Saúde

Implante coclear: quem pode fazer a cirurgia que devolve a audição

Procedimento já é realizado em Alagoas há mais de 15 anos

Por Assessoria 03/03/2026 10h11
Implante coclear: quem pode fazer a cirurgia que devolve a audição
Aparelho já é utilizado em Alagoas há 15 anos - Foto: Assessoria

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 430 milhões de pessoas, entre elas 34 milhões de crianças, necessitam de reabilitação para tratar perda auditiva incapacitante. A projeção é que, até 2050, esse número ultrapasse 700 milhões, o equivalente a uma em cada dez pessoas no planeta. No Dia Mundial da Audição, celebrado em 3 de março, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tecnologias capazes de transformar a vida de pessoas com deficiência auditiva.

De acordo com a OMS, considera-se perda auditiva incapacitante aquela superior a 35 decibéis (dB) no melhor ouvido. A prevalência aumenta com a idade e atinge mais de 25% das pessoas com mais de 60 anos. Diante desse cenário, o otorrinolaringologista da Unimed Maceió, João Paulo Tenório, afirma que o implante coclear é uma alternativa eficaz para pacientes com perdas severas ou profundas. “Trata-se de um dispositivo eletrônico capaz de restaurar a audição nesses casos”, esclarece.

Segundo o especialista, o equipamento é implantado cirurgicamente atrás da orelha e possui dois componentes: um interno e outro externo, semelhante a um aparelho auditivo convencional. “O procedimento posiciona o dispositivo atrás da orelha do paciente e envolve as partes interna e externa”, detalha. A cirurgia é realizada por otorrinolaringologistas com especialização em otologia, área dedicada às doenças e cirurgias do ouvido.

A indicação depende de avaliação criteriosa. Nesse contexto, a triagem auditiva neonatal, conhecida como teste da orelhinha, é essencial para identificar precocemente alterações em recém-nascidos. “O diagnóstico é feito por meio da triagem auditiva neonatal, realizada de forma universal, para detectar precocemente perdas auditivas em crianças”, pontua o médico. A recomendação é que o exame ocorra até o primeiro mês de vida, preferencialmente nos primeiros dias após o nascimento, conforme orienta a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Otorrinolaringologista da Unimed Maceió, João Paulo Tenório (Foto: Assessoria)



O implante também pode ser indicado para adultos, idosos, crianças e adolescentes que nasceram com audição normal, mas desenvolveram perda severa ou profunda ao longo da vida. Conforme explica João Paulo Tenório, a cirurgia é especialmente recomendada quando o uso de aparelhos convencionais não apresenta resultados satisfatórios. “Pacientes que não se adaptam ao aparelho auditivo tradicional, que possui limitações na capacidade de restaurar a audição, são candidatos ao implante coclear”, destaca.

Em Alagoas, o procedimento é realizado há mais de 15 anos, com resultados considerados positivos. O especialista ressalta que a cirurgia é segura quando precedida de diagnóstico adequado e acompanhada por equipe multidisciplinar. “São intervenções seguras, desde que bem indicadas e acompanhadas por profissionais como fonoaudiólogo e psicólogo. O índice de sucesso é elevado”, assegura.

Além da cirurgia, o tratamento exige dedicação contínua. O acompanhamento fonoaudiológico e o apoio familiar são determinantes para a reabilitação e o desenvolvimento da linguagem. “O paciente precisa das terapias e do suporte adequado da família para alcançar uma audição próxima do normal e desenvolver a linguagem de forma apropriada”, conclui o médico, ao enfatizar que o implante coclear é um procedimento consolidado no Brasil e reconhecido como o primeiro dispositivo eletrônico capaz de substituir um órgão sensorial.