Polícia

Caso Davi: júri de policiais militares será em maio

Julgamento acontecerá nos dias 4 e 5 do próximo mês, no Salão do Júri da 8ª Vara Criminal do Fórum do Barro Duro

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 30/04/2026 08h09
Caso Davi: júri de policiais militares será em maio
Maria José, mãe de Davi, esperou muito pelo julgamento dos policiais, mas acabou morrendo em 2025 - Foto: Divulgação

Depois de quase 11 anos de espera acontecerá, enfim, o julgamento de três policiais militares e uma ex-militar acusados pelo desaparecimento do jovem Davi da Silva, de 17 anos. O caso será julgado na próxima semana, dias 4 e 5 de maio, respectivamente, segunda e terça-feira, em Maceió.

Serão levados a julgamento os réus Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade. O processo já foi adiado duas vezes. Inicialmente previsto para outubro de 2025 e, posteriormente, remarcado para abril.

O júri será realizado no Salão da 8ª Vara Criminal, no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, e deve reacender um dos casos mais emblemáticos de desaparecimento em Alagoas.

A vítima sumiu na manhã de 25 de agosto de 2014, após sair de casa no Conjunto Moacir Andrade, no Benedito Bentes. Segundo as investigações, ele foi visto pela última vez durante uma abordagem policial realizada por uma guarnição do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha. Desde então, nunca mais o adolescente foi visto.

De acordo com o inquérito policial, o adolescente teria sido torturado e morto após a abordagem. A denúncia do Ministério Público, apresentada em agosto de 2015, aponta que os quatro acusados devem responder por tortura, homicídio e ocultação de cadáver, com igual grau de responsabilidade.

A investigação deu origem à ação penal que será submetida ao Conselho de Sentença no âmbito do Tribunal do Júri.

O Ministério Público Estadual atuará na acusação com os promotores de Justiça Thiago Riif e Lídia Malta. Os promotores irão sustentar a responsabilização dos réus com base nas provas reunidas ao longo da instrução processual.

Os autos indicam que as agressões começaram durante uma tentativa dos policiais de obter informações sobre um suspeito conhecido como “Neguinho das Bicicletas” na região do Conjunto Cidade Sorriso.

Conforme os relatos, a ex-militar teria iniciado as agressões após o jovem derrubar uma pequena quantidade de maconha. Davi foi algemado e colocado no porta-malas da viatura, onde continuou a ser espancado.

Outro ponto que marcou o caso foi a morte da única testemunha dias após o desaparecimento do jovem, o que aumentou a complexidade das investigações.

Neste intervalo de mais de uma década, esperando por Justiça, a mãe do Davi da Silva, Maria José faleceu em dezembro do ano passado. Ela acompanhou o caso desde o desaparecimento do filho, mas não presenciou a fase final do julgamento.

Em nota pública, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Alagoas (Cedeca) destacou que Maria José morreu sem ver a conclusão do processo, ressaltando a importância da responsabilização em casos de desaparecimento de adolescentes e da atuação do sistema de Justiça.

A sessão plenária é a etapa em que os jurados analisam os fatos apresentados e decidem sobre a responsabilidade penal dos acusados.

O julgamento ocorre após entraves processuais que impediram a realização de sessões anteriores. Com a superação desses obstáculos, o processo retorna à pauta do Judiciário alagoano após anos de tramitação.