Saúde

Sarcopenia: perda de massa muscular pode ser acelerada pela menopausa e pelo uso inadequado de canetas emagrecedoras

Condição pode comprometer metabolismo, mobilidade e longevidade sem acompanhamento especializado

Por Assessoria 02/07/2026 12h16
Sarcopenia: perda de massa muscular pode ser acelerada pela menopausa e pelo uso inadequado de canetas emagrecedoras
Médico Caio Galvão - Foto: Assessoria

A deficiência e perda de massa muscular são conhecidas como sarcopenia e podem ser sentidas em várias fases da vida, inclusive acelerando o envelhecimento. Atribuída a vários fatores, alguns estão sendo colocados mais em enfoque, como o uso exacerbado das canetas emagrecedoras e a deficiência hormonal, principalmente nas mulheres.

Apesar de ser uma palavra pouco conhecida fora da área da saúde, a sarcopenia é uma condição da perda progressiva de força e massa muscular com o envelhecimento, associada a quedas, perda de autonomia, hospitalizações e maior risco de morte. Os fatores associados à sarcopenia são idade avançada, baixa renda, sedentarismo, doenças crônicas como diabetes e osteoporose e, sobretudo, risco de desnutrição.

O médico especialista em emagrecimento Caio Galvão, conta que a condição afeta principalmente mulheres na fase da menopausa e pessoas que têm usado canetas emagrecedoras de forma inadequada e sem acompanhamento médico e nutricional.

“A sarcopenia não afeta apenas a questão de ser forte ou fraco, mas também está ligada com risco de internações, número de quedas e a vitalidade do corpo. O músculo hoje já é visto como um órgão endócrino, que realmente acelera o metabolismo e faz parte de várias funções do nosso corpo”, explica.

No caso das mulheres, a menopausa pode favorecer a perda de massa muscular, já que ocorre uma queda natural de hormônios como o estrogênio, que exerce um papel importante na manutenção da massa magra, na saúde óssea e no metabolismo. Além disso, é comum ocorrer também uma diminuição do gasto energético, maior acúmulo de gordura corporal e alterações na sensibilidade à insulina, fatores que contribuem para mudanças na composição corporal.

“O estrogênio é um hormônio que funciona como um protetor do músculo, auxiliando também na reparação muscular. A mulher na menopausa tem uma deficiência desse hormônio e a partir disso as células começam a morrer com mais facilidade e o músculo é perdido, um processo chamado de apoptose. Aquelas que não fizeram a reposição hormonal tendem a se sentir mais fracas e indispostas, coisas simples do dia a dia como subir uma escada ou carregar uma sacola pode ser um sinal de uma deficiência muscular”, salienta o médico.

Como a febre do momento são as canetas emagrecedoras, é importante ressaltar que elas promovem a perda de gordura, mas também de massa magra, o que reforça a necessidade de estratégia, individualização e acompanhamento quanto ao uso do medicamento.

Caio Galvão ressalta que estudos mostram que em pacientes que utilizam as medicações sem o treino de força, sem aporte adequado de proteínas e sem acompanhamento médico, 25% do peso perdido é de massa muscular. “Sem acompanhamento, cerca de 20 anos de massa muscular são perdidos e isso implica em complicações sérias a longo prazo. Antes de iniciar o uso desses produtos deve ser feito uma avaliação da parte hormonal e nutricional, ver a situação anterior do paciente, se já tem uma deficiência instituída de massa muscular ou não. A partir disso é formado um plano terapêutico para conseguir o melhor resultado mantendo a massa muscular”, destaca.

A preservação da massa muscular depende principalmente de três pilares: exercício físico adequado, alimentação equilibrada e acompanhamento da saúde hormonal. O treinamento de força é especialmente importante, pois estimula diretamente a manutenção e o crescimento das fibras musculares. Uma alimentação rica em proteínas de boa qualidade ajuda a fornecer os nutrientes necessários para a recuperação e a construção muscular, além de garantir ingestão adequada de micronutrientes, sono de qualidade e controle do estresse, já que esses fatores também influenciam o metabolismo e a saúde muscular.

“É preciso consumir de 1 a 2 gramas por quilo por dia ou de 25 a 30 gramas de proteínas por refeição para manutenção e ganho de massa muscular. Se o paciente não consegue ter esse aporte adequado, pode fazer a suplementação com outros produtos, como o whey. Por isso é importante, junto com o acompanhamento médico, o do nutricionista, que é parte essencial no tratamento”, salienta o médico especialista.

Por fim, Caio Galvão pontua que estar atento no acompanhamento ajuda na escolha da prática de esportes e até mesmo a prevenir lesões. “É muito comum que pessoas que realizam atividades como corrida percam massa muscular. Como os trajetos são bem longos, eles apresentam lesões ortopédicas que são decorrentes do enfraquecimento muscular. Seguir os pilares corretamente e ter acompanhamento médico deve ajudar a prevenir a sarcopenia e promover um envelhecimento mais saudável”, finaliza.