Política
Redes sociais e política transformam debates em espetáculo, avalia promotor de Justiça em artigo
Frederico Alves Monteiro Pereira alerta que a espetacularização atual acaba minando a discussão de propostas para o país
A crescente influência das redes sociais sobre a política tem contribuído para a transformação do debate público em um espetáculo marcado por performances, frases de efeito e confrontos pessoais, em detrimento da discussão de propostas para o país. A avaliação é do promotor de Justiça Frederico Alves Monteiro Pereira, em artigo publicado no jornal Tribuna Independente desta sexta-feira (23) sob o título Cartas de Paris - Sociedade do Espetáculo.
No texto, o autor utiliza como ponto de partida o debate televisivo entre os candidatos a presidente exibido pela Band para refletir sobre o atual cenário político brasileiro. Segundo ele, eventos dessa natureza têm se afastado do papel de promover o diálogo democrático e o esclarecimento do eleitor, dando espaço a episódios de provocações, ataques pessoais e estratégias voltadas para a repercussão nas plataformas digitais.
A análise é sustentada por referências ao filósofo francês Guy Debord e à obra A Sociedade do Espetáculo, publicada em 1967. O pensador defendia que a sociedade moderna passaria a valorizar cada vez mais as imagens e a representação da realidade, criando um ambiente de alienação. Para o articulista, o avanço das redes sociais ampliou esse fenômeno, transformando o consumo de conteúdos rápidos, cortes de vídeos e frases de impacto em elementos centrais da comunicação política.
O autor também critica o surgimento do que chama de “político de internet”, figura que, segundo ele, prioriza a performance e o engajamento digital em vez da construção de propostas concretas. Na avaliação apresentada, slogans simplificados e promessas de soluções imediatas para problemas complexos ganham espaço à medida que cresce a desconfiança da população em relação às instituições públicas.
Ao abordar o debate televisivo, Frederico Alves Monteiro Pereira afirma que faltaram propostas consistentes e planejamento para o país. Em sua visão, o encontro foi marcado por episódios de desrespeito, ironias e ataques mútuos, elementos que tendem a gerar repercussão nas redes sociais e alimentar a lógica dos algoritmos.
Apesar das críticas, o autor conclui de forma otimista ao afirmar que o Brasil possui potencial para avançar, independentemente das turbulências políticas momentâneas. Para ele, o desafio continua sendo encontrar lideranças capazes de conduzir esse processo com responsabilidade e foco no interesse público.
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