Cidades

União consolida a Jorgraf e mantém a Tribuna viva

Cooperativa está consolidada, com patrimônio próprio, atuação e compromisso de levar a informação ao leitor

Por Ana Paula Omena e Lucas França - repórteres / Tribuna Independente 10/07/2026 10h58 - Atualizado em 10/07/2026 11h06
União consolida a Jorgraf e mantém a Tribuna viva
Flávio Peixoto afirma que a união dos trabalhadores permitiu transformar um projeto criado para preservar empregos - Foto: Edilson Omena

O diretor administrativo-financeiro da Jorgraf, Flávio Peixoto, acompanhou desde o início o movimento de mobilização dos trabalhadores. Antes mesmo de integrar a cooperativa, participou das articulações como dirigente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, entidade que, segundo ele, teve papel decisivo para que o projeto saísse do papel.

O ingresso na Tribuna Independente aconteceu justamente durante a criação da cooperativa, quando surgiu a necessidade de estruturar uma nova empresa, independente juridicamente da antiga organização que havia encerrado as atividades.

Segundo Flávio, o primeiro obstáculo foi convencer o mercado de que havia nascido um novo empreendimento, com outro CNPJ e sem qualquer responsabilidade pelas dívidas deixadas pela empresa anterior. Além da resistência comercial, a cooperativa ainda precisou enfrentar questionamentos judiciais de credores que buscavam responsabilizar a nova gestão pelas pendências do grupo falido.

“A sobrevivência da cooperativa dependia diretamente da capacidade de gerar receita. Sem capital de giro e utilizando, inicialmente, a estrutura física da antiga empresa, os cooperados precisaram conquistar novamente anunciantes e parceiros comerciais”, frisa.

Flávio relembra que uma das medidas mais importantes foi reorganizar a área comercial. A mudança permitiu fortalecer o relacionamento com clientes e recuperar a confiança do mercado.

Mesmo assim, os primeiros anos foram marcados por sucessivos momentos de incerteza.

“Sem recursos financeiros e sem patrimônio próprio, a cooperativa operava utilizando equipamentos que só seriam adquiridos oficialmente anos depois, quando participou do leilão dos bens da massa falida e conseguiu comprar a rotativa responsável pela impressão do jornal”, rememorou.

Hoje, além do parque gráfico, a Jorgraf reúne sede gráfica, equipamentos industriais e uma operação integrada com site, redes sociais, TV Web e outras plataformas digitais, que também passaram a gerar receita para sustentar o projeto.

Ao contrário de empresas tradicionais, a administração da cooperativa foi construída sobre decisões coletivas.

De acordo com Flávio, assembleias, debates permanentes e transparência nas decisões administrativas e financeiras se tornaram pilares da gestão desde a fundação da Jorgraf.

Segundo ele, todas as decisões estratégicas passam pelo diálogo entre os cooperados, que compartilham responsabilidades e definem conjuntamente os caminhos da empresa.
O diretor destaca ainda que essa característica permitiu equilibrar o compromisso social da cooperativa com as exigências do mercado de comunicação, preservando postos de trabalho e garantindo renda aos profissionais.

Flávio afirma que esse compromisso continua orientando as decisões da gestão. Ao mesmo tempo, a Jorgraf precisou acompanhar a transformação do setor de comunicação, investindo em novas plataformas e estimulando a qualificação permanente dos profissionais.

A produção jornalística passou a ser distribuída em diferentes formatos, como texto, vídeo, áudio e conteúdo digital, mantendo, segundo ele, o compromisso com a apuração e a informação responsável.

Na avaliação do diretor administrativo-financeiro, o maior legado construído pela Jorgraf foi demonstrar que o cooperativismo pode funcionar também na comunicação.

Ele ressalta que a cooperativa reúne jornalistas e gráficos em um mesmo modelo de gestão, experiência considerada pioneira no país nesse formato e que permanece em atividade após quase duas décadas.

Além do patrimônio físico, Flávio considera que a principal conquista foi mostrar que trabalhadores organizados conseguem administrar coletivamente um empreendimento sustentável e competitivo.

Para os próximos anos, ele acredita que o maior desafio continuará sendo acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas e ampliar a presença da empresa nas plataformas digitais sem abrir mão da qualidade da informação.

Ao deixar uma mensagem para os cooperados e para os novos profissionais que chegam à empresa, Flávio reforça que a trajetória da Jorgraf demonstra que projetos coletivos podem transformar dificuldades em oportunidades e produzir resultados duradouros.

“Nós transformamos um sonho coletivo em realidade. Hoje, a Jorgraf não pertence apenas aos cooperados; ela se tornou um patrimônio da sociedade alagoana e um exemplo de que o cooperativismo pode dar certo também no jornalismo.” — Flávio Peixoto, diretor administrativo financeiro da Jorgraf.