Cidades
Caso Davi: Justiça condena quatro policiais militares e ex-militar por homicídio e ocultação de cadáver
Após 12 anos de espera, júri em Maceió responsabiliza acusados pelo desaparecimento e assassinato do adolescente Davi da Silva, ocorrido em 2014; penas variam de 21 a 28 anos de prisão
O julgamento do desaparecimento e assassinato do jovem Davi da Silva, ocorrido em 2014, chegou ao fim nesta terça-feira (5) com a condenação dos quatro réus — os policiais militares Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e a ex-militar Nayara Silva de Andrade. O júri, realizado no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, em Maceió, considerou os acusados culpados por homicídio qualificado, tortura e ocultação de cadáver.
As penas aplicadas foram: Eudecir Gomes recebeu 28 anos, um mês e três dias de reclusão; Carlos Eduardo Ferreira e Nayara Andrade foram condenados a 24 anos, quatro meses e 13 dias, além de um ano e 11 meses por tortura; já Victor Rafael Martins foi sentenciado a 21 anos, nove meses e 13 dias, acrescidos de um ano e sete meses também por tortura. Todos perderam seus cargos e deverão cumprir pena em regime fechado. Nayara, além disso, está impedida de exercer qualquer função pública.
O julgamento foi marcado por fortes emoções, com o pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, precisando ser retirado do plenário em meio às sessões. O Ministério Público destacou o papel de Raniel Vitor, amigo de Davi, que reconheceu os acusados em imagens antes de ser assassinado, após deixar um programa de proteção. A acusação reforçou que o processo não se tratava de julgar a instituição policial, mas indivíduos que, segundo os promotores, “rasgaram o juramento e executaram um adolescente”.
A decisão foi recebida como uma vitória contra a impunidade por movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos humanos. Em nota oficial, o Cedeca Zumbi dos Palmares afirmou que a condenação representa “um passo importante na busca por justiça” e homenageou Dona Maria, mãe de Davi, falecida em 2025 sem ver o desfecho do caso.
Doze anos após o desaparecimento, o corpo de Davi nunca foi encontrado. Para familiares e apoiadores, a sentença traz algum alento diante da dor irreparável e reforça a luta por memória, verdade e responsabilização.
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