Turismo

Turismo rural e familiar avança no interior de Alagoas

Em São José da Tapera, produtor abre oficialmente visita ao parreiral da Fazenda Xitroá em pleno Sertão alagoano

Por Claudio Bulgarelli / Tribuna Independente 17/10/2026 08h48 - Atualizado em 17/10/2026 09h28
Turismo rural e familiar avança no interior de Alagoas
Uvas produzidas no Alto Sertão atraem curiosidade, abrindo espaço para nova modalidade de turismo - Foto: Divulgação

O turismo rural e de base familiar em Alagoas vive um momento de forte expansão, impulsionado pela valorização da identidade local, pela diversificação de roteiros no interior e pelo apoio a pequenos produtores e agricultores familiares. O estado, que vem descentralizando o fluxo turístico, tradicionalmente focado em sol e praia, está apostando e levando um novo nicho de turismo para vivências na zona rural, no Agreste e no Sertão alagoano.

Pela primeira vez em Alagoas, o turismo rural, e sobretudo, de base familiar, coloca a uva em primeiro lugar, em um estado nada tradicional para produção desta exótica fruta originária da região do Cáucaso e da Ásia Ocidental, que chegou ao Brasil em 1532, trazida pela expedição de Martim Afonso de Souza, e que adaptou muito bem ao país, graças ao desenvolvimento de técnicas de manejo e à escolha de variedades específicas para cada região do país. Assim, em São José da Tapera, no sertão alagoano, o produtor rural José Williams deu início ao cultivo de uvas de mesa (como a variedade Vitória) no projeto Encanto Xitroá, utilizando irrigação por gotejamento com água de poço artesiano.

Semiárido

É que a viticultura (cultivo de uvas), que vem ganhando força e espaço nesta região, impulsionada pelo clima semiárido quente (semelhante ao de Petrolina, em Pernambuco) e pelo uso de irrigação, se abriu ao turismo na fazenda Xitroá (cujo nome soa parecido com “Citroen”), um projeto recente de turismo rural e familiar focado no cultivo de uvas na subida da Serra Xitroá, daí o nome. Mas muito mais, o parreiral abriu oficialmente suas portas para o público no último dia 10 de outubro, atraindo turistas locais e regionais com uma proposta de experiência no campo

Na visitação ao parreiral, é possível caminhar entre as videiras carregadas de cachos de uva cultivadas em pleno clima semiárido, um feito que impressiona pela fartura e beleza, e participarem de uma experiência tipo “Colha e Pague”, onde os visitantes têm a oportunidade de interagir diretamente com a plantação, colhendo as uvas direto do pé para levar para casa. E todo o ambiente foi planejado para receber famílias, permitindo registrar fotos em meio à natureza e degustar o sabor das uvas do sertão.

Em Traipu, que possui forte ligação com o sertão, mas está localizado no agreste alagoano, mas faz divisa e possui características geográficas e culturais marcadas por serras e pela transição para o semiárido, diferente da visitação ao parreiral de São José da Tapera, na Fazenda Asa Branca, idealizada por Hipólito Costa, com suporte técnico da Embrapa, também há cultivos irrigados pelas águas do Rio São Francisco, alcançando médias expressivas (cerca de 20 toneladas por hectare por safra) focadas em uvas para sucos e vinhos.