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Alagoas tem alta de hospitalizações por metapneumovírus

Por Tribuna Hoje com Fiocruz 10/09/2026 13h04 - Atualizado em 10/09/2026 13h13
Alagoas tem alta de hospitalizações por metapneumovírus
Metapneumovírus humano (HMPV) é um vírus respiratório comum que infecta as vias aéreas superiores e inferiores - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil


O cenário nacional da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresenta sinal de estabilização nas últimas seis semanas. No entanto, o Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (10), indica um alerta específico para Alagoas: o estado registra o início do aumento nas hospitalizações causadas pelo metapneumovírus.

A circulação do metapneumovírus atinge também Sergipe, Bahia, Paraíba, além das regiões Sul, Sudeste e o estado de Roraima. 

A análise aponta ainda para manutenção do sinal de aumento do número de casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, impulsionado principalmente pelo rinovírus, e diminuição ou estabilização das ocorrências de SRAG nas demais faixas etárias. Segundo os pesquisadores do InfoGripe, a estabilização dos os casos de SRAG nas crianças pequenas também se deve à contraposição entre a queda dos casos graves por VSR e ao aumento das ocorrências graves por rinovírus. A queda dos casos de SRAG nas demais faixas etárias é atribuída especialmente à diminuição das hospitalizações por influenza.



Estados e capitais

O aumento do número de casos de SRAG em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro concentra-se principalmente nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e está associado principalmente ao rinovírus. No Mato Grosso, o aumento ocorre entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos e idosos a partir dos 65 anos, possivelmente associado à influenza B.

No Rio de Janeiro, o metapneumovírus também tem contribuído, em menor escala, para o aumento de SRAG nas crianças e adolescentes. A atualização aponta ainda que três estados também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São eles Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina.

Em Roraima, há sinal de interrupção do crescimento dos casos de SRAG por VSR, embora os casos ainda permaneçam em patamar elevado. Na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os casos de SRAG por VSR continuam em queda, mas permanecem levemente elevados para esta época do ano. Nos demais estados, o período de sazonalidade do VSR já se encerrou. Já os casos de SRAG por influenza B continuam aumentando na Bahia, Mato Grosso e Ceará.

O InfoGripe aponta também um início ou manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, em alguns estados das regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Alagoas e Sergipe), além de Roraima. Foi observado, ainda, aumento de casos de SRAG por rinovírus em diversos estados do país: Acre, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19 nos estados, há um leve aumento dos casos graves em Roraima. Nas demais UFs, as ocorrências de SRAG por Covid-19 estão em um patamar baixo de incidência.

Duas das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 35. São as cidades de Aracaju e Florianópolis. Em Aracaju o aumento de SRAG se concentra principalmente nas crianças e adolescentes de até 14 anos e, em Florianópolis, nas crianças menores de 2 anos. O InfoGripe aponta ainda que três capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Boa Vista, Cuiabá e Porto Alegre.

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 12,7% de influenza A, 16,3% de influenza B, 21,7% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 6% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 147.868 casos de SRAG, sendo 79.761 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 52.327 (35,4%) negativos, e ao menos 7.349 (5%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 17,2% de influenza A, 5,5% de influenza B, 41,4% de vírus sincicial respiratório, 31% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2 (Covid 19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 3,2% de influenza A, 6,6% de influenza B, 27,1% de vírus sincicial respiratório, 48,4% de rinovírus e 2,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

A incidência e mortalidade semanal média, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o cenário típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG apresenta impacto mais elevado nas crianças até 2 anos, em termos de mortalidade ocorre o inverso, com a população a partir de 65 anos sendo a mais impactada.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A, rinovírus e VSR. O VSR e o rinovírus se destacam como principais causas de mortalidade nas crianças pequenas. O estudo mostra que a incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Em relação aos óbitos de SRAG em 2026, já foram registrados 6.512 óbitos de SRAG, sendo 3.046 (46,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 2.828 (43,4%) negativos, e cerca de (1,7%) aguardando resultado laboratorial.

Demais agentes e Covid-19


O relatório relativo à Semana Epidemiológica 35 (30 de agosto a 5 de setembro) aponta ainda a alta da SRAG por rinovírus em 11 estados brasileiros. Já as ocorrências associadas à Covid-19 permanecem em patamar baixo na maior parte do país, com elevação pontual registrada em Roraima.