Brasil

Cenipa aponta falhas em helicóptero que matou Rick e caixa-preta sem áudio

Além do cantor Rick Sollo, morreram Bruno Avelar, Paulo Soares e os pilotos Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e Leopoldo Barros Teixeira

Por Adriana Arcoverde com Celebridades/Metrópoles 22/10/2026 16h51
Cenipa aponta falhas em helicóptero que matou Rick e caixa-preta sem áudio
Cenipa aponta falhas em helicóptero que matou Rick e caixa-preta sem áudio - Foto: Reprodução/Redes sociais

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (22/10) o relatório preliminar das investigações da queda do helicóptero que matou o cantor Rick Sollo, da dupla Rick e Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira no interior de Santa Catarina, no último dia 21 de setembro.

O documento aponta mau tempo e as condições da região como principais fatores do acidente. O órgão, no entanto, também identificou um histórico de falhas na aeronave e apura se elas podem ter contribuído para o incidente. A investigação, no entanto, ainda está em andamento e não há conclusões definitivas sobre o caso.

Segundo o Cenipa, o helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, sobrevoava a uma altitude de 1.686 metros quando colidiu contra uma área de mata na encosta do Morro Convento dos Padres, no Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici (SC).

No momento da colisão, a região era atingida por uma frente fria, estava sob alerta meteorológico e apresentava chuva forte, nuvens baixas, nevoeiro intenso e baixa visibilidade. Veja imagens do local do acidente:




A ocorrência foi classificada como CFIT, sigla em inglês para Voo Controlado Contra o Terreno – ou seja, quando a aeronave em voo colide involuntariamente contra o relevo. As investigações se basearam em várias evidências coletadas ao longo do último mês, como:


.O roteiro de voo da aeronave e informações meteorológicas do momento do acidente;

.Registros de radar, imagens de câmeras de segurança e vídeos gravados pela população da região;

.Análise técnica dos equipamentos eletrônicos da aeronave, incluindo computadores de bordo, unidades de controle dos motores e sistemas de navegação;

.Depoimentos de testemunhas e pessoas envolvidas para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Histórico de falhas



Além das condições adversas do clima, do terreno e da vegetação da área de voo, o Cenipa também pontuou no relatório preliminar relatos de falhas anteriores do helicóptero, como nos geradores elétricos e na função de piloto automático.

Os investigadores também observaram que o sistema CVR, mais conhecido como caixa preta da aeronave, não apresentava registro de gravações das conversas e sons da cabine do dia do acidente. Segundo o documento, foram encontradas apenas gravações antigas relacionadas a procedimentos de manutenção.

Outro ponto de destaque nas investigações era que o helicóptero tinha um histórico de falhas intermitentes nos geradores elétricos, principalmente em situações de umidade, como voos sob chuva ou dentro de nuvens. Também foram relatadas desconexões involuntárias do piloto automático, além de uma ocorrência anterior envolvendo vibração no rotor principal.

Em março de 2026, por exemplo, a aeronave precisou realizar um pouso não programado no município de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, devido a uma forte vibração. Registros do incidente foram feitos por moradores da região e relatados por veículos locais.

O Cenipa ainda irá avaliar se esse conjunto de condições técnicas pode ter sido determinante para a queda do helicóptero. Até o momento, não há confirmação de que essas falhas tenham contribuído diretamente para a queda.

Outro ponto que faz parte das investigações é a experiência e as horas de voo dos pilotos. O piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo acumulava mais de 11,3 mil horas de experiência em helicópteros e habilitação válida para voo por instrumentos.

Já o copiloto Leopoldo Barros Teixeira tinha licença de piloto comercial e 137 horas totais de voo, mas não tinha habilitação para voo por instrumentos. Segundo o relatório, aquela era a primeira vez que o profissional operou a aeronave em questão – ele teria sido contratado para atuar exclusivamente naquele dia, em substituição ao copiloto que normalmente acompanhava os voos.

Confira a matéria original no endereço https://www.metropoles.com/cel...