Saúde

OAB/AL destaca avanços com aprovação da regulamentação do cultivo medicinal da Cannabis

Aprovada pela Anvisa, norma estabelece regras para empresas cultivarem Cannabis para fins medicinais no Brasil, sem precisarem de autorização judicial

Por Ascom OAB/AL 22/04/2026 18h27 - Atualizado em 22/04/2026 20h09
OAB/AL destaca avanços com aprovação da regulamentação do cultivo medicinal da Cannabis
Cannabis - Foto: Divulgação

A Anvisa publicou recentemente a regulamentação para o cultivo medicinal da Cannabis no país, logo após determinação judicial da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito do IAC n. 16. Para a Comissão de Direito da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), a medida representa um avanço importante para o desenvolvimento tecnológico, científico e econômico da Cannabis no Brasil, que hoje já atende quase 1 milhão de pacientes em todos os estados.

Até então, para se ter acesso ao cultivo da Cannabis medicinal, pacientes e associações especializadas na produção precisavam recorrer a autorizações judiciais. Com a publicação das normas pela Anvisa, estabelece-se um novo marco regulatório sobre o cultivo de Cannabis no Brasil, o que deve facilitar, inclusive, o acesso a produtos derivados da planta.

De acordo com o presidente da Comissão de Direito da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da OAB Alagoas, Lucas Sobral, muitos pacientes precisavam importar produtos à base de Cannabis, enfrentando custos altos e inflacionados, agora, a expectativa é que surjam mais opções de empresas e produtos, além de valores mais em conta.

“Desde 2015 havia a possibilidade de pacientes importarem produtos à base de Cannabis. Posteriormente, a partir de 2019, houve a possibilidade de as farmácias brasileiras também comercializarem produtos à base de Cannabis, porém, o insumo para fabricação destes produtos também tinha a sua origem importada. O resultado desta situação sempre foi um custo elevado para aquisição dos tratamentos à base de Cannabis aqui no Brasil, visto que ante a impossibilidade de se ter um cultivo da planta em território nacional, toda a cadeia produtiva sempre foi mais cara que o necessário”, explicou.

Com a regulamentação da Anvisa, foram instituídas diretrizes para as empresas interessadas no cultivo da Cannabis com até 0,3% de THC, denominada de Cânhamo. Entre as determinações estão o georreferenciamento da área, controle de acesso a pessoas não autorizadas, videomonitoramento contínuo, rígidos controles de qualidade e outros. As empresas, portanto, passarão a solicitar Autorização Especial (AE) para o funcionamento perante a Anvisa, sem a necessidade de ação judicial.

No entanto, Lucas ressalta que a proposição não regulamenta o cultivo individual de Cannabis, isto é, para pacientes que possuem prescrição médica. Nesses casos, ainda é necessário recorrer à Justiça por meio de habeas corpus preventivo.

“A alternativa desses pacientes que queiram ter um cultivo em ambiente residencial ainda é entrar com um Habeas Corpus Preventivo perante o Poder Judiciário, haja vista as resoluções da Anvisa apenas permitirem o cultivo para Pessoas Jurídicas”, frisou.

Para ele, a medida trará benefícios claros não só para aqueles que necessitam de produtos derivados da Cannabis, mas para toda a sociedade brasileira, com mais geração de renda para o país e o fomento de estudos científicos.

“As pesquisas científicas, agora autorizadas pela Anvisa, poderão também servir de base para investigar os benefícios que a Cannabis poderá trazer para outras patologias que ainda carecem de estudos mais robustos, além de possibilitar o desenvolvimento científico e tecnológico da cadeia industrial que a Cannabis possui, sendo este um dos pontos mais importantes. É importante enfatizar que em países como Estados Unidos, China, França e Portugal, a Cannabis serve também como um insumo para a indústria, podendo ser aplicada em setores da construção civil, indústria têxtil e alimentícia, produção de celulose, biocombustíveis e entre outros. Essas outras aplicabilidades que a Cannabis possui, além da seara medicinal, possibilitam o incentivo tecnológico no Estado de Alagoas, que hoje tem como principais culturas a cana-de-açúcar e, mais recentemente, as fazendas de eucalipto”, destacou.