Política

Pastora de Penedo defende demissão de trabalhadores por posição política e gera debate

Publicação atribuída a Annikelle Araújo incentiva empregadores a dispensar funcionários petistas e consumidores a boicotar estabelecimentos; discurso levanta questionamentos sobre intolerância política e direitos trabalhistas

Por Redação 28/10/2026 07h32 - Atualizado em 28/10/2026 07h38
Pastora de Penedo defende demissão de trabalhadores por posição política e gera debate
Pastora de Penedo incentiva demissão de funcionários que votaram em Lula - Foto: Reprodução

Uma publicação atribuída à pastora Annikelle Araújo, de Penedo, no interior de Alagoas, defende que empregadores demitam funcionários e empregadas domésticas por serem eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). O texto também incentiva consumidores a trocar de cabeleireiro e deixar de frequentar estabelecimentos comerciais cujos proprietários tenham posicionamento político associado ao partido.

A mensagem, que circula vinculada ao perfil @annikelle.araujo, no Instagram, afirma que o voto de pessoas identificadas como petistas prejudicaria os negócios, a família e a vida de quem pensa diferente. Entre as orientações publicadas estão: “TEM UMA EMPREGADA DOMÉSTICA QUE É PETISTA? MANDE EMBORA” e “TEM UM FUNCIONÁRIO QUE É PETISTA? DEMITA”.


O conteúdo também recomenda que os leitores deixem de consumir produtos e frequentar estabelecimentos relacionados a pessoas com posicionamento político divergente. A publicação atribui consequências econômicas e familiares à escolha eleitoral de terceiros, incentivando a exclusão de trabalhadores e prestadores de serviços em razão de suas convicções políticas.

Discurso religioso e intolerância política

Annikelle Araújo é identificada publicamente como pastora e atua ao lado do marido, o pastor Araújo, na Igreja Evangélica Nova Canaã, fundada em Penedo em janeiro de 2024. A instituição se apresenta como um ministério voltado à evangelização e à valorização da família.

A defesa de demissões por preferência eleitoral, entretanto, levanta questionamentos sobre a incompatibilidade entre a intolerância política e os princípios de respeito ao próximo frequentemente associados ao discurso religioso. A divergência partidária, por si só, não constitui justificativa para retirar de alguém o direito de trabalhar ou acessar serviços.

O texto atribuído à pastora não se limita à defesa de um boicote comercial voluntário. Ao recomendar a demissão de empregados domésticos e funcionários, a mensagem propõe que a posição política seja utilizada como critério para decisões que afetam diretamente a subsistência de outras pessoas.

O que diz a legislação


A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de convicção política, além de estabelecer a igualdade perante a lei e proibir discriminações que atentem contra direitos fundamentais. No campo das relações de trabalho, a análise de uma eventual discriminação depende das circunstâncias concretas, da conduta adotada e das normas aplicáveis.

O episódio também evidencia os riscos de transformar disputas eleitorais em mecanismos de pressão econômica sobre trabalhadores, especialmente aqueles que dependem do salário para sustentar suas famílias.

Os envolvidos não foram encontrados pela reportagem.