Cidades

Vítimas relatam momentos de terror durante julgamento de agressões contra torcedores do CRB

Depoimentos revelam violência extrema, sequelas permanentes e comoção no tribunal

Por Lucas França 19/03/2026 14h43 - Atualizado em 20/03/2026 03h07
Vítimas relatam momentos de terror durante julgamento de agressões contra torcedores do CRB
O caso segue em julgamento, e a decisão final caberá ao conselho de jurados - Foto: Ascom MP/AL

A Justiça de Maceió iniciou, nesta quinta-feira (19), o julgamento de dois dos cinco acusados de participação em um ataque violento contra torcedores do CRB, ocorrido em agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra. Entre os réus está um ex-dirigente de torcida organizada ligada ao CSA.

O júri popular ocorre na 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim, com atuação da promotora Adilza de Freitas, representando o Ministério Público de Alagoas. Os acusados respondem por tentativa de homicídio qualificado, além de furto.

Durante o julgamento, depoimentos das vítimas trouxeram à tona momentos de extrema violência. Uma das testemunhas, Michael Douglas, relatou que foi surpreendido por um grupo armado. “Os carros chegaram de repente, perguntei por que estavam me batendo e eles não respondiam nada. Quando estava sendo agredido, meu telefone começou a tocar e acredito que eles correram porque o toque parecia uma sirene”, contou.

Ele afirmou ainda que não conseguiu ver o momento em que o outro jovem, Symei Araújo, era espancado. “Enquanto estava sendo agredido, deu pra ver um movimento na esquina e achei que era o Júnior”, disse, acrescentando que cerca de seis a oito pessoas participaram da ação.

O caso de Symei, de 27 anos, comoveu o plenário. Ele relatou que não participava de confrontos e apenas integrava a bateria de uma torcida organizada. “Tentei correr, mas jogaram um barrote no meu pé, eu caí e levaram tudo meu, roupa, celular e documentos. Me deixaram nu”, afirmou.

Symei sofreu as lesões mais graves, incluindo traumatismo craniano e perda de massa encefálica. Ele ficou quatro meses em coma no Hospital Geral do Estado e ainda enfrenta dificuldades para falar e se locomover. “Eu achava que não ia conseguir voltar a andar e falar”, disse.

As sequelas também impactaram sua vida familiar. Segundo relatos, após deixar o hospital, ele não reconheceu o próprio filho. “Ele amava muito o filho, mas quando voltou não reconhecia o menino. Isso foi muito triste”, contou Michael, emocionado.

Outro ponto destacado foi a exposição da vítima nas redes sociais. “Fizeram figurinhas minhas e compartilharam em grupos de WhatsApp, zombando da tentativa de homicídio”, relatou Symei, que também revelou ter abandonado o sonho de se tornar atleta de skate. “Hoje não posso mais”, lamentou.

Testemunhas seguem sendo ouvidas ao longo do julgamento, incluindo um primo de Symei, que ajudou no reconhecimento de suspeitos por meio de imagens de câmeras de segurança. Emocionado, ele relatou medo durante o depoimento.

Devido ao estado físico e emocional, Symei optou por não permanecer até o fim da audiência. Questionado pelo juiz, preferiu retornar para casa.

O caso segue em julgamento, e a decisão final caberá ao conselho de jurados.