Economia
Economia alagoana deve voltar a crescer, com projeção de expansão de 2,1% no PIB de 2026, aponta Etene
Publicação de área de estudos econômicos do Banco do Nordeste, com dados da consultoria LCA, indica movimento de retomada da economia favorecida pela recuperação esperada da produção de cana-de-açúcar, no segundo semestre, da indústria sucroenergética e d
A economia alagoana deve voltar a crescer em 2026. A perspectiva de incremento foi apontada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área do Banco do Nordeste responsável por pesquisas sobre a economia da região, baseada em dados da consultoria LCA. Após uma projeção de retração estimada em 2,4% em 2025, a expectativa é de expansão de 2,1% do PIB de Alagoas em 2026.
O desempenho econômico do PIB de todos os estados da área de atuação do BNB consta na mais recente publicação do Etene, Economia em Números e Gráficos, disponível no site do banco (https://www.bnb.gov.br/s482-ds... o superintendente Estadual do Banco do Nordeste em Alagoas, Tomé Francisco Neto,
“o resultado apresentado representa uma retomada da atividade econômica, acompanhada de perto pelo BNB”. De acordo com o gestor, a perspectiva de expansão da economia alagoana ocorre em um cenário de indicadores positivos para o estado, a exemplo do turismo, e de maior fôlego no setor agropecuário.
“O Banco do Nordeste contribui para essa recuperação da economia, na medida em que possibilita novos investimentos, por meio do crédito produtivo, com condições acessíveis de financiamentos que abrangem todos os portes de empreendimentos, fazendo girar a economia com geração de mais empregos e melhorando a renda. Apenas este ano, até o mês de agosto, já contratamos cerca de R$ 1,8 bilhão em financiamentos no estado, em mais de 128 mil operações de crédito”, ressalta.
Análise econômica
Segundo o gerente do Etene, Allisson Martins, “a retração de 2,4% estimada para a economia de Alagoas em 2025 deve ser compreendida como resultado da combinação de choques que atingiram atividades de peso relevante no estado. No setor agropecuário, o principal fator foi a quebra da safra de cana-de-açúcar, decorrente de condições climáticas desfavoráveis e da redução da produtividade dos canaviais. Dados do IBGE apontam para uma redução em 12,7%. Importante destacar os efeitos indiretos desta quebra, afetando as indústrias de açúcar e etanol. Portanto, essa perda se propagou para a indústria de transformação”, analisa.
Allisson também pondera que a indústria foi afetada pela redução das atividades da Braskem no estado ao longo de 2025. “A retração dessa atividade produziu efeitos diretos sobre a indústria química e efeitos indiretos sobre fornecedores, logística, consumo de gás e demais elos da cadeia produtiva”, avalia.
Retomada
Ainda de acordo com o gerente do Etene, “para 2026, a projeção de crescimento de 2,1% está associada, primeiramente, a uma base de comparação deprimida, mas também da expectativa de recuperação gradual dos setores atingidos em 2025. No setor agropecuário, destaca-se a perspectiva de crescimento de aproximadamente 10% na produção de cana-de-açúcar, segundo estimativas do levantamento do IBGE. A colheita da safra já foi iniciada em setembro e deve gerar impactos positivos até o final do ano, produzindo um efeito duplo sobre a economia estadual. Além de elevar o valor adicionado da agropecuária, amplia a oferta de matéria-prima para a indústria de alimentos. Esse encadeamento é importante para compreender por que projetamos expansão tanto da agropecuária quanto da indústria em 2026”.
Para o Etene, no caso industrial, o fechamento da unidade da Braskem continua representando um impacto negativo relevante. A redução das operações contribuiu para uma queda de 1,4% no estoque de empregos industriais do estado entre agosto deste ano e do ano passado. “Entretanto, avaliamos que o efeito positivo da indústria de alimentos deve superar as perdas nos setores afetados pelo encerramento das operações. Por essa razão, projetamos para a indústria um crescimento moderado”, esclarece Allisson.
Serviços
Quanto aos serviços, Allisson atesta que a perspectiva para 2026 é relativamente mais favorável. “O setor deve ser beneficiado por um mercado de trabalho ainda resiliente, pela valorização do salário-mínimo e por medidas de estímulo à renda e ao consumo das famílias ao longo do ano. Esses elementos tendem a favorecer especialmente o comércio e os serviços prestados às famílias. Essa avaliação é reforçada pelo crescimento de 3,2% do estoque de empregos formais nos serviços entre agosto de 2025 e agosto de 2026. A expansão do emprego formal contribui para sustentar a massa de rendimentos e o consumo, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados”.
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