Saúde
Volta às aulas: Neuropediatra orienta sobre a identificação de sinais de neurodivergência no início do ano letivo
Com o retorno às atividades escolares, o neuropediatra Dr. Flavio Santana chama a atenção para um tema de crescente relevância no cenário da educação e da saúde infantil: a identificação precoce de sinais de neurodivergência, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), durante as primeiras semanas letivas.
A transição para o ambiente escolar representa um momento essencial para que pais, responsáveis e educadores observem o comportamento da criança em novos contextos sociais. Detectar sinais precoces pode significar a diferença entre uma trajetória escolar inclusiva e um percurso marcado por prejuízos no aprendizado e no bem-estar emocional.
Pela primeira vez na história, o Censo Demográfico 2022 investigou dados sobre o autismo no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população nacional. A prevalência foi maior entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%). Entre as faixas etárias, crianças de 5 a 9 anos lideram os diagnósticos, com 2,6%, reforçando a importância do monitoramento no início da escolarização.
Em Alagoas, os dados do Censo 2022 também trazem um panorama local inédito: cerca de 33 mil alagoanos declararam ter diagnóstico de TEA, com incidência ligeiramente superior à média nacional, especialmente entre indivíduos do sexo masculino.
Esse retrato local serve como referência para órgãos públicos, instituições educacionais e profissionais de saúde articularem estratégias contextualizadas para o atendimento das necessidades específicas dessas crianças e adolescentes, bem como para o suporte às famílias.
Diagnóstico precoce e importância da observação atenta
Segundo Dr. Flavio Santana, a fase inicial do ano letivo é determinante para observar como a criança interage em contextos sociais, adapta-se à rotina e responde a estímulos variados:
"O objetivo é garantir que nenhuma criança sofra por uma condição que pode ser acolhida e tratada. O olhar atento agora evita prejuízos emocionais e pedagógicos no futuro."
Essa orientação favorece não apenas a detecção de sinais mais evidentes de TEA, mas também a identificação de outras formas de neurodivergência, como o TDAH, que podem impactar a atenção, a organização e o engajamento escolar.
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