Cidades
Torcedores da Mancha Azul são condenados a mais de 33 anos de prisão
Julgamento aconteceu no Fórum do Barro Duro, em Maceió, pela 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim
O Tribunal do Júri condenou no início da madrugada desta sexta-feira (20) dois integrantes da torcida organizada Mancha Azul a 33 anos e três meses de prisão cada um, após quatro horas de votação. A decisão encerrou um julgamento marcado por depoimentos emocionantes, contradições entre os réus e relatos de extrema violência contra o torcedor Symei Araújo. O julgamento aconteceu no Fórum do Barro Duro, em Maceió, pela 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim.
Symei Araújo, principal vítima da agressão, ocorrida no dia 2 de agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra, relatou que ficou quatro meses em coma e ainda hoje enfrenta sequelas graves: dificuldade para falar, engasgos ao se alimentar e dependência da mãe para tarefas básicas. Ele contou que não reconheceu o próprio filho após sair do hospital e que perdeu o sonho de ser atleta de skate. “Eu achava que não ia conseguir voltar a andar e falar”, disse em juízo.
Michael Douglas, outro agredido, relatou que os carros chegaram de repente e que os agressores fugiram quando ouviram o toque de sirene em seu celular. Ele descreveu a cena como um ataque de seis a oito pessoas, sem qualquer chance de defesa.
Durante os interrogatórios, os réus apresentaram versões conflitantes sobre a posse dos veículos usados no crime e sobre sua participação na torcida organizada. Testemunhas, no entanto, reconheceram Thiago “Bocão” entre os agressores, inclusive ameaçando familiares que tentavam socorrer Symei. A promotora Dra. Adilza destacou que os acusados “foram para matar” e que só não consumaram o homicídio porque acreditaram que a vítima já estava morta.
A promotora reforçou que havia provas suficientes nos autos, incluindo depoimentos e reconhecimentos, mesmo sem imagens diretas da tentativa de execução. Ao final, os jurados decidiram pela condenação dos dois réus, fixando a pena em 33 anos e três meses de prisão.
O juiz Geraldo Amorim encerrou a sessão afirmando que o caso evidencia a necessidade de o Estado se impor diante da violência das torcidas organizadas: “é preciso que o Estado se imponha, porque ele é maior do que essas torcidas organizadas. Elas têm de acabar em todo o Brasil.”
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