Polícia

Jovem levada à força de casa é encontrada morta uma semana depois no Benedito Bentes

Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, estava desaparecida havia uma semana após ser retirada à força de casa, no Benedito Bentes; identidade ainda será confirmada pelo IML

Por Redação 08/10/2026 07h07
Jovem levada à força de casa é encontrada morta uma semana depois no Benedito Bentes
Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, estava desaparecida havia uma semana após ser retirada à força de casa, no Benedito Bentes - Foto: Reprodução

O corpo de Gleice de Assis Ferreira, de 22 anos, foi localizado nesta quarta-feira (7), uma semana depois de a jovem ter sido retirada à força de dentro de casa, no Conjunto Parque dos Caetés, no Benedito Bentes, em Maceió. Segundo a Polícia Civil, o cadáver estava em uma área privada, nas proximidades de um lixão, e apresentava uma marca de disparo de arma de fogo na cabeça.

Gleice faria 23 anos nesta quarta-feira. O corpo foi encontrado em uma fazenda e estava em avançado estado de decomposição. Roupas semelhantes às que a jovem usava no dia do desaparecimento foram encontradas junto ao cadáver, além de uma tatuagem no braço. O pai da vítima também esteve no local e reconheceu as vestimentas e a tatuagem. A identificação oficial, porém, ainda depende da perícia do Instituto Médico Legal (IML).

A investigação é conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e, inicialmente, tratava o caso como sequestro. Com a localização do corpo e os indícios de que Gleice teria sido executada, a Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio qualificado com ocultação de cadáver.

De acordo com o delegado João Marcello, que participa das investigações, o corpo foi encontrado após a polícia receber informações sobre o possível paradeiro da vítima. Uma primeira busca foi realizada na noite de terça-feira (6), mas o cadáver não havia sido localizado. Na manhã seguinte, uma nova equipe retornou à área e encontrou o corpo. Na análise inicial, os policiais identificaram um orifício provocado por projétil de arma de fogo no crânio.

A polícia ainda apura se Gleice foi assassinada no local onde o corpo foi encontrado ou se foi levada para a área depois de já estar morta. Nenhuma cápsula de munição foi localizada nas proximidades.

Quatro homens teriam retirado jovem de casa


Segundo as investigações, quatro homens encapuzados e armados invadiram o apartamento onde Gleice estava. Os depoimentos colhidos pela polícia indicam que ela teria sido agredida com uma pancada na cabeça e retirada do imóvel desacordada. Uma testemunha que estava na residência informou aos investigadores as roupas usadas pela jovem naquele momento.

Ex-companheiro está preso


Um homem foi preso durante a investigação. Trata-se do ex-companheiro de Gleice, que, conforme a Polícia Civil, negou envolvimento no desaparecimento e na morte. Ainda segundo o delegado, o suspeito apresentou contradições durante os interrogatórios e demonstrou nervosismo. A investigação também aponta que ele teria feito ameaças contra Gleice e pessoas próximas a ela.

A Polícia Civil afirma que o homem não indicou o paradeiro do corpo e que as informações apresentadas por ele foram confrontadas com outros elementos reunidos ao longo da apuração.

Polícia investiga possível relação com facção


De acordo com o delegado, o ex-companheiro de Gleice faria parte de uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas na região do Planalto, no Benedito Bentes. A investigação aponta que ele teria a função de “disciplina”, atribuída à aplicação de punições dentro da organização criminosa.

Uma das linhas investigativas considera a possibilidade de Gleice ter sido alvo da facção por ter retornado ao Conjunto Parque dos Caetés, mesmo após ter sido orientada a deixar a região. A Polícia Civil informou que, até o momento, não há indicação de envolvimento da jovem com o tráfico de drogas. Ela trabalhava em um restaurante e tinha um filho.

Polícia apura ligação com morte do irmão


Outra hipótese investigada é a de que o assassinato de Gleice tenha relação com a morte do irmão dela, ocorrida no ano passado, no bairro Ouro Preto, em Maceió. Segundo a Polícia Civil, ele também teria sido ameaçado pela mesma facção e recebido uma ordem para deixar a região. Como não teria obedecido, acabou assassinado. Depois da morte dele, Gleice também teria sido orientada a deixar a localidade.

Com a localização do corpo, a investigação agora busca identificar os demais envolvidos e esclarecer a dinâmica do crime, incluindo o local onde Gleice foi morta e a participação de cada suspeito. O IML realizará a perícia para confirmar oficialmente a identidade da vítima e apontar outros elementos relacionados à causa da morte.