Polícia
Irmã de médica que matou marido quer guarda da sobrinha
Nayara Thais alega que avós materna e paterna não têm capacidade para tutelar criança por razões psicológicas e sociais
O caso da médica Nádia Tamires, acusada de matar o ex-esposo e também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante ganha, a cada dia, novos contornos ao revelar uma família dividida, onde parte defende a médica, parte a acusa.
A irmã da médica Nayara Thais Silva Lima, que já se pronunciou defendendo a irmã, ingressou na Justiça com um pedido de guarda provisória da sobrinha.
A menor está atualmente com a avó materna, Josefa Alves de Lima Cavalcante, e paterna, Cícera Maria de Lima Cavalcante. O pedido será encaminhado para uma das Varas de Família da comarca de Arapiraca.
Na solicitação, Nayara explicou que, para ela, as avós da criança “não possuem capacidade para tutelar o melhor interesse da criança, por razões psicológicas e sociais”. Ao final, caso o pedido de guarda provisória seja concedido, a intenção da tia era de também conseguir a guarda definitiva.
“Apesar da autora sustentar a incapacidade das avós, atuais guardiãs, de exercerem a guarda da criança, apresenta, como fundamento da alegação, documentação pretérita, relativas aos anos de 2024 e 2014 a 2021, o que, por óbvio, não é suficiente para comprovar a presença de risco iminente que impeça a análise do mérito pelo juízo natural, durante o expediente forense regular”, argumentou o juiz Ewerton Luiz Chaves Carminati.
O juiz ainda pontuou que a guarda atual (das avós] foi concedida por sentença há cerca de seis dias, o que, segundo ele, “leva a crer que, conforme análise judicial atualizada, o melhor interesse da criança está, ao menos em tese, preservado junto às atuais guardiãs”.
Nayara e outro irmão de Nádia Tamires, Elias Lima, divulgaram versões e documentos sustentando a denúncia de abuso contra a filha do ex-casal, que, à época, tinha apenas dois anos de idade na época. O crime teria sido cometido pelo próprio pai. E esse seria um dos motivos para o assassinato do médico. Eles afirmam que há laudos que apontariam indícios de abuso sexual contra a criança.
As falas surgiram dias após a mãe de Nádia, Josefa Alves, e outro irmão da médica, Emerson Lima Barros, criticarem a ação da filha e defenderem a inocência do ex-genro.
Alan Carlos foi morto a tiros dentro do carro em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sítio Capim, na zona rural de Arapiraca, no dia 16 de novembro.
Nádia Tamires foi presa no mesmo dia do crime e teve a prisão preventiva decretada. Em interrogatório, ela alegou legítima defesa, mas a hipótese não foi acatada pela Justiça. A médica está detida no Presídio Santa Luzia, onde aguarda a prisão ser revogada.
Litígio e guarda compartilhada
Sem se ater especificamente ao caso da menor em questão e falando de forma genérica sobre as nuances de um pedido de guarda compartilhada em meio a um divórcio litigioso, a psicóloga da 26ª Vara cível da capital-família, Luciana de Araújo Vieira, explicou que uma dissolução conjugal, sobretudo, a litigiosa requer uma reconfiguração da instituição família, ocorre que os conflitos exacerbados entre as partes, acarreta uma série de consequências negativas que respinga em todos os membros da família, ocasionando frequentemente um adoecimento físico e psicológico não somente dos ex-cônjuges, como também dos filhos e demais envolvidos.

“Na maioria das ações judiciais de guarda e convivência, tramitam questões para além dos aspectos legais, o que identificamos comumente é a utilização da disputa de guarda de filhos como um meio de vingança entre as partes, aproveita-se para trazer à tona mágoas, ressentimentos e emoções negativas decorrentes da desconstrução familiar e a necessidade de se estabelecer um novo arranjo familiar de guarda e convivências entre pais e filhos”, explicou Psicóloga Luciana de Araújo Vieira que tem mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e título de especialista em psicologia jurídica pelo Conselho Federal de Psicologia.
Segundo ela, é fundamental que em alguns casos, o magistrado solicite uma perícia de sua equipe, com o objetivo de identificar a situação biopsicossocial de todos os envolvidos, para que se identifique as questões peculiares de cada caso e se façam as intervenções e encaminhamentos necessários e urgentes a fim de resguardar os direitos, sobretudo dos filhos.
Mais lidas
-
1Cinema
O que significa Bugonia? Título do filme com Emma Stone é explicado
-
2Tragédia!
Mãe da atriz Mel Maia é encontrada morta no RJ
-
3Segurança
Suspeitos de homicídio em Marechal Deodoro morrem em confronto com Polícia Militar
-
4É hoje!
'Zootopia 2', 'Bugonia' e 'Morra, Amor' chegam aos cinemas
-
5Quem sai?
A Fazenda 17: nova enquete indica virada contra favorito do público




