Saúde
Da infância à terceira idade, especialistas reforçam a importância de manter a vacinação em dia em todas as fases da vida
A redução contínua da cobertura vacinal e o reaparecimento de doenças antes controladas voltaram a acender o alerta entre especialistas em saúde pública no Brasil. O tema ganhou repercussão internacional após mudanças recentes nas diretrizes dos Estados Unidos para a vacinação contra hepatite B em recém-nascidos, enquanto no Brasil a imunização ao nascimento segue recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como estratégia de proteção coletiva.
Em 2025, a cobertura da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — permanece abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. A vacinação contra a influenza também não alcança metade dos grupos prioritários em diversas regiões do país.
Segundo a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, as vacinas continuam sendo fundamentais para a saúde pública. Ela lembra que, apesar da redução significativa de doenças como poliomielite e sarampo ao longo das últimas décadas, o registro de casos isolados demonstra que o risco ainda existe. Para a médica, fatores como desinformação, esquecimento e dificuldade em acompanhar o histórico vacinal contribuem para a baixa adesão.
Confiança nas vacinas e acesso pelo SUS
Mirian Dal Ben reforça que os imunizantes passam por rigorosos estudos de eficácia e segurança. De acordo com ela, a ausência de registro vacinal não deve ser um impedimento para a proteção. “Na dúvida, a recomendação é se vacinar”, afirma.
O coordenador médico pediátrico do Hospital Sírio-Libanês, Ricardo Luiz Fonseca, destaca que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é um dos mais completos do mundo. Segundo ele, o Brasil oferece ampla disponibilidade de vacinas por meio de unidades básicas de saúde, serviços de atendimento e campanhas permanentes.
Infância: início da proteção ainda na maternidade
O calendário vacinal brasileiro prevê o início da imunização logo após o nascimento, com a aplicação da BCG, contra tuberculose, e da primeira dose da vacina contra hepatite B. A estratégia visa reduzir o risco de transmissão precoce da doença.
A partir dos dois meses de vida, são administradas vacinas contra difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Haemophilus influenzae, rotavírus e pneumococos, com reforços aos quatro e seis meses. Vacinas contra meningococo são aplicadas aos três e cinco meses, enquanto a imunização contra influenza e Covid-19 começa aos seis meses. O calendário inclui ainda febre amarela aos nove meses e a tríplice viral entre um ano e um ano e meio.
Fonseca ressalta que esquemas incompletos comprometem a proteção individual e coletiva, uma vez que todas as vacinas seguem critérios científicos rigorosos.
Vida adulta e lacunas na imunização
Na fase adulta, diversas vacinas deixam de ser atualizadas, especialmente as que exigem reforços periódicos, como as de tétano e difteria, recomendadas a cada dez anos. Segundo Mirian Dal Ben, muitos adultos só procuram essas vacinas após acidentes ou ferimentos.
A infectologista também chama atenção para a vacina contra hepatite B, composta por três doses e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas acima dos 40 anos, que não receberam a vacina na infância, precisam buscar a imunização de forma ativa. A baixa adesão à vacina contra influenza permanece como um desafio, mesmo diante do risco de complicações graves, sobretudo em grupos vulneráveis.
Idosos e prevenção de complicações graves
Entre os idosos, especialistas alertam para a necessidade de atenção redobrada ao calendário vacinal. A baixa cobertura da vacina pneumocócica preocupa por sua relação com pneumonia, meningite e outras infecções graves.
Além da pneumocócica, são recomendadas vacinas contra influenza, Covid-19, herpes-zóster, dengue e o vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo os especialistas, imunizantes mais recentes ampliam a proteção e contribuem para reduzir hospitalizações e complicações associadas a doenças crônicas.
Mirian Dal Ben destaca que estudos recentes associam a vacinação, como contra influenza e herpes-zóster, à redução do risco de demência. Para ela, manter o calendário vacinal atualizado impacta diretamente na expectativa e na qualidade de vida.
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