Cidades
Igreja Batista do Pinheiro faz aniversário e luta pela reabertura
Comunidade aguarda decisão da Justiça para templo interditado desde dezembro de 2023 voltar a funcionar

No final de semana, a Igreja Batista do Pinheiro comemorou 55 anos de existência, com a esperança de ser reaberta, depois de interditada pela Defesa Civil de Maceió, em dezembro de 2023, após o colapso da mina 18 da Braskem.
Ao fazer uso da palavra, durante uma missa em celebração ao aniversário da congregação, o pastor Wellington Santos, disse que não tinha muito o que comemorar com um ano e três meses da igreja fechada. “Infelizmente, continua o sentimento de dor, de tristeza, de indignação em nossos corações”, lamentou o pastor.
Há sete anos, quando a tragédia da Braskem veio à tona, o bairro do Pinheiro, onde fica localizada a igreja, era aquele cujos imóveis e as ruas mais apresentavam rachaduras.
No entanto, os estragos provocados pela mineração predatória foram aparecendo cada vez mais fortes nos demais bairros atingidos pelo afundamento do solo: Bebedouro, Mutange Bom Parto e Farol.
Bairro fantasma
Com a interdição e a derrubada dos imóveis da área de risco, a partir de 2019, a região da Igreja Batista do Pinheiro foi ficando cada vez mais desocupada e se tornando um bairro fantasma.
Apesar do esvaziamento, até dezembro de 2023, os cultos continuavam acontecendo no templo. Depois da interdição do imóvel, por parte da Defesa Civil Municipal, alegando questões de segurança, as atividades foram completamente suspensas. Questionado como estava a luta da comunidade para reabrir a igreja, o pastor Wellington respondeu:
“Estamos aguardando que nossa petição de retorno, que se encontra na 5ª região da Justiça Federal em Recife seja julgada. Seguiremos lutando para retornarmos ao nosso território. As minas seguem sendo preenchidas e a previsão é que isto seja concluído até meados de 2026. Esperamos que a Defesa Civil de Maceió, que autoriza a movimentação diária do trânsito no nosso entorno, retire nossa interdição ‘provisória’. Assim sendo seguiremos lutando por justiça territorial e pelas memórias de todas as famílias que viveram em nosso território”.

Pastor ressalta 55 anos, presença de fiéis e solidariedade da população
O pastor lembrou que no final de 2024, quando completou um ano de fechada, a comunidade realizou um ato público de protesto, reivindicando da prefeitura de Maceió, por meio da Defesa Civil Municipal, a reabertura da Igreja.
“De lá para cá a gente vem lutando, mas até agora nenhum sinal, nenhuma boa vontade, do poder público municipal para desinterditar o nosso templo”, lamentou.
Ele disse ainda que a desde a semana passada que a comunidade celebra os 55 anos da Igreja Batista do Pinheiro.
“Começamos com uma Vigília Celebrativa na sexta-feira das 18h às 23h. Domingo [23], tivemos a alegria de receber entre nós o cantor e compositor Pastor Kleber Lucas da Igreja Soul no Rio de Janeiro. Seguimos resistindo, apesar da nossa injusta interdição, lutando pela reabertura do nosso tempo, na Rua Miguel Palmeira, 1300 - Pinheiro”, concluiu o pastor Wellington.
Solidariedade
Segundo ele, apesar da tristeza da interdição do tempo, a igreja vem recebendo dos fiéis e da sociedade inúmeras mensagens de solidariedade, principalmente nas redes sociais.
Como essa escrita por Carlos Eduardo Lopes, parafraseando o bordão do filme ‘Ainda Estou Aqui’, vencedor do Oscar 2025 de melhor filme estrangeiro: “Nós vamos sorrir e resistir, sim”.
“Parabéns à Igreja Batista do Pinheiro pelos seus 55 anos de história! É inspirador ver a força e a união da comunidade diante dos desafios enfrentados, especialmente a luta pelo território afetado pela Braskem. A celebração deste aniversário é um testemunho da resiliência e do espírito de acolhimento que marcam a trajetória da igreja. Que a fé e a esperança continuem a guiar cada membro, fortalecendo os laços e impulsionando a busca por justiça e bem-estar para todos.
A luta da comunidade da Igreja Batista do Pinheiro pelo seu território é um exemplo de resistência e perseverança. Que a fé e a união continuem a fortalecer a comunidade nessa jornada”, escreveu Lopes, ao lado da foto do templo, postada no Instagram, no último final de semana. (R.R.)
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