Saúde

Pintas e lesões na pele: quando retirar e quando investigar?

Dermatologista alerta para mudanças de cor, formato e tamanho de pintas e explica por que a avaliação médica deve preceder procedimentos de remoção

Por Assessoria 22/10/2026 09h22
Pintas e lesões na pele: quando retirar e quando investigar?
Pintas e lesões na pele: quando retirar e quando investigar? - Foto: Reprodução

Pintas que mudam de aparência, verrugas persistentes e lesões que sangram ou não cicatrizam merecem atenção. Embora muitas alterações da pele sejam benignas, algumas podem indicar doenças que precisam de investigação, incluindo o câncer de pele. Saber identificar os sinais de alerta e procurar avaliação especializada antes de tentar remover uma lesão são medidas importantes para a saúde.

O professor Robinson Parpinelli, da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica Maceió, explica que a principal orientação é observar as mudanças ao longo do tempo. “Se você tem uma pinta há muitos anos e percebe que ela começou a crescer, mudou de cor ou de formato, passou a sangrar ou ficou muito diferente das outras, vale a pena procurar um dermatologista”, ressalta.

Uma das referências utilizadas para identificar sinais suspeitos é a regra ABCDE, que considera assimetria, bordas irregulares, variação de cores, diâmetro e evolução da lesão. Outro alerta é o chamado “sinal do patinho feio”: quando uma pinta apresenta aparência muito diferente das demais no corpo. Esses critérios ajudam a reconhecer alterações que precisam ser examinadas, mas não substituem a avaliação médica nem confirmam, isoladamente, um diagnóstico de câncer.

“Isso não significa que toda pinta diferente seja um câncer de pele. Na maioria das vezes não será. Mas são sinais que justificam uma avaliação”, destaca Parpinelli.

Avaliação médica orienta a conduta

Antes de indicar a retirada de uma pinta ou lesão, o dermatologista precisa identificar o que está sendo tratado. A avaliação considera características como tamanho, localização, profundidade e aparência, além das condições de saúde do paciente. Um dos recursos utilizados é a dermatoscopia, exame que permite observar estruturas da pele que não são facilmente identificadas a olho nu.

A partir dessa investigação, o profissional define se a lesão pode ser acompanhada, se precisa de biópsia ou se a retirada cirúrgica é a alternativa mais adequada. Quando existe suspeita de câncer de pele, a escolha da técnica deve considerar também a necessidade de preservar o material para análise.

“Quando retiramos uma lesão da pele, às vezes o objetivo principal nem é estético. Podemos estar fazendo aquilo para descobrir exatamente o que aquela lesão representa”, enfatiza o professor. Segundo ele, o exame anatomopatológico, realizado a partir da análise do tecido ao microscópio, pode confirmar a natureza benigna de uma alteração ou contribuir para o diagnóstico precoce de doenças, incluindo o câncer de pele.

O especialista ressalta, porém, que nem todas as pintas precisam ser retiradas preventivamente. Muitas podem permanecer durante toda a vida sem causar problemas. A decisão depende das características de cada lesão e da avaliação individual.

Pequenas cirurgias exigem cuidados

Biópsias, retirada de determinadas pintas e cistos, tratamento de verrugas e procedimentos por cauterização ou congelamento estão entre as intervenções que podem ser realizadas em ambiente ambulatorial, conforme a indicação. A técnica varia de acordo com o tipo de lesão: enquanto algumas exigem pequena cirurgia com anestesia local, outras podem ser tratadas por métodos diferentes.

Apesar de serem frequentemente chamadas de pequenas cirurgias, essas intervenções exigem planejamento e cuidados para reduzir riscos. Antes do procedimento, o médico deve investigar doenças preexistentes, alergias, medicamentos em uso, possíveis alterações na coagulação e condições que possam interferir na cicatrização, como o diabetes.

Também são necessários ambiente adequado, materiais esterilizados, utilização correta da anestesia e orientações para o período de recuperação. Dependendo do procedimento e da região tratada, o paciente pode precisar de curativos, pontos ou restrições temporárias a exercícios físicos, piscina e mar.

“Segurança não é apenas fazer bem a cirurgia. É cuidar corretamente do paciente antes, durante e depois dela”, afirma Parpinelli.

Remoção caseira pode comprometer o diagnóstico

A popularização de receitas e produtos vendidos pela internet para eliminar pintas e verrugas é motivo de preocupação. O uso de ácidos, objetos cortantes e métodos caseiros de cauterização pode provocar queimaduras, infecções, sangramentos, manchas e cicatrizes. Além disso, a destruição de uma lesão suspeita pode comprometer a possibilidade de analisar o tecido e identificar a doença responsável pela alteração.

“Quando aparece alguma coisa na pele que você não sabe exatamente o que é, a primeira pergunta não deveria ser ‘como eu tiro isso?’. A primeira pergunta deveria ser: ‘o que é isso?’”, alerta o dermatologista.

A orientação também vale para procedimentos estéticos. Mesmo intervenções minimamente invasivas precisam de indicação adequada, avaliação das condições de saúde, planejamento e conhecimento técnico para prevenir e tratar eventuais complicações.

Quando procurar um dermatologista?

O surgimento de uma nova pinta ou a mudança em uma lesão não significa, necessariamente, câncer. Entretanto, alterações progressivas, sangramento sem motivo aparente, feridas que não cicatrizam ou lesões muito diferentes das demais devem ser avaliadas por um profissional. Evitar o autodiagnóstico por fotografias na internet e não tentar remover alterações por conta própria são cuidados importantes.

Para o professor Robinson Parpinelli, observar a própria pele e procurar atendimento diante de mudanças são atitudes que favorecem a identificação precoce de problemas. “Percebeu que mudou? Mostre. Antes de pensar em retirar, precisamos saber o que é”, orienta.

Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.

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Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).

Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: educacaomedica.afya.com.br e ir.afya.com.br.