Cidades

Justiça determina perícia para avaliar saúde mental de policial acusado de matar colegas em AL

Exame deverá investigar se o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho apresentou algum transtorno mental ou surto psicótico no momento das mortes; prisão preventiva continua mantida

Por Tribuna Hoje com agências 10/09/2026 11h42
Justiça determina perícia para avaliar saúde mental de policial acusado de matar colegas em AL
Policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho - Foto: Reprodução

A Justiça de Alagoas determinou que o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, acusado de matar dois colegas de profissão em Delmiro Gouveia, no Sertão do estado, seja submetido a uma avaliação médico-legal. O objetivo é verificar se ele apresentou algum tipo de alteração psiquiátrica no momento dos crimes.

A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Delmiro Gouveia e publicada na sexta-feira (4). O procedimento, conhecido como incidente de insanidade mental, será conduzido por um médico do Centro Psiquiátrico Judiciário. O prazo inicial para apresentação do laudo é de 45 dias, podendo ser estendido caso os profissionais considerem necessário.

Enquanto a perícia não for concluída, o processo ficará suspenso em relação à análise do mérito da acusação. A prisão preventiva de Gildate, entretanto, permanece em vigor.

O policial é acusado de matar Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira. Conforme consta na investigação, os dois foram encontrados mortos dentro de um veículo. Gildate estaria no banco traseiro quando os tiros foram efetuados e teria saído do local caminhando.

A realização da perícia foi solicitada pelos advogados do acusado. A defesa apontou elementos do processo que, segundo os representantes, indicariam a possibilidade de que Gildate tenha sofrido um surto psicótico durante o episódio.

O Ministério Público se posicionou contra a realização do exame, argumentando que não havia, até então, documentação médica suficiente para justificar a avaliação. A acusação também levantou a possibilidade de o comportamento do policial estar relacionado ao consumo de álcool, circunstância que, por si só, não afastaria eventual responsabilidade criminal.

O juiz, contudo, considerou que existem elementos que justificam uma investigação especializada sobre a condição mental do acusado.

Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira (Foto: PC/AL)



Familiares relataram mudanças no comportamento


Entre os pontos considerados pela Justiça está um relatório preliminar elaborado durante a investigação policial, no qual foi levantada a hipótese de um possível surto após o consumo de bebida alcoólica.

Relatos de familiares também chamaram a atenção. Segundo informações registradas no processo, pessoas próximas descreveram Gildate como alguém com comportamento incomum nas horas seguintes aos homicídios, incluindo desorientação e falas desconexas.

A Justiça também levou em consideração o fato de a investigação, até o momento, não ter identificado sinais claros de planejamento, conflito anterior ou uma motivação conhecida para os assassinatos.

Análises realizadas em celulares dos três policiais, segundo os autos, encontraram registros de que eles estavam juntos e confraternizando horas antes das mortes.

Diante desse conjunto de informações, a decisão apontou a existência de dúvida sobre o estado mental de Gildate no momento dos fatos. A perícia deverá esclarecer se houve algum episódio de transtorno mental capaz de afetar sua capacidade de compreender as próprias ações ou de controlar seu comportamento.

O exame também poderá verificar se o episódio, caso tenha ocorrido, representaria uma manifestação psiquiátrica inédita, mesmo sem histórico anterior de diagnóstico ou tratamento.

Prisão preventiva continua


Mesmo autorizando a investigação sobre a saúde mental do acusado, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva.

Segundo a decisão, permanecem válidos os elementos que apontam para a autoria e a existência dos crimes, além dos fundamentos utilizados anteriormente para justificar a prisão. A gravidade das acusações também foi considerada.

A arma funcional atribuída ao policial, uma pistola Glock calibre .40, foi apreendida durante a investigação. Conforme os autos, havia munição na arma e outros cartuchos em um segundo carregador localizado com o acusado.

Após a conclusão da perícia, Ministério Público e defesa terão prazo de dez dias para apresentar suas manifestações. Na sequência, caberá à Justiça avaliar o resultado do laudo e definir como o processo deverá prosseguir.