Brasil
Influencer caminhoneira conta os riscos da privação do sono e substâncias em quem trabalha na estrada
Entre longas jornadas, sono atrasado e solidão na estrada, a caminhoneira influenciadora conhecida como Tal da Loira viveu na pele as consequências da exaustão e do vício, e hoje carrega uma nova história para contar.
Com a chegada de dezembro, o movimento nas rodovias aumenta e o tempo parece correr mais rápido. As entregas se acumulam, o trânsito fica pesado e a pressão por cumprir prazos toma conta das cabines. Para muitos motoristas, dormir bem e comer direito se tornam luxos distantes.
Foi nesse cenário que Tal da Loira, caminhoneira há cerca de cinco anos, viu sua vida mudar completamente.
O que começou como uma paixão pela estrada, a liberdade, os novos lugares, a sensação de independência, acabou se tornando também um teste de resistência física e emocional.
“Eu ficava meses viajando, só voltava em casa pra trocar de roupa. O corpo cansava, mas a cabeça não parava. A estrada te cobra e te engole se você não souber a hora de parar”, relembra.
Em meio ao cansaço e à solidão, Tal acabou se aproximando de pessoas que faziam uso de drogas. No início, parecia apenas uma forma de aguentar mais tempo acordada e manter o ritmo intenso das viagens. Mas logo o que parecia controle virou dependência.
“Eu achava que a cocaína me deixava mais animada, que me ajudava a não sentir tanto o cansaço. Mas comecei a perder o foco, o compromisso e a vontade de fazer as coisas. Quando percebi, já estava perdendo tudo o que tinha conquistado”, conta.
O ponto de virada veio quando perdeu dois caminhões zero quilômetro, frutos de anos de trabalho.
“Foi ali que entendi que estava me destruindo. Perdi caminhões, dinheiro, amigos e quase o convívio com a minha mãe. Foi quando comecei a buscar força em Deus e percebi que precisava recomeçar.”
Hoje, a caminhoneira vive uma nova fase, longe das drogas e com uma nova perspectiva sobre a vida na estrada. Grávida de sete meses e trabalhando como influenciadora digital, ela usa sua história para alertar outros profissionais sobre os perigos de ultrapassar os próprios limites.
“A estrada continua sendo minha paixão, mas aprendi que o corpo não é de ferro. Antes eu achava que precisava estar sempre acelerando. Hoje, eu sei que é nas pausas que a gente encontra força pra seguir.”
Enquanto muitos motoristas enfrentam longas jornadas neste fim de ano, Tal da Loira deixa um conselho simples, mas poderoso:
“Durma. Se cuide. Ouça o seu corpo. Porque de nada adianta chegar no destino se você se perde no caminho.”
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