Interior

MPF move ação contra empresária por danos ambientais em área de mangue em Marechal Deodoro

Órgão pede recuperação de 312,69 m² de manguezal e restinga e indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos

Por Tribuna Hoje com agências 22/08/2026 17h44
MPF move ação contra empresária por danos ambientais em área de mangue em Marechal Deodoro
Área localizada no condomínio Laguna Heliport, em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió - Foto: Reprodução/ G1 Alagoas

O Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL) ajuizou duas ações contra a empresária Alany Cavalcante do Nascimento e a empresa H9 Participações por intervenções ambientais realizadas em uma área localizada no condomínio Laguna Heliport, em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió.

Segundo o MPF, as obras atingiram uma área de preservação permanente próxima à Laguna Mundaú, com supressão e aterramento de vegetação de mangue e restinga. O órgão aponta que as intervenções ocorreram entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024.

A perícia realizada no local identificou 312,69 m² de vegetação degradada. O laudo apontou prejuízos à flora nativa, ao habitat de animais silvestres e à capacidade de regeneração natural da área, além de alterações na configuração da margem da laguna.

Fiscalizações identificaram as intervenções


De acordo com o MPF, a primeira fiscalização ocorreu em dezembro de 2022. Na ocasião, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) identificou a construção de um deck e de uma escadaria para acesso à margem da Laguna Mundaú.

O órgão ambiental aplicou multa de R$ 80 mil e determinou o embargo da área. Também foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que previa medidas para recuperação do espaço e plantio de espécies nativas.

Segundo o Ministério Público Federal, as obrigações previstas no acordo não foram cumpridas.

Em nova fiscalização, realizada em dezembro de 2023, foram identificados outros serviços, como terraplanagem, nivelamento da faixa de areia e colocação de pedras e aterro sobre a vegetação.

MPF pede recuperação da área


Na ação, o Ministério Público Federal solicita que os responsáveis apresentem e executem um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), com acompanhamento do órgão ambiental.

O MPF também pede uma indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos. Caso o pedido seja aceito pela Justiça, o valor deverá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

Outra solicitação é que os réus sejam impedidos de realizar novas intervenções no local, como supressão de vegetação, aterramento ou obras, salvo aquelas necessárias para a recuperação ambiental.

O órgão ainda pede multa de pelo menos R$ 25 mil para cada eventual descumprimento das determinações judiciais.

A ação foi proposta pelo procurador da República Érico Gomes e tramita na 2ª Vara Federal de Alagoas, sob o número 0051516-31.2026.4.05.8000.

Alany Cavalcante do Nascimento foi procurada para comentar o caso, mas não deu nenhum retorno até a publicação.