Saúde
Autoridades de saúde reforçam monitoramento após novos casos do vírus Nipah na Índia
O registro recente de casos do vírus Nipah na região de Bengala Ocidental, na Índia, levou autoridades de saúde a intensificarem o monitoramento da doença, em razão do histórico de alta letalidade associado ao patógeno. Em surtos anteriores, a taxa de mortalidade chegou a até 70%.
Identificado pela primeira vez em 1999, o vírus Nipah é classificado como uma zoonose, com transmissão originalmente associada a morcegos frugívoros e, em determinados contextos, a porcos. A infecção em humanos pode ocorrer por contato direto com animais infectados, alimentos contaminados ou, em situações específicas, entre pessoas.
Sintomas e evolução da doença
Segundo a infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Jessica Ramos, a infecção pelo vírus Nipah pode evoluir de forma rápida. O período de incubação varia de quatro a 14 dias, com sintomas iniciais como febre alta, dor de cabeça e mal-estar.
De acordo com a especialista, o quadro pode progredir para pneumonia e encefalite, com inflamação dos vasos sanguíneos, afetando principalmente pulmões e cérebro. Entre as possíveis complicações estão crises convulsivas, confusão mental e coma. Sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas prolongadas.
Risco de transmissão e situação no Brasil
A infectologista explica que a transmissão entre humanos é possível em casos de contato próximo, inclusive em ambientes hospitalares. No entanto, o vírus não apresenta, até o momento, transmissão sustentada na comunidade nem disseminação aérea eficiente a longas distâncias.
Segundo ela, não há registros de transmissão ativa do vírus Nipah no Brasil ou em outros países das Américas. As autoridades de saúde consideram baixo o risco de importação direta, desde que o vírus permaneça restrito a contatos próximos.
Prevenção e vigilância
Atualmente, não existem vacinas ou tratamentos antivirais específicos contra o vírus Nipah. Por isso, as estratégias de controle estão baseadas na prevenção e na vigilância integrada entre saúde humana, animal e ambiental.
Entre as medidas recomendadas estão a redução do contato com animais que atuam como reservatórios do vírus e a adoção de cuidados rigorosos com a higiene de alimentos que possam ter sido contaminados por secreções de morcegos.
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