Mundo
Nº de mortos em ataque a campo de refugiados na Nigéria sobe para 70
Força Aérea nigeriana tinha como alvo jihadistas do Boko Haram, mas atingiu civis
Subiu para 70 o número de civis mortos no ataque da Força Aérea da Nigéria a um campo de refugiados na terça-feira (18). Mais de 100 ficaram feridos, segundo números divulgados pela Cruz Vermelha internacional nesta quarta-feira (18).
A Força Aérea disse que o ataque foi um engano e que na verdade eles tinham como alvo extremistas do Boko Haram. Há funcionários da Cruz Vermelha entre os mortos.
O incidente ocorreu em Rann, no norte do estado de Borno, epicentro da revolta islâmica do grupo Boko Haram, quando trabalhadores humanitários distribuíam alimentos aos refugiados, que abandonaram seus lares devido à violência.
"Foi um ataque em grande escala contra pessoas vulneráveis que fugiam da violência extrema. É algo ofensivo e inaceitável", declarou o médico Jean-Clément Cabrol, diretor de operações da MSF (Médicos sem Fronteiras), que atua na região.
Pessoas caminham por local de ataque em acampamento de refugiados em Rann, na Nigéria (Foto: MSF/Divulgação via Reuters)
Em entrevista coletiva em Maiduguri, capital de Borno, o general Lucky Irabor reconheceu o "incidente" e explicou ter recebido "informações sobre concentrações de terroristas do Boko Haram em alguma parte da região de Kala-Balge".
"Obtivemos as coordenadas, e ordenei à Força Aérea que interviesse para resolver o problema. Fez-se o bombardeio, mas, infelizmente, habitantes foram alcançados", acrescentou.
O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, declarou sentir "uma profunda tristeza" ao ser informado do bombardeio, que qualificou de "lamentável erro operacional", e pediu à população que mantenha a calma.
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