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Vulcão de 454 milhões de anos é descoberto sob a Inglaterra

Por iG 05/09/2026 10h53
Vulcão de 454 milhões de anos é descoberto sob a Inglaterra
Cristais encontrados enterrados ajudaram cientistas a ligar uma antiga erupção a uma enorme camada de cinzas espalhada pela Escandinávia - Foto: Reprodução

Uma gigantesca erupção vulcânica que aconteceu há cerca de 454,4 milhões de anos na região que hoje corresponde ao leste da Inglaterra. A explosão foi tão intensa que lançou uma enorme quantidade de cinzas na atmosfera, que atravessaram o mar e chegaram à área onde atualmente ficam partes da Escandinávia e do Mar Báltico.

A origem desse evento foi identificada graças a pequenos cristais de zircão encontrados no subsolo da Inglaterra. Os minerais têm praticamente a mesma idade dos cristais em uma antiga camada de cinzas vulcânicas encontrada no norte da Europa.

Há mais de 454 milhões de anos, um supervulcão que hoje está escondido sob algumas das paisagens mais planas da Inglaterra produziu algumas das maiores erupções da história da Terra. Acreditamos que, graças a análises de ponta, conseguimos encontrar evidências de que a origem da camada de cinzas encontrada na Escandinávia estava nesse supervulcão, mudando nossa compreensão sobre o passado geológico da Inglaterra.Tim Pharaoh, do BGS, principal autor do estudo.

A descoberta foi feita por pesquisadores do British Geological Survey (BGS) e da Universidade de Oslo e publicada na revista Geological Society of America Bulletin.

Cristais ajudaram a revelar a idade da erupção

Os cristais de zircão foram retirados há cerca de 80 anos de dois poços localizados em Norfolk e Lincolnshire, no leste da Inglaterra. Os locais ficam separados por aproximadamente 65 quilômetros.

O zircão é um mineral que pode se formar dentro do magma antes de uma erupção. Ele contém uma pequena quantidade de urânio, que se transforma lentamente em chumbo ao longo do tempo.

Erupção vulcânica


Yosh Ginsu/UnsplashErupção vulcânica

Como essa transformação acontece em uma velocidade conhecida, os cientistas conseguem calcular a idade aproximada do cristal. Nos dois poços analisados, os pesquisadores encontraram cristais com cerca de 454,4 milhões de anos.

O resultado chamou atenção porque a mesma idade aparece em cristais encontrados em uma antiga camada de cinzas conhecida como camada de cinzas de Kinnekulle, achada em partes da Escandinávia e da região do Mar Báltico. Essa coincidência foi a principal pista para ligar os dois lugares.

Cinzas atravessaram um antigo mar

Quando a erupção aconteceu, o planeta era muito diferente do que conhecemos hoje. A região que atualmente faz parte da Inglaterra não estava ligada à Escandinávia como está no mapa moderno.

As duas áreas eram separadas pelo mar de Tornquist, que existia durante o período Ordoviciano, entre aproximadamente 488 milhões e 444 milhões de anos atrás.

A força da erupção teria lançado cinzas a grandes altitudes. Levadas pelos ventos da atmosfera, elas atravessaram o antigo mar e acabaram se depositando na região que hoje corresponde à Escandinávia.

Uma erupção de proporções gigantescas

Os pesquisadores estimam que centenas de quilômetros cúbicos de material tenham sido lançados na atmosfera. A nuvem de cinzas pode ter ultrapassado 40 quilômetros de altura e alcançado a estratosfera. O episódio pode ter durado dias ou até semanas.

Uma erupção desse tamanho também teria produzido enormes fluxos piroclásticos, avalanches extremamente quentes, formadas por uma mistura de gases, cinzas e pedaços de rocha, que descem rapidamente pelas encostas de um vulcão.

O vulcanologista Peter Rowley, professor da Universidade de Bristol, no Reino Unido, afirmou ao Live Science que uma erupção dessa escala teria liberado uma quantidade de energia comparável ao impacto de milhares de bombas atômicas.

Segundo Rowley, um dos eventos de tamanho parecido mais recentes foi a erupção de Oranui, no vulcão Taupō, na Nova Zelândia, ocorrida há mais de 26 mil anos.