Saúde

Quanto ultraprocessado é demais? Estudo associa consumo a maior risco de doenças

Análise com quase 9 milhões de pessoas relaciona cada 100 g adicionais por dia a riscos maiores de câncer e eventos cardiovasculares

Por Assessoria 30/09/2026 12h00
Quanto ultraprocessado é demais? Estudo associa consumo a maior risco de doenças
Médico Djairo Araújo, com atuação em Nutrologia e Medicina Esportiva - Foto: Assessoria


Biscoitos, salgadinhos, nuggets, refrigerantes e sobremesas industrializadas podem parecer inofensivos quando consumidos isoladamente. O problema pode estar na frequência. Uma ampla análise científica, com dados de quase 9 milhões de pessoas, associou cada 100 gramas adicionais de ultraprocessados consumidos diariamente a um risco 4% maior de câncer, 14% maior de eventos cardiovasculares e 3% maior de morte por qualquer causa.

Para o médico Djairo Araújo, com atuação em Nutrologia e Medicina Esportiva, o resultado precisa ser interpretado com cautela. “Não devemos transformar o resultado em uma conta do tipo ‘comi 100 gramas, meu risco aumentou 4%’. Não é isso que o estudo mostra. É uma associação estatística observada em grandes populações”, explica.

Segundo o especialista, mais importante do que um alimento isolado é o padrão alimentar construído ao longo do tempo. “O que chama atenção não são apenas os 100 gramas de um determinado dia. É a repetição. Aquilo que parece pouco em uma refeição pode representar uma parcela importante da dieta quando se repete todos os dias durante anos.”

A classificação de ultraprocessados inclui produtos como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, cereais açucarados e diversas refeições prontas. Eles podem apresentar maior quantidade de açúcar, sódio, gorduras e calorias e, quando consumidos em excesso, ocupar o espaço de alimentos in natura ou minimamente processados.

A recomendação, portanto, não é transformar a alimentação em uma lista de proibições. “Nutrição não precisa ser tratada como tudo ou nada. A mensagem não deveria ser gerar medo de um alimento, mas fazer com que a base da alimentação seja composta por alimentos de melhor qualidade e deixar os ultraprocessados ocuparem menos espaço na rotina”, afirma Djairo.