Cidades
Estratégia de Paulo Gabriel salvou a Jorgraf
Atual presidente da cooperativa que reúne jornalistas e gráficos usou de seu patrimônio pessoal para garantir sobrevivência
A sobrevivência da Jorgraf não dependeu apenas da mobilização dos trabalhadores. Em um dos momentos mais delicados da história da cooperativa, o presidente José Paulo Gabriel afirma que precisou assumir um risco pessoal para garantir um futuro à empresa.
Com a perda do prédio onde funcionava a Tribuna Independente, em razão dos leilões e disputas judiciais envolvendo o imóvel, a cooperativa buscava uma alternativa para não interromper as atividades. A saída encontrada foi adquirir um terreno que pertenceu a Companhia Alagoana De Recursos Humanos (Carhp) Alagoas, e tinha sido adquirido dois anos antes, mesmo penhorado, por José Paulo Gabriel e repassado para à Jorgraf, para transferir a máquina rotativa, equipamento essencial para impressão do jornal diário.
"Naquele momento, o mais importante era garantir que a cooperativa não ficasse sem um local para funcionar. Se perdêssemos o prédio, não poderíamos correr o risco de também ficar sem uma alternativa", relembra.
Posteriormente, quando a situação financeira da cooperativa foi estabilizada, o terreno deixou de integrar o patrimônio particular de Gabriel e passou oficialmente para a Jorgraf.
O episódio, segundo ele, simboliza o grau de comprometimento dos cooperados durante os momentos mais críticos da empresa, quando preservar a continuidade da Tribuna Independente significava, muitas vezes, assumir riscos individuais em benefício da coletividade.
Modelo cooperativista resistiu às mudanças do mercado
José Paulo avalia que o maior diferencial da Jorgraf foi unir trabalhadores em torno de um objetivo comum.
Mesmo diante das transformações do jornalismo, da redução do mercado de impressos e da necessidade de adaptação às plataformas digitais, a cooperativa conseguiu permanecer em atividade.
Hoje, além do jornal impresso, a empresa atua em diferentes meios de comunicação construído ao longo de quase duas décadas. Para o presidente, a permanência da Jorgraf demonstra que o cooperativismo pode ser sustentável também na área da comunicação.
"Nós não tínhamos capital, não tínhamos financiadores. O que tínhamos era a disposição dos trabalhadores de manter o jornal vivo. A cooperativa nasceu da união de quem decidiu transformar uma greve em um projeto coletivo que permanece até hoje", reforçou José Paulo Gabriel, presidente da Jorgraf.
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