Cidades

Torcedores da Mancha Azul são condenados a mais de 33 anos de prisão

Julgamento aconteceu no Fórum do Barro Duro, em Maceió, pela 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim

Por Tribuna Hoje 20/03/2026 02h55 - Atualizado em 20/03/2026 03h34
Torcedores da Mancha Azul são condenados a mais de 33 anos de prisão
Symei Araújo durante seu depoimento; até hoje, ele tem sequelas das agressões - Foto: Ascom MP/AL

O Tribunal do Júri condenou no início da madrugada desta sexta-feira (20) dois integrantes da torcida organizada Mancha Azul a 33 anos e três meses de prisão cada um, após quatro horas de votação. A decisão encerrou um julgamento marcado por depoimentos emocionantes, contradições entre os réus e relatos de extrema violência contra o torcedor Symei Araújo. O julgamento aconteceu no Fórum do Barro Duro, em Maceió, pela 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim.

Symei Araújo, principal vítima da agressão, ocorrida no dia 2 de agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra, relatou que ficou quatro meses em coma e ainda hoje enfrenta sequelas graves: dificuldade para falar, engasgos ao se alimentar e dependência da mãe para tarefas básicas. Ele contou que não reconheceu o próprio filho após sair do hospital e que perdeu o sonho de ser atleta de skate. “Eu achava que não ia conseguir voltar a andar e falar”, disse em juízo.

Michael Douglas, outro agredido, relatou que os carros chegaram de repente e que os agressores fugiram quando ouviram o toque de sirene em seu celular. Ele descreveu a cena como um ataque de seis a oito pessoas, sem qualquer chance de defesa.

Durante os interrogatórios, os réus apresentaram versões conflitantes sobre a posse dos veículos usados no crime e sobre sua participação na torcida organizada. Testemunhas, no entanto, reconheceram Thiago “Bocão” entre os agressores, inclusive ameaçando familiares que tentavam socorrer Symei. A promotora Dra. Adilza destacou que os acusados “foram para matar” e que só não consumaram o homicídio porque acreditaram que a vítima já estava morta.

A promotora reforçou que havia provas suficientes nos autos, incluindo depoimentos e reconhecimentos, mesmo sem imagens diretas da tentativa de execução. Ao final, os jurados decidiram pela condenação dos dois réus, fixando a pena em 33 anos e três meses de prisão.

O juiz Geraldo Amorim encerrou a sessão afirmando que o caso evidencia a necessidade de o Estado se impor diante da violência das torcidas organizadas: “é preciso que o Estado se imponha, porque ele é maior do que essas torcidas organizadas. Elas têm de acabar em todo o Brasil.”