Cidades
Marilene Canuto, a força do comercial
Diretora comercial relembra a criação da Jorgraf, a conquista dos primeiros anunciantes e a confiança que ajudou manter o jornal
Quando a antiga Tribuna de Alagoas encerrou suas atividades, não foram apenas jornalistas e gráficos que precisaram reinventar o futuro. O desafio também chegou ao setor comercial, responsável por reconquistar a confiança do mercado e garantir a sustentabilidade da cooperativa que surgia.
Para Marilene Canuto, atual diretora Comercial da Jorgraf, a história da cooperativa é resultado da união de profissionais que decidiram transformar uma crise em um novo começo.
Sua trajetória na Tribuna começou ainda na antiga empresa. Embora ocupasse uma função administrativa, a proximidade com a redação fez com que passasse a colaborar também com os jornalistas.
“Minha história com a Tribuna começou desde o início. Pelo bom relacionamento e pela liberdade para trabalhar, passei a ajudar também a redação e sempre fui muito bem acolhida por todos.”
Marilene acompanhou de perto a crise que culminou no fechamento da antiga Tribuna de Alagoas. Ela lembra que o movimento dos jornalistas ultrapassou as reivindicações da redação e passou a defender todos os setores da empresa.
“Os jornalistas disseram que só voltariam a trabalhar se todos os departamentos fossem beneficiados.
Como isso não aconteceu, a direção decidiu fechar o jornal.”
Foi nesse cenário que surgiu a proposta de criação da cooperativa. Segundo Marilene, uma reunião promovida com a Organização das Cooperativas Brasileiras em Alagoas (OCB/AL) apresentou aos trabalhadores o modelo cooperativista, rapidamente aceito pela maioria dos presentes.
Conquistar anunciantes era garantir a sobrevivência
Com a criação da Jorgraf, um dos maiores desafios era convencer anunciantes e parceiros de que o novo projeto era viável.
Enquanto jornalistas e gráficos mantinham vigília no prédio para preservar o patrimônio da empresa, começaram a circular edições semanais explicando à sociedade o que havia acontecido e apresentando a nova proposta editorial.
O resultado apareceu logo na estreia da Tribuna Independente. “Começamos um trabalho junto aos clientes e fomos aceitos por quase todos. A primeira edição histórica contou com mais de 70 anunciantes e o lançamento reuniu representantes dos poderes públicos, da iniciativa privada e da sociedade civil.”
Marilene recorda que havia quem previsse poucos meses de sobrevivência para a cooperativa. “Muitos diziam que duraríamos três meses, seis meses ou até acabar a matéria-prima. Mas a força da equipe e a gestão fizeram a diferença, e hoje estamos aqui, quase 19 anos depois.”
Para atravessar os períodos mais difíceis, a estratégia foi clara: oferecer um jornal com independência editorial, compromisso com os fatos e uma nova relação com os leitores e anunciantes.
Segundo Marilene, a sustentação financeira também passou pela construção de parcerias institucionais e pela confiança conquistada junto ao mercado.
“Nossa estratégia foi apresentar um jornal com uma linguagem de liberdade e verdade, deixando para trás o que havia acontecido. Era uma nova era.”
Ela avalia que, ao longo dos anos, o mercado publicitário passou a reconhecer a estabilidade da cooperativa.
“Os anunciantes acompanham nosso trabalho e continuam confiando na Tribuna. Muitos clientes procuram as agências e pedem para anunciar conosco.”
Após quase duas décadas de atuação, Marilene afirma que a Jorgraf representa muito mais que uma trajetória profissional.
“Representa a continuidade do meu trabalho, feito com dedicação e amor. Pessoal e profissionalmente, é um aprendizado diário.”
Ela destaca ainda que a criação da cooperativa preservou empregos e deu segurança a dezenas de famílias que viviam um momento de incerteza.
“O cooperativismo garantiu a manutenção dos postos de trabalho para muitas famílias que estavam sem rumo e preocupadas com o futuro.”
Ao olhar para a história construída, Marilene diz que seu maior orgulho está no reconhecimento conquistado ao longo dos anos.
“Tenho orgulho da confiança que o mercado deposita no meu trabalho.”
Sobre o futuro, ela acredita que a capacidade de adaptação continuará sendo um dos principais diferenciais da cooperativa.
“As mudanças estão acontecendo, e nós vamos continuar acompanhando esse processo, trabalhando com dedicação e nos adequando às novas realidades.
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