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Onde está Elize Matsunaga hoje? O que o filme não mostrou

Elize: Onze anos depois do crime

Por João Belarmino com Observatório do cinema 11/08/2026 18h23 - Atualizado em 11/08/2026 18h43
Onde está Elize Matsunaga hoje? O que o filme não mostrou
Onde está Elize Matsunaga hoje? O que o documentário não mostrou - Foto: Divulgação

Elize Matsunaga está em liberdade desde maio de 2022. Ela cumpre o restante da pena em regime aberto na cidade de Franca, no interior de São Paulo, leva uma rotina discreta e segue proibida pela Justiça de ter qualquer contato com a filha, Helena.

O documentário da Netflix parou de contar a história antes disso, quando ela ainda estava presa em Tremembé. É justamente o “depois” que ficou de fora das câmeras.

A vida de Elize fora da prisão

Condenada em 2016 pelo assassinato e esquartejamento do marido, Marcos Matsunaga, herdeiro da Yoki, Elize recebeu inicialmente uma pena de 19 anos, 11 meses e 1 dia. Ao longo do processo, a pena caiu para cerca de 16 anos por bom comportamento e por ter confessado o crime. A parte mais dura ela cumpriu no presídio de Tremembé, conhecido por abrigar detentos famosos.

Em maio de 2022, depois de cumprir cerca de 10 anos, ela conquistou a liberdade condicional e passou ao regime aberto. Desde então vive em Franca, no interior paulista, sem poder deixar a cidade. A rotina é discreta de propósito: a notoriedade do caso ainda provoca reações hostis em lugares públicos, e a defesa dela trata a segurança pessoal como prioridade.

Ganhar a vida virou um problema à parte. Relatos indicam que Elize chegou a trabalhar como motorista de aplicativo na cidade, usando um nome social para evitar cancelamentos e confrontos. A estratégia não durou: assim que a identidade dela circulou nas redes, ficou difícil manter o trabalho de forma estável.

Onde o documentário parou

Elize Matsunaga: Era uma Vez um Crime, lançado em 2021, marcou a primeira vez que ela falou publicamente sobre o caso. A minissérie mergulhou na infância, no casamento e nos motivos por trás do crime, mas encerrou a narrativa com Elize ainda atrás das grades.

Tudo o que aconteceu depois ficou fora do quadro: a saída para o regime aberto, as tentativas de recomeço em Franca, o livro e o crescimento da filha que ela não pode ver.

É por isso que a pergunta “onde ela está hoje?” continua no ar mesmo para quem assistiu à produção inteira. O documentário contou o antes e o durante. O depois só existe nas páginas policiais e nas poucas aparições públicas dela desde 2022.

A filha Helena e o contato proibido

Helena tinha apenas um ano quando o pai foi morto, em 2012. Hoje, aos 16, vive sob a guarda dos avós paternos, Mitsuo e Misako Matsunaga, longe da imprensa. Desde a prisão de Elize, a Justiça proíbe qualquer contato entre mãe e filha, e a restrição continua valendo mesmo no regime aberto.

A decisão sobre um eventual reencontro ficará nas mãos da própria Helena quando ela completar 18 anos. O avô já afirmou publicamente que a neta terá total liberdade para escolher.

Segundo relatos, ainda aos 14 anos a adolescente teria manifestado vontade de rever a mãe, mas o encontro esbarra na determinação judicial e na resistência da família paterna. Por ser a única filha de Marcos, Helena também é a herdeira legal do patrimônio deixado pelo empresário.

O novo filme reacendeu o caso

O interesse pelo caso voltou com força em julho de 2026, com a estreia de Elize: Sombras de Uma Mulher na Netflix. Diferente do documentário, o novo título é uma dramatização; conta a história por um viés ficcional, a partir da perspectiva de Elize.

O filme, porém, para onde o documentário parou, no crime e no julgamento. Nenhuma das duas produções mostra Elize como ela está agora: uma mulher em regime aberto, tentando passar despercebida numa cidade do interior, com a filha crescendo a poucas horas de distância e uma parede judicial no meio.

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