Saúde

Câncer de mama também atinge mulheres abaixo dos 40 anos; oncologista explica por que qualquer alteração suspeita deve ser investigada

Levantamento aponta mais de 108 mil diagnósticos em mulheres com menos de 50 anos no Brasil; especialista da Unimed Maceió explica os desafios da identificação precoce

Por Assessoria 16/10/2026 15h32
Câncer de mama também atinge mulheres abaixo dos 40 anos; oncologista explica por que qualquer alteração suspeita deve ser investigada
O número representa aproximadamente um em cada três diagnósticos registrados no período - Foto: Divulgação

O câncer de mama não é uma doença exclusiva de mulheres acima dos 50 anos. Entre 2018 e 2023, mais de 108 mil brasileiras com menos de 50 anos receberam o diagnóstico, segundo levantamento do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com base em dados do Painel Oncologia Brasil. O número representa aproximadamente um em cada três diagnósticos registrados no período. Neste Outubro Rosa, a atenção também se volta às mulheres mais jovens, especialmente à importância de investigar alterações suspeitas, mesmo antes da idade recomendada para o rastreamento de rotina.

Nesse cenário, realizar o rastreamento na idade indicada e investigar qualquer alteração suspeita são atitudes fundamentais para identificar a doença na fase inicial. “Precisamos reforçar que o câncer de mama também pode acontecer antes dos 40 anos e que qualquer alteração suspeita deve ser investigada, independentemente da idade”, afirma a oncologista Fabrisia Coutinho, da Unimed Maceió.

Na cooperativa, as beneficiárias contam com uma estrutura voltada ao acompanhamento especializado. Quando há necessidade de cuidado oncológico, a Unimed Maceió dispõe do serviço de Oncologia e Centro de Terapia Assistida (CTA), oferecendo continuidade ao tratamento com equipe especializada e atendimento integrado.

Tumores mais agressivos - Segundo a especialista, entre mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama, são proporcionalmente mais frequentes os tumores com características biológicas agressivas, como os subtipos triplo-negativo e HER2-positivo. Parte dessas pacientes também recebe o diagnóstico em estágios mais avançados, situação que pode exigir tratamentos mais complexos e comprometer o prognóstico.

Um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Epidemiologia identificou aumento médio anual de 0,8% na taxa de mortalidade por câncer de mama entre brasileiras com menos de 40 anos, a partir da análise de dados de 1996 a 2019. Embora os resultados indiquem uma tendência preocupante nessa faixa etária, as razões para esse comportamento ainda precisam ser investigadas.

“Não existe uma causa única estabelecida. Entre as possíveis explicações estão a maternidade mais tardia, o menor número de filhos e a menor duração do aleitamento materno, além de obesidade, sedentarismo e consumo de álcool. Fatores ambientais e hormonais também são investigados. Já o maior acesso ao diagnóstico e à conscientização sobre a doença podem contribuir para a identificação dos casos. Provavelmente, estamos diante de uma combinação de fatores”, explica a médica.

Por que o diagnóstico demora - A oncologista aponta três fatores que podem contribuir para a identificação tardia da doença. “Primeiro, o câncer é menos esperado nesta faixa etária, e um nódulo pode inicialmente ser interpretado como uma alteração benigna. Segundo, mulheres abaixo dos 40 anos, quando apresentam risco habitual, não fazem parte do rastreamento mamográfico de rotina. Terceiro, as mamas costumam ser mais densas, o que pode dificultar a identificação de lesões na mamografia”, detalha.

Aproximadamente 10% dos cânceres de mama estão associados à predisposição hereditária. De acordo com a especialista, o aconselhamento e os testes genéticos podem ser indicadores em situações específicas, como diagnóstico em idade jovem, câncer de mama triplo-negativo, câncer bilateral ou histórico pessoal e familiar sugestivo de predisposição hereditária.

Entre os genes mais conhecidos associados ao risco hereditário estão o BRCA1 e o BRCA2. “Identificar uma predisposição genética pode modificar o tratamento, orientar medidas preventivas e proteger outros familiares”, destaca Fabrisia.

Onde buscar atendimento - Mulheres que identificarem alterações suspeitas nas mamas devem procurar avaliação médica, independentemente da idade. Na Unimed Maceió, as beneficiárias podem buscar orientação com ginecologista ou mastologista. Quando há diagnóstico e indicação de tratamento especializado, a cooperativa também dispõe de atendimento oncológico e Centro de Terapia Assistida (CTA).