algumas delas chegaram a promover demissões em massa de servidores comissionados para enxugar as folhas de pagamento e equilibrar as contas. Mas, pelo visto, o jogo virou e o cenário de muitos municípios é de reorganização das finanças graças à aproximação do Carnaval, que este ano acontece em março, do dia 2 ao dia 5.

Municípios com tradição em realizar o evento, a exemplo de Marechal Deodoro, São José da Laje, Murici, Maragogi, Paripueira, Boca da Mata, Coruripe e Jequiá da Praia confirmaram que a festa está mantida. Como principal justificativa para o investimento é que o Carnaval movimenta a economia, gerando emprego e renda durante quatro dias. O setor do comércio também sai fortalecido.

Pensando em economizar e não comprometer suas finanças, alguns municípios investem nas prévias carnavalescas. São os casos de Penedo e Arapiraca. A animação em Penedo fica por conta de desfiles de blocos de rua. Já na maior cidade do Agreste, o Pinto da Madrugada estará presente no evento “Folia de Rua”.

Em Marechal Deodoro, por exemplo, a assessoria de comunicação informou que o Carnaval é muito mais que uma festividade, é uma época de reafirmação cultural, geração de emprego, renda e economia.

“Marechal Deodoro, conhecida como a “Terra dos Músicos”, gera renda para cerca de 700 músicos deodorenses que se dividem em diversas Orquestras de Frevo durante o carnaval, além de movimentar o comercio local, potencializar o turismo e a cultura”.

A assessoria explica ainda que o investimento para o Carnaval de 2019 é proveniente do Ministério da Cultura, pleiteada pelo prefeito Cláudio Filho, o Cacau (PSD), em Brasília. “O recurso, que é de R$ 500 mil, é específico para ser gasto apenas para o a festividade carnavalesca”.

Na Barra de São Miguel, o Carnaval também está garantido. A confirmação veio da secretária de Turismo do Município, Cláudia Pessoa, que em entrevista à Tribuna Independente, disse que a prefeitura está caminhando para manter a tradição de festejos na cidade.

“Sem dúvida, para uma cidade como a nossa, é mais do que argumento. O prefeito Zezeco tem feito um grande esforço, ano a ano, para a realização do evento e este ano tem a participação de pessoas da própria comunidade”.

Tradição em Jequiá da Praia assegura retorno de turistas

Em Jequiá da Praia, a prefeita Jeannyne Beltrão (PRB), destaca que o município é reconhecido na região como melhor evento carnavalesco do Litoral Sul e que nessa época a cidade triplica sua população. “Casas são alugadas, pousadas ficam lotadas, bares e restaurantes, geram empregos diretos e indiretos, na folia de momo. Ao longo do ano realizamos planejamento para que o evento aconteça sem prejudicar os demais compromissos da administração pública. Nossa cidade ganha e os turistas retornam em outra oportunidade”.

Jeannyne Beltrão diz que o município se planeja para a folia de Momo l Foto: Sandro Lima

Além da Barra de São Miguel e Jequiá da Praia, outro município do Litoral Sul que tem tradição no carnaval é Coruripe. Segundo a assessoria de comunicação, a cidade praiana recebe centenas de foliões de outras localidades que vêm em busca de diversão e lazer, movimentando a economia e fortalece o comércio local.

No Litoral Norte, a cidade da Barra do Santo Antônio que em 2017 e 2018 não realizou os festejos carnavalescos por falta de verbas, irá realizar este ano. De acordo com a prefeita Emanuella Moura (PSDB), o carnaval movimenta a economia local.

Em Paripueira, a assessoria de comunicação informou que o Carnaval é um evento tradicional no calendário festivo do estado e um período de mais renda e emprego para a população da cidade. A prefeitura destaca ainda que a realização dessa festa pelo município não provoca nenhuma perda para o povo e nenhuma ação a menos nas políticas públicas.

Economista defende estímulo para realização de eventos carnavalescos

Na região da Zona da Mata, o Carnaval de três municípios chama a atenção dos foliões. Em Boca da Mata, a festa carnavalesca vem se destacando nos últimos anos, chegando a ganhar o nome de ‘Salvador de Alagoas’, por ter o típico ‘arrastão’ com o trio elétrico pelas ruas da cidade.

O prefeito Valter Acioli (MDB), explica que apesar da crise financeira, a realização do carnaval em Boca da Mata é importante, pois movimenta a economia do comércio, que acabou sendo atingido com o não funcionamento da Usina Triunfo. Ele explica ainda, que a gestão deixou de realizar festejos juninos e emancipação política para poder manter a tradição carnavalesca.

A festa carnavalesca em Murici tem como principal atração o bloco Tudo Azul que é realizado na terça. Em 2019 a tradição irá permanecer e quem garante é a assessoria de comunicação do município.

“Até porque o Carnaval aqui é um dos maiores e um dos melhores da região da Mata, de fato movimenta muito a economia local, pois vem muita gente de fora do município”, informou a gestão municipal.

O município de São José da Laje, administrado pelo prefeito Bruno Rodrigo (MDB) também garantiu a realização do Carnaval. A tradição na cidade é bloco de rua Bacalhau na Vara, realizado na quarta de cinzas.

BENEFÍCIOS

A Tribuna Independente consultou o economista Cid Olival para saber se a realização do Carnaval gera benefícios econômicos para essas cidades, mesmo com a crise financeira em alta. Ele analisa que sobre a festa deve se considerar dois elementos inter-relacionados: o cultural e o econômico.

“Enquanto manifestação cultural popular, o Carnaval precisa ser estimulado e valorizado pelo poder público. Mesmo em pequenos municípios, parte da população dedica-se à festividade, organizando blocos de rua, folguedos e bailes. É uma forma de manter viva esta que é uma das manifestações artísticas mais ricas do nosso país”.

O economista ressalta que com a valorização da cultura, ocorre o estímulo à atividade econômica. Segundo Cid Olival, durante a comemoração da festa, diversos segmentos, como o comércio varejista (roupas, alimentos, bebidas, etc.), o setor de transportes, hospedagem, marketing e divulgação, além de artesãos, customizadores de roupas, ambulantes e artistas, dentre outros, expandem suas atividades, resultando na geração de renda para os municípios.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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