Polícia
Polícia Científica é reconhecida por atuação decisiva em caso de tentativa de homicídio infantil
Sentença reforça papel da perícia como pilar da segurança jurídica em crimes complexos
Em um julgamento marcado pelo peso das evidências científicas, a madrasta acusada de tentar matar o enteado de apenas seis anos foi condenada, nesta quarta-feira (25), a 17 anos, dois meses e sete dias de reclusão em regime fechado. A sentença, proferida no Fórum do Barro Duro, em Maceió, baseou-se no entendimento de que o crime foi premeditado e executado com frieza, motivado por vingança.
Um dos pontos altos do júri popular foi a apresentação do laudo de lesão corporal, emitido por uma perita médica-legista, da Polícia Científica de Alagoas. A representante do Ministério Publico exibiu o documento e leu trechos para esclarecer detalhes técnicos do laudo pericial, sendo fundamental para que os jurados compreendessem a dinâmica dos fatos por meio de provas materiais inquestionáveis.
No laudo pericial, a médica legista do Instituto Médico Legal Estácio de Lima, detalhou as lesões sofridas pela criança, destacando a ocorrência de um pneumotórax, o que caracterizou perigo iminente de vida. O ponto crucial da análise técnica residiu na ausência de fraturas nos membros superiores da vítima.
A médica-legista, explicou que essa característica é típica de quedas em que a vítima está desacordada ou dormindo, momento em que o corpo apresenta maior flacidez, distribuindo o impacto de forma diferente de um indivíduo em alerta. A conclusão técnica apresentada foi clara: a criança não esboçou reação de defesa no momento da queda porque estava dormindo quando foi arremessada da janela do quarto andar.
Reconhecimento do Ministério Público
A precisão do trabalho pericial foi amplamente enaltecida pelo Ministério Público Estadual (MPE). Durante a sustentação, a promotora de Justiça Adilza Freitas destacou que a condenação não se baseava apenas em testemunhos, mas na solidez da prova técnica produzida pela Polícia Científica.
"Não é apenas a acusação que afirma; é a medicina, é a perícia, é a ciência", enfatizou a promotora. Em um momento de destaque, o Ministério Público fez um reconhecimento formal à capacidade técnica da instituição: "Faço aqui um reconhecimento da capacidade técnica da nossa Polícia Científica. A prova é técnica, fruto de uma análise minuciosa da médica-legista".
Decisão Judicial
Ao proferir a sentença, o magistrado reforçou a gravidade do crime, destacando a utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima — uma vez que o menino dormia no momento do crime — e o impacto duradouro na vida da criança, que teve a memória afetada pelo traumatismo craniano sofrido.
A atuação integrada entre a perícia médica e o Judiciário garantiu que a justiça fosse aplicada com base em fatos científicos, consolidando o papel da Polícia Científica como pilar indispensável para a elucidação de crimes complexos e a garantia da segurança jurídica.
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