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Trânsito caótico afeta saúde do maceioense

Especialista destaca que mobilidade difícil gera estresse e pode ser um gatilho para o adoecimento físico e mental

Por Texto: Sirley Veloso – colaboradora com Tribuna Independente 08/01/2022 08h37
Trânsito caótico afeta saúde do maceioense
Reprodução - Foto: Assessoria
O maceioense vem enfrentando e reclamando bastante do trânsito da cidade. Congestionamentos diários e a consequente perda de tempo para chegar ao destino acabam gerando estresse e prejuízo para a saúde física e mental de todos que precisam de mobilidade, principalmente dos condutores de veículos. O motorista por aplicativo Paulo Francisco reclama. “Não tenho como não me estressar. Moro no Ladeirão do Óleo e com as mudanças feitas no trânsito local, gasto três vezes o tempo que gastava anteriormente para fazer o mesmo percurso. Então, se antes fazia três corridas, agora em um mesmo espaço de tempo só faço uma. Nunca vi o trânsito tão ruim. Isso afeta o bolso e a saúde, pois já fico estressado pensando nas contas que tenho para pagar”. A psicóloga Sandra Oliveira afirma: “estamos vivendo um ritmo de vida, para o qual não fomos programados. Um trânsito que não flui quando precisamos que ele ande para resolvermos nossos afazeres do dia a dia acaba gerando um sentimento de angústia”. Ela diz ainda que “o trânsito caótico pode ser um gatilho para o adoecimento, que começa com ansiedade, sudorese, taquicardia, podendo levar a comprometimentos de saúde cada vez mais sérios ou a comportamentos agressivos”. Com o propósito de reduzir a ansiedade diante de um trânsito congestionado, a psicóloga recomenda planejamento. “Um planejamento das tarefas diárias ajuda muito. Administrar a agenda de atividades diárias não é fácil, mas essa habitualidade vai progredindo e nos deixando mais calmos. Lógico que vão ter dias que as coisas ainda não vão sair como a gente deseja, mas flui melhor. Ouvir uma boa música ou uma meditação também ajuda a aliviar a tensão no trânsito”, diz a psicóloga. A reclamação sobre o trânsito de Maceió, e principalmente com relação às alterações ocorridas no Bairro de Cruz das Almas, é constante. O taxista Djalma Prado diz: “o engenheiro de trânsito que pensou aquilo, não mora em Maceió. Está pesado, cansativo demais dirigir naquela região. Os passageiros reclamam e perguntam se não podemos fazer um caminho alternativo. Tudo isso mexe com a nossa saúde. Causa muito estresse”. “Imediatismo pode desencadear impulsos e emoções negativas” A médica Maria Beatrice Albuquerque alerta que “o fato de vivemos em um mundo completamente acelerado, onde tudo é para ontem, acaba que deixamos de lado partes essenciais para nossa saúde, como uma boa noite de sono, alimentação saudável e exercício físico. O imediatismo do mundo atual faz com que nosso cérebro esteja constantemente em alerta e o resultado disso é uma sensação de estresse permanente e impossibilidade de relaxamento, fazendo com que nossos impulsos e emoções negativas venham à tona”. A médica afirmou que, “essas emoções e vivências podem se manifestar em condições psicossomáticas, sintomas ou doenças causados por problemas emocionais, como por exemplo, fibromialgia, gastrite, diarreia e cefaleia tensional. Todas essas condições podem ter componentes emocionais associados contribuindo para seu desencadeamento”. Os transtornos psíquicos, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout, que é um estado de exaustão física e mental relacionado ao trabalho, para aqueles que trabalham diretamente com o trânsito, também são relatados pela médica. Beatrice alerta ainda que todas essas condições, se não tratadas de forma efetiva, podem se tornar crônicas. “É importante que haja um cuidado multiprofissional”, destaca. TEMPO Pesquisas revelam que o brasileiro gasta em média 1h20 diariamente no trânsito, podendo chegar a 2h07 para que sejam cumpridos todos os deslocamentos diários. O fato reflete na qualidade de vida e bem-estar da população. Na avaliação de especialistas em segurança viária, a baixa qualidade do transporte público e a ausência de alternativas, como ciclovias seguras, incentivam a opção pelo transporte individual, e acabam acarretando os congestionamentos. Segundo especialistas, investir em mobilidade inclusiva e eficiente reduz o custo com tratamentos e contribui para melhorar a saúde da população.