Saúde

Cyberbullying e exposição nas redes acendem alerta para saúde mental

Especialista da Hapvida comenta impacto dos ataques virtuais na saúde mental e como lidar com eles

Por Assessoria 09/09/2026 10h19
Cyberbullying e exposição nas redes acendem alerta para saúde mental
Especialista da Hapvida comenta impacto dos ataques virtuais na saúde mental e como lidar com eles - Foto: Assessoria

As redes sociais transformaram a forma como as pessoas se comunicam, compartilham experiências e constroem relações. Ao mesmo tempo em que aproximam, essas plataformas também podem se tornar espaços de exposição, cobranças, comparações e ataques virtuais. Em meio à crescente presença do ambiente digital na rotina, os impactos dessas experiências sobre a saúde mental ganham ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, mês voltado para campanhas de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida.

Comentários de ódio, críticas, humilhações públicas e episódios de cyberbullying podem ultrapassar a tela e provocar consequências na vida real. Entre os jovens, que estão particularmente inseridos nesse ambiente, a necessidade de aceitação e o peso da opinião alheia podem tornar essas experiências ainda mais difíceis de administrar. A psicóloga Irenilza Moura, da Hapvida, alerta que os impactos podem ser ainda mais significativos durante a adolescência e a juventude, períodos marcados pela formação da identidade, pela busca por pertencimento e por uma maior vulnerabilidade da autoestima.

“Comentários ofensivos, humilhações e críticas constantes, podem gerar muita ansiedade, insegurança e sintomas depressivos. O humor fica mais baixo”, comenta. Entretanto, nem sempre o sofrimento provocado por uma situação vivenciada nas redes sociais é percebido imediatamente. Mudanças de comportamento, isolamento, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, queda de rendimento, perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer e preocupação excessiva com a própria imagem podem ser sinais de que algo não vai bem.

“A pessoa passa a emitir alguns sinais no comportamento, por exemplo, a ansiedade, que afeta diretamente no sono. Pode, de forma exagerada, diminuir o apetite ou aumentar também. A pessoa passa a comer demasiadamente, fica triste, pode ficar irritada, e a questão do isolamento é uma das principais características”, alerta a especialista. Outro ponto de atenção é a relação entre experiências negativas no ambiente digital e quadros de depressão. Embora um ataque virtual, isoladamente, não possa ser apontado como causa direta de um transtorno depressivo, situações de violência, rejeição, humilhação ou exposição prolongada podem contribuir para o agravamento de um sofrimento emocional já existente ou potencializar sintomas em pessoas vulneráveis.

Limites também são forma de cuidado

Para a psicóloga, desenvolver estratégias para utilizar as redes sociais de maneira mais saudável é fundamental. Entre os principais cuidados estão estabelecer limites tanto para o tempo de exposição quanto para os conteúdos consumidos. Irenilza orienta que os usuários filtrem aquilo que acompanham nas plataformas e evitem conteúdos que possam despertar gatilhos emocionais ou estimular comparações excessivas.

“Se há conteúdos que levam você a fazer muita comparação, o ideal é estabelecer limites para aquilo que você acompanha”, aconselha. Reduzir o tempo de exposição às redes, evitar a validação constante com outras pessoas, silenciar ou bloquear perfis que promovam ataques e buscar apoio de pessoas de confiança são algumas estratégias que podem ajudar. Mais do que simplesmente abandonar as redes sociais, a proposta é construir uma relação mais consciente e saudável com o ambiente digital.

“Ataques virtuais podem agravar quadros de depressão e ansiedade em pessoas vulneráveis. Para isso, a terapia foca em ensinar o indivíduo a controlar suas próprias reações e estabelecer limites no ambiente digital, reforçando que, embora virtual, o impacto emocional da internet é real e exige responsabilidade”, diz a psicóloga.

Segundo ela, olhando através do contexto do Setembro Amarelo, discutir saúde mental também significa olhar para os diferentes espaços onde o sofrimento pode surgir ou se intensificar. O ambiente digital é apontado como um dos fatores que podem influenciar o bem-estar emocional, especialmente entre os jovens.

Dados da pesquisa Panorama da Saúde Mental 2024, realizada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, apontam que 45% dos casos de ansiedade entre jovens de 15 a 29 anos estão associados ao uso de telas. O levantamento também indica que 65% dos entrevistados enfrentam dificuldades emocionais e que 40% relatam que a autoestima é profundamente afetada pelo número de curtidas e comentários recebidos em suas publicações.

Diante desse cenário, a especialista reforça que reconhecer os impactos do ambiente digital e estabelecer limites são medidas importantes para preservar a saúde mental. "Na terapia nós trabalhamos os pensamentos, as emoções e o comportamento. Então, a pessoa precisa aprender que ela pode controlar a forma como ela reage ao ambiente digital, mesmo que não consiga controlar o comportamento dos outros", finaliza.