Polícia
Assassino de ex-vereador de Anadia vai a júri
Julgamento de acusado de matar Luiz Ferreira acontece nesta quinta-feira no Fórum Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro
O acusado de ser um dos executores do ex-vereador Luiz Ferreira de Souza, Wallemberg Wanderson de Souza, vai a júri popular nesta quinta-feira (10), às 8h, no Fórum do Barro Duro na 9ª Vara Criminal. O julgamento acontece 15 anos após o assassinato de Ferreira, que era médico e professor da universidade Federal de Alagoas.
A família de Luiz Ferreira, semana passada enviou nota clamando por justiça, porque as provas, conforme destacou o advogado de defesa dos familiares - Gustavo Dacal, apontam que o réu estava reunido com os demais membros do grupo dias antes e no dia do crime e que o mesmo inclusive dirigia o carro usado para execução. De acordo com Dacal, Wallemberg teria recebido na época R$ 500 para participar do assassinato.
Luiz Ferreira de Souza também era médico do Hospital Geral do Estado (HGE), onde, inclusive, atuou como diretor, e professor de Medicina na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ele foi executado com mais de 12 tiros à queima-roupa.
Luiz Ferreira foi assassinado dentro do próprio carro, com tiros disparados de uma pistola 9 milímetros depois de ser interceptado pelos criminosos. O vereador morreu aos 61 anos, sem chance de socorro.
O parlamentar estava em seu segundo mandato na Câmara Municipal de Anadia e tinha acabado de denunciar um esquema de corrupção em vigor no Poder Executivo.
O crime foi praticado depois que a vítima anunciou em uma rádio que concorreria à prefeitura do município de Anadia. A então prefeita de Anadia, Sânia Teresa, foi apontada pelo Ministério Público Estadual (MPE-AL) como a autora intelectual da emboscada, motivada pelas denúncias de corrupção que o professor vinha fazendo contra a sua gestão.
Vítima e mandante intelectual eram da mesma coligação, mas ele havia decidido se afastar da aliada após descobrir o envolvimento em irregularidades. Um documento assinado 60 dias antes mostra que um grupo de vereadores acusava a prefeita de desviar mais de R$ 7 milhões.
O inquérito policial, feito por três delegados, além de apontar Sânia Teresa Barro como autora intelectual, apontou também mais seis pessoas. Entre os quais o ex-marido da política, Alessander Barros e o primo, Cláudio Magalhães, sargento da Polícia Militar.
No primeiro julgamento ocorrido, em fevereiro de 2017, foi marcado pelas condenações de Alessander Ferreira Leal (ex-marido da então prefeita de Anadia. Ele foi apontado como autor intelectual junto à ex-prefeita. Ele foi condenado a 32 anos, sete meses e 15 dias de prisão. Foram condenados também Éverton Santos de Almeida (32 anos, três meses e 15 dias) e Tiago dos Santos Campos (30 anos, 10 meses e 20 dias).
O segundo júri aconteceu em dezembro de 2019. Adaílton Ferreira foi julgado, posteriormente, por ter recorrido da sentença inicial. Ele foi condenado a 22 anos e seis meses de reclusão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado, atuando como copartícipe na contratação dos executores.
A acusada de ser a mandante do crime, a ex-prefeita de Anadia Sânia Tereza, ainda irá a julgamento em data que não tem previsão. Ela foi presa por alguns meses logo após o assassinato, mas alegou problemas de saúde e se encontra em prisão domiciliar.
Em entrevista semana passada à Tribuna Independente, a viúva de Luiz Ferreira, professora da Ufal, Rita Namé, disse que nesses 15 anos a família sofreu muito de saudade e esperando por justiça. A família quer que Wallemberg Wanderson seja condenado, mas diz que o julgamento principal será de Sânia Tereza, acusada de ser a mandante do crime.
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