Cidades

Segundo dia do julgamento do caso Davi é marcado por emoção e fortes acusações

Promotoria e defesa entram em confronto durante debates; família acompanha com expectativa por justiça

Por Lucas França com Tribuna Hoje 05/05/2026 13h42
Segundo dia do julgamento do caso Davi é marcado por emoção e fortes acusações
Segundo dia de julgamento do Caso Davi é retomado em Maceió - Foto: MPAL

O julgamento do caso Davi Silva, adolescente desaparecido desde 2014, segue marcado por momentos de forte emoção e embates intensos entre acusação e defesa, em Maceió. Durante a sessão desta terça-feira (5), o pai do jovem precisou ser retirado do plenário após se emocionar profundamente, sendo acompanhado pela equipe médica.

Ao longo dos debates, o Ministério Público destacou dificuldades enfrentadas durante a investigação, principalmente em relação ao medo de testemunhas. Segundo a acusação, esse receio teria dificultado a coleta de depoimentos, mas não impediu o reconhecimento de suspeitos por Raniel Vitor, amigo de Davi e peça-chave no caso.

De acordo com o promotor, Raniel analisou dezenas de imagens e conseguiu identificar alguns dos envolvidos. O argumento foi utilizado para reforçar a tese de que houve participação direta dos réus — três policiais militares e uma ex-policial — no desaparecimento do adolescente.

Outro ponto levantado foi o contexto de insegurança. Há relatos de que Raniel e sua família temiam pela própria vida, o que teria influenciado seus depoimentos. O caso ganhou ainda mais gravidade após a morte de Raniel, ocorrida pouco tempo depois de ele deixar um programa de proteção.

A acusação também questionou a versão apresentada pelos réus e criticou contradições em depoimentos, especialmente sobre detalhes da abordagem policial e características das viaturas envolvidas. Em tom firme, os representantes do Ministério Público e da assistência de acusação ressaltaram que o julgamento não é contra a instituição policial, mas contra indivíduos acusados de crimes graves.

Já a defesa tentou intervir em alguns momentos, mas teve manifestações limitadas pelo juiz, que considerou determinadas falas fora de hora.

O júri, que teve início na segunda-feira (4), ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes e deve seguir com novos debates. Familiares de Davi acompanham cada etapa com expectativa por respostas — sobretudo porque, mais de uma década depois, o corpo do jovem nunca foi encontrado.

O caso remonta a agosto de 2014, quando Davi e Raniel foram abordados por uma guarnição policial no Benedito Bentes. Desde então, a família busca esclarecimentos sobre o desaparecimento e cobra responsabilização dos envolvidos.