Cidades

11 de julho de 2019 11:09

Moradores exigem “saída só com indenização”

Cadastro para aluguel social no Mutange começa com baixa adesão e menos de 15 pessoas comparecem no primeiro dia

↑ Moradores do Mutange não querem aluguel social, mas buscam indenização como solução definitiva (Foto: Pei Fon / Secom Maceió)

A Defesa Civil de Maceió começou ontem (10) o cadastramento para o aluguel social dos moradores da encosta do Mutange e da encosta do Jardim Alagoas. No entanto, houve baixa adesão. Eram esperados 270 pessoas por dia, mas só compareceram 15 famílias neste primeiro dia. Moradores do bairro afirmam que querem ser indenizados.

“Os moradores praticamente não compareceram. A adesão foi abaixo do esperado. Nossa expectativa era de atender cerca de 300 pessoas, mas foram feitos entre 10 a 15 cadastros. São 1.200 pessoas que devem receber o aluguel social e desocupar as residências que já estão identificadas – ou seja, em nosso planejamento seria 270 pessoas a média de atendimento ao dia. Mas, não aconteceu hoje (10)”, disse Emy Oliveira, da coordenação de cadastros ressaltando que houve reunião com os representantes dos moradores, carros de som informando os horários e dias de cadastros passando pelo bairro.

O cadastramento está sendo feito na Escola Municipal Edécio Lopes, localizada na Rua Pedro Suruagy – antiga Antônio Procópio, no bairro Pinheiro. E segue até o dia 17 de julho, no horário das 9h às 15h e nesta etapa, serão contempladas 1.667 moradias de 22 ruas da área identificada pela cor rosa claro no Mapa de Setorização de Danos. A área é considerada muito crítica, conforme os relatórios técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que recomenda a desocupação.

Ontem, era para terem comparecido no cadastramento os responsáveis pelos imóveis identificados na Avenida Jornalista Augusto Vaz, Ruas Boa Vista do Arame, Bela Vista e Ladeira do Verde.

Moisés de Melo, morador do Pinheiro, disse que existe um consenso entre os donos de residências para não aceitarem o aluguel social. “O aluguel social não deu certo para a maioria dos moradores do Pinheiro, e não dará certo por aqui. Só sairemos com a indenização. O presidente da associação dos moradores já está com nossa reivindicação para levar a prefeitura”, disse.

Simone dos Santos, também moradora de uma área de risco do Mutange afirma que não deixará sua casa. “Não vou sair daqui para morar de aluguel. São apenas seis meses de garantia com este aluguel. O dinheiro é pouco. Queremos a indenização. O recurso bloqueado da Braskem poderia começar a ser usado para isso”.

Valquíria Hermínio, uma das diretoras da associação dos moradores disse que o caso do bairro não está sendo tratado com a seriedade devida. “Não iremos sair. O aluguel social é uma ação incompleta e não vai resolver nossos problemas. Hoje (ontem, 10) não teve adesão e acredito que até o dia 17 poucas famílias irão aderir. O correto seria a indenização, é isso que os donos dos imóveis desejam para não sair perdendo tudo que foi construído. A situação está crítica e não podemos deixar que o Mutange vire uma filial de Brumadinho”.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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